2. ago, 2014

DEUS É PEDAGOGO

A Bíblia é a Palavra de Deus. É a grande revelação! Mas essa revelação acontece de modo humano e dentro da história humana. A Bíblia não é a Palavra de Deus caída do céu. Deus é pedagogo, vai se revelando segundo a abertura do coração humano. E a plenitude dessa revelação é Jesus de Nazaré. A história da revelação de Deus acontece na história humana. E de modo humano. Por isso digo que Cura Interior não é ministério dos anjos.

 

A Constituição Dogmática Dei Verbum nos diz:
"Aprouve a Deus, em sua boa vontade e sabedoria, revelar-se e tornar conhecido o mistério de sua vontade (Ef. 1:9), pelo qual os homens têm, no Espírito Santo, acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina por Cristo, Verbo feito carne (cf. Ef. 2:18; 2ª Pd. 1:4). Mediante essa revelação, portanto, o Deus invisível (cf. Cl.1:15; 1ªTm. 1:17), levado por seu grande amor, fala aos homens como amigo (cf. Ex 33:11; Jo 15:14-15), entretém-se com eles para convidá-los à participação de sua intimidade. Essa economia da revelação se concretiza por meio de acontecimentos e palavras intimamente conexos. Assim as obras realizadas por Deus na História da Salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades significadas pelas palavras. Estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido. No entanto, o conteúdo da verdade comunicada por essa revelação a respeito de Deus e da salvação dos homens se nos manifesta em Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a revelação".

 

Portanto, Cura Interior é participação na história do amor de Deus por nós. Isso exige nossa co-responsabilidade. Por isso a doutrina universal sobre a Cura Interior é muito diferente da doutrina espírita, por exemplo. Afinal, ao acreditar na reencarnação, estou fugindo da minha responsabilidade pessoal. E aí também não há salvação. Segundo essa doutrina, Jesus não é o nosso salvador. A pessoa se salva pelas obras de filantropia que pratica e pelo processo de reencarnação. A Cura Interior está relacionada à História da Salvação. E esta, como nos lembra o documento redigido acima, acontece dentro da história.

 

Há aqui algo de que o inimigo não gostou. Esse tesouro de Deus foi confiado a nós, vasos de barro. Que maravilha esta pedagogia de Deus ao longo da história. Afinal, quem foram os santos, senão homens e mulheres que, no seu tempo, tiveram a coragem de serem canais de Deus para seus irmãos? Por isso continuam sendo canais também para nós. Então, Cura Interior tem a ver com ministério. Ministério é serviço. Serviço que é realizado por pessoas que têm coragem de se dedicar aos outros. É muito mais fácil eu falar da Cura Interior como serviço dos anjos do que como ministério a ser desenvolvido por todos nós. Então o problema passa a ser só de Deus e caímos naquele conformismo de que "Deus quer assim".

 

Na história da revelação, o ser humano foi chamado a ser parceiro de Deus. E se não respondemos ao chamado que nos faz Ele não nos substitui. Deus não violenta a história humana, não nos transforma em bonecos animados. Somos co-responsáveis uns pelos outros. Mas parece ser mais fácil culpar Deus e dizer que os problemas existem porque assim Ele quis. Mas não é nada cristã essa afirmação.

 

Cura Interior é um processo de aperfeiçoamento e crescimento espiritual. Esse crescimento começa com a conversão e continua pela vida afora. Só acaba com a morte, quando então atingimos o alvo maior de nossa vida, Deus. Aqui compreendemos que Deus não é o culpado por nossos problemas. Como também não é o responsável por algumas pessoas não se curarem. Alguns dizem que não foram curados porque não era a vontade de Deus. Não é isso que vemos no Evangelho. Jesus nunca mandou que um doente se conformasse com a doença porque era a vontade de Deus. Curou a todos eles. Mas todas as curas que Jesus realizou foram de pessoas que as buscaram. Os milagres de Jesus são sempre resposta nossa e nunca iniciativa dele.

 

A Cura Interior é para ser algo bem prático. Ela precisa se transformar numa atitude contínua em nossa vida. O modelo desse processo é Jesus e sua pedagogia. Jesus não veio para nos dar a salvação, veio nos convidar para entrar na história da salvação. Não é algo mágico que ele fez no passado. É algo dinâmico. Aceitar Jesus como salvador significa segui-lo como Senhor. É algo dinâmico, contínuo e gradativo.

 

 

Israel Sarlo

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