8. nov, 2014

MALLIBHAI A GRANDE JANISTA.

Antes de ir para o contexto deste estudo, por favor não precipti-se no pre-julgamento. Leia e pesquise também sobre o assunto. Antes, daremos algumas informações para que entendam algumas palavras:

 

1. JAINISMO:

O jainismo foi originalmente __ como o budismo, seu contemporâneo __ um movimento de reforma dentro do hinduísmo. Tomou depois forma como religião independente. Existe até os dias de hoje, com mais de dois milhões de adeptos na Índia.

 

Milenar religião e filosofia da Índia, o janismo foi criado no século VI ªC., por Vardhamana, [conhecido como Mahavira (Grande Herói)]. Segundo alguns estudiosos, o jainismo teria surgido dois séculos antes, com Psrsvanatha, cujo título honorífico de "vencedor" - jaina ou jina - , também dado a Mahavira, teria sido a origem do nome do sistema. De qualquer forma, coube a Mahavira desenvolver a nova religião. Assim com Buda, ele pertencia à casta guerreira, na qual o movimento teve origem. Tanto o jainismo como o budismo reagia contra as concepções existentes sobre a divindade e adotavam posição não-ateísta, ensinando também que a libertação (moksha) dependia do esforço de cada um e não dos deuses. Ambos protestavam também contra o regime de castas e os privilégios dos brâmanes.

 

Não acreditando em deuses, espírito ou demônios, os jainista adotam uma metafísica muito complexa e até contraditória. Dualistas, afirmam que o universo está dividido em duas categorias últimas e eternas:


a- Os seres vivos ou almas (jiva).
b- As coisas inanimadas ou materiais (ajiva).

 

Entre as ultimas distinguem quatro categorias:
a- Matéria;
b- Movimento;
c- Repouso e
d- Tempo.

 

Já os seres vivos constituem uma combinação de alma e matéria, reunidas pelo karma (ação) e divididos em oito classes com inúmeras subdivisões. A salvação consiste em liberar-se dos laços materiais e alcançar o nirvana. No jainismo o princípio do ahimsa (não fazer mal a nenhuma criatura) é mais rigoroso do que no budismo, pois entende como ser vivo também as pedras, o vento, a água etc.

 

2. MOKSHA: Nome dado, no bramanismo, a um objeto espiritual supremo. Corresponde ao estado de libertação absoluto, que se atinge alem da perfeição ou iluminação.

 

3. AVATAR: Nome dado no hinduísmo à reencarnação do deus Vishnu, com a missão de restabelecer a ordem cósmica. Por extensão, qualquer processo de transfiguração ou metamorfose.

 

MALLIBHAI A GRANDE JAINISTA.

O que vocês acham da atitude dos sacerdotes, dos profetas, das religiões em relação às mulheres?

 

Há relatos de uma mulher na história dos jainas que teve imensa coragem e inteligência: ela se rebelou contra essa idéia. Seu nome era Mallibhai. Ela simplesmente rebelou-se e disse: "Isso é criação do homem". E certamente ela deve ter sido uma mulher carismática, pois tornou-se uma monja jaina. Ela não aceitou se tornar freira, pois uma freira tem o objetivo de ser "monge na próxima vida"; ela se tornou um monge jaina. Uma freira jaina tem permissão de usar roupas, ela não deve andar nua; esse estágio vira na próxima vida, se ela for bem-sucedida.

 

Mas essa mulher, Mallibhai, foi uma rebelde rara. Em todo mundo não há mulher igual, com a mesma rebeldia. Ela abandonou as suas roupas e declarou aos jainas: "Sou uma monja e estou me esforçando para obter a liberação, e não me importo nem um pouco com o que as suas escrituras dizem". Certamente ela preencheu todos os requisitos prescritos para ser uma tirthankara, e os jainas tiveram que aceita-la como tal. Mas eles fizeram um truque. Quando ela morreu, eles mudaram o seu nome. "Bhai"designa uma mulher, e eles construíram o nome Mallinath, por "nath" designa um homem. Assim, se você ler a história, não descobrirá que nos vinte e quatro tirthankaras houve uma mulher, pois para o nome dela, eles não dizem Mallibhai, e sim Mallinath. Eles enganaram todo o mundo, e continuam na mesma velha falsificação. Uma mulher provou, e a prova de uma mulher é suficiente para todas as mulheres. Porém, o esperto clero mudou o nome quando ela morreu, e não somente o nome, mas também sua estátua. Nos templos, é uma estátua de homem... Nos templos jainas, há vinte e quatro estátuas de tirthankaras, e todas elas de homens! Todas as estátuas de homens, os órgãos sexuais estão pendurados para fora exatamente para que não houvesse dúvidas da masculinidade dos tirtankaras.

 

O universo religioso é machista. Todos os avatares hindus são homens, e nem uma única mulher é aceita. Não que não tenha tido mulheres de uma força e um poder muito maiore do que desses supostos avatares, mas elas não foram aceitas apenas por serem mulheres, e este universo religioso pertence ao mundo dos homens é só você ver a história da criação do ministério de Jesus. Jesus não era machista, no entanto ele, para cumprir a lei teve que levantar doze apóstolos, na sua ressurreição é que a mulher passa a ter uma vida ativa no cristianismo.

 

Um muçulmano pode casar com quatro mulheres; ele tem permissão do Alcorão, mas uma mulher não tem permissão de casar com quatro homens. Uma mulher não pode entrar numa mesquita muçulmana; ela precisa orar do lado de fora. Ela é suja, apenas por ser mulher; ela nem tem permissão de orar dentro da mesquita. Numa sinagoga, há um lugar separado para as mulheres, uma divisão; ela não pode sentar com os homens. Na maioria das vezes ela tem lugar no fundo ou na sacada.

 

Contam uma história, não se sabe se verdadeira ou não. Quando Golda Meir era primeira-ministra de Israel, Indira Gandhi, que era a primeira-ministra da Índia, foi visitar Israel. Ela quis ver uma sinagoga, como os judeus veneram e o que eles fazem. Assim, Golda Meir levou Indira Gandhi e elas se sentaram na sacada. Indira Gandhi perguntou a Golda Meir: "È uma regra das sinagogas que somente as primeiras-ministras podem sentar na sacada?" Porque Golda Meir e Indira Gandhi eram ambas mulheres. Golda Meir não quis dizer que na tradição judia a mulher é mantida separada. Mas Indira Gandhi pensou: "É porque nós duas somos primeiras-ministras, assim um lugar especial nos é dado". Sim, era um lugar especial, mas não para primeiras-ministras, e sim para duas mulheres. Mesmo sendo primeiras-ministras, não importa, uma mulher é uma mulher.

 

 

Israel Sarlo

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