10. nov, 2014

A GRANDE BODA

Texto Original: (Lucas 14:16 - 28)

 

(16) "Ele lhe diz: Um homem faz um grande jantar e convida muita gente.
(17) Na hora do jantar ele envia seu servo para dizer aos convidados: ‘Vinde, pois agora está pronto!’
(18) Mas todos começam a se desculpar como um único homem. O primeiro lhe diz: ‘Comprei um campo. Preciso sair para vê-lo. Rogo-te que me desculpes.'
(19) Um outro diz: ‘Comprei cinco pares de bois. Vou verificá-los. Rogo-te que me desculpes.’
(20) Um outro diz:’ Tomei uma mulher; por isso não posso vir.’
(21) O servo chega e anuncia isso ao seu Adôn. Então, o patrão inflama-se e diz a seu servo: ‘Sai depressa pelas praças e ruas da cidade. Os pobres, os estropiados, os cegos, os coxos, fazei-os entrar.’
(22) O servo lhe diz: ‘Adôn, o que ordenastes está feito, e ainda há lugar.’
(23) O Adôn diz ao servo: ‘Sai em direção às estradas e aos muros. Obriga-os a entrar, para que encha a minha casa.
(24) Sim, eu vos digo, nenhum desses homens que haviam sido convidados provará do meu jantar’
(25) Numerosas multidões vão com ele. Ele se volta e lhes diz:
(26) ‘Quem vem a mim sem odiar seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e seu próprio ser também, não pode ser meu adepto.
(27) Quem não tomar sua cruz e não vem atrás de mim não pode ser meu adepto.
(28) Sim, qual dentre vós, se quiser construir uma torre, não se sentará primeiro para calcular a despesa e se tem como concluí-la?"

 

A reflexão do convite provoca um novo desenvolvimento do pensamento de Jesus. A parábola seguinte tem um paralelo em Mateus 22:1-10, mas as diferenças são consideráveis. Em Mateus, trata-se de um rei que celebra as núpcias de seu filho, de muitos servos e de duas delegações de convidados. Lucas fala de um homem, apenas, que oferece um grande jantar. O primeiro envia muitos servos; o segundo, um único. Mateus não se estende nos pretextos apresentados pelos convidados descorteses, enquanto Lucas detalha os argumentos e desculpas. Em Mateus, a recusa tem como conseqüência o duro castigo imposto pelo rei àqueles que o ultrajaram com suas recusas; Lucas limita-se a mencionar o descontentamento do dono da casa. A exegese cristã tradicional vê nos convidados os filhos de Israel que não respondem ao apelo de Adonai e de seus inspirados. Daí o recurso àqueles que inicialmente estavam excluídos do convite.

 

(Lucas 14:26) Jesus parece manejar de propósito o paradoxo; isto, para desencorajar as multidões, consideradas numerosas demais, que afluem a ele. Ele tem uma consciência patética de urgência da hora e da iminência do reino; daí suas exigências.

 

SEM ODIAR: Esta palavra, nos diz os exegetas deve ser tomada no sentido que ela tem em Dt.21:15-17, onde exprime um amor menor; não um ódio, mas uma preferência. Aqui, qualquer amor, como qualquer preferência, é subordinado aquele que é devido a Javé e a seu mensageiro, Jesus. Algumas traduções bíblicas usam a palavra "aborrecer".

 

(Lucas 14:27) O desprendimento deve ser total e o discípulo deve estar pronto a subir na cruz, em seu combate para que venha o reinado de Javé ou Iavé. No fim do tempo dos impérios. A renúncia deve ser total em relação aos parentes, às raízes, como também a sua própria vida e a todos os seus bens (Lc.14:25-27; 14:33).

 

(Lucas 14: 29) O ensinamento é interrompido por duas breves parábolas, nas quais Jesus recomenda uma previdência, uma prudência, que evitarão a zombaria ou a derrota aquele que praticá-las. Jesus aplica o conselho bíblico que ordena, antes, não fazer votos, que faze-los e não cumpri-los. Para seguir Jesus é preciso estar pronto a ir até o fim, isto é, a cruz.

 

 

Israel Sarlo

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