3. abr, 2015

PERDÃO

A igreja é “a família da fé” (Gl 6:10): “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”. A fé é a marca principal dos filhos de Deus. Somos uma família de crentes, e a fé é o fator que nos une com o povo de Deus de todos os lugares e épocas.

 

A família cristã, gerada pela fé, tem como força e sustentáculo o perdão. Sem ele “a família da fé” não subsiste, pois a confusão em seu meio será tão grande que será exterminada através de uma guerra interna, fria e mortal. Portanto, o perdão é o antídoto contra todos os males na família cristã e é a única porta para a salvação, o amor, alegria e paz.

 

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO (Mateus 6: 9-13): “...Pai nosso dos céus, teu nome se consagra, teu reino vem, tua vontade se faz, como nos céus na terra também. Dá-nos hoje nossa parte do pão. Perdoa-nos nossas dívidas, uma vez que nós as perdoamos a nossos devedores. Não nos faça entrar em provação, mas livra-nos do crime”.

 

A expressão “céus” pertence ao vocabulário religioso, onde tem uma nuance afetiva ausente no hebraico. “Céus” designa aqui os céus conhecidos na multiplicidade real de seus aspectos materiais e espirituais.

 

A idéia de “Céus”, especificamente nesta oração, foi para mostrar a todos que o Deus que tudo pode não mora, não move e não vive neste habitat em que vivemos, conseqüentemente não compartilha com nossos sentimentos almáticos. Não sente emocionalmente como todos nós sentimos. Portanto, a fé e o perdão não vêm segundo a nossa vida biológica ou humana. Ele fala de uma fé e de um perdão diferenciado, somente conhecidos por aqueles que são nascidos de novo.

 

Note que o nome único do único ser que habita no Céu pode nos consagrar dentro de sua vontade para que a terra seja uma repetição da lei do Céu e desta maneira teremos parte no pão celeste.

 

Transformados, aqui na terra, em cidadãos do Céu, teremos em mãos o passaporte chamado perdão. É importante notarmos que antes de perdoarmos, teremos primeiro de nos livrar de nossas dívidas para, em amor, perdoamos a todos que nos deve. Aliás, esta é uma questão muito bonita e acima das interpretações humanas. Quando se fala em dívidas perdoadas pensamos logo em dinheiro ou qualquer outra dívida social, no entanto este texto nos leva diretamente para Êxodo 20:5b-6: “... eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos”.

 

Deus, neste texto acima, nos diz que o perdão é uma questão social. Note que ele está falando do abandono que os judeus o deixou, buscando outros deuses para adorar. O perdão não é uma questão física, material ou espiritual. O perdão é uma questão psicológica, pois Deus não tenta e não é tentado material ou espiritual, mas Deus pode ser aviltado na minha psique (alma).

 

Quando falamos em perdão estamos falando antes em conhecimento. Ninguém pode ser absolvido sem altos, sem testemunhas, advogados, juízes, jurados etc. O perdão não pode ser inconsequente, necessita de subsídios para que a misericórdia seja implantada no réu. Ou seja: a misericórdia não é dom gratuito, é antes, trabalhado para ser executado. O indivíduo para ter o seu alvará de soltura, necessita de reabilitação para voltar ao convívio social.

 

O perdão é o bisturi que corta, desseca e cura a pessoa e este trabalho pode durar gerações e quando for efetuada, a misericórdia entrará e permanecerá por milhares de anos (Ex.20:6).

 

Deus nada tem para nos perdoar. O que devíamos físico e espiritualmente, Jesus já pagou com o seu sangue. Hoje existe uma dívida social-individualizada, por isto o texto: “Foi para isto que morreu Jesus e tornou a viver; para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14:9-12).

 

Por não termos dívidas físicas e espirituais, mas sim psicológicas, temos nesta última a chance da vitória em todos os sentidos. Quando descobrimos as causas eliminamos os efeitos, isto é: nossos problemas físicos e financeiros advêm da causa existente em nossa família, daí a necessidade da família cristã, pois os problemas físicos e financeiros são os efeitos de uma causa familiar internos. Será que estamos esquecidos desta pergunta? “De onde procedem todos os seus males”? Nossos males aparecem quando somos tentados, atraídos e engodados pelas nossas próprias concupiscências (Tg 1: 14).

 

Enfiamos nossa cara em qualquer lugar e em qualquer situação quando somos envolvidos por qualquer sentimento humano. Não somos cuidadosos na área sentimental. Não importa se alguém não nos queira, o importante para nós é que queremos, até mesmo usamos esta frase ridícula: “Se você não me ama, saiba que o meu amor é tão grande que valerá para nós dois”. Pois bem, antes de qualquer salto que venhamos a dar fora de nosso lar, é necessário sabermos o que ficará para traz sem solução e é aí que entra o conhecimento para usarmos o perdão para adquirimos a misericórdia.

 

“Perdoa-nos nossas dívidas” Trata-se do que o homem deve a Deus e aos outros homens, aquilo que ele ainda não pagou.

 

À Deus devemos respeito a usa imagem e semelhança _ O HOMEM. Ao homem devemos perdão para exercer misericórdia para que exista amor.

 

Como podemos observar o perdão, a misericórdia e o amor são as três principais pilastras da família cristã, portanto é aí no “Perdoa-nos nossas dívidas” que o novo pensamento se exprime em termos contáveis: já que nós perdoamos nossos créditos, perdoa-nos nossas dívidas. O versículo afirma a idéia de que no reino de Deus ninguém deve nada a ninguém. Deus não exige nada de ninguém, na plenitude real de sua glória.

 

Concluindo, gostaria de usar um outro texto que deixa clara esta aula, isto é: nada devemos a Deus a não ser as dívidas da alma pois é a alma perdida, endividada portanto é na alma que devemos instalar o chip do perdão.

 

Em Malaquias 4:5-6 encontramos o seguinte texto: “Eis que eu vos envio o profeta Elias antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição”. É clara a posição de Deus neste texto e é claro o sistema disciplinar na linguagem do Céu. Note: Elias o profeta que não morreu, mas foi transladado ao Céu voltaria, ou seja, sua mensagem seria novamente trazida aos homens antes do grande dia e esta mensagem converterá a família, isto é, o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais. A mensagem de Elias era uma mensagem de perdão, pois este mesmo espírito tinha João Batista que pregou dizendo “Arrependei-vos e crede... pois o machado está posto na raiz...”. É claro, Deus esta dizendo pelo ministério profético de Malaquias que o problema da humanidade está na dívida psicossomática. Significa que é necessária uma conversão familiar e esta só poderá existir quando entendermos as causas para então eliminarmos os efeitos.

 

 

Israel Sarlo

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