12. out, 2014

O NÚCLEO FAMÍLIA, ESTÁ REALMENTE EM ALERTA DE PERIGO?

Tenho lido muitos comentários sobre segurança, delinquência, medo, morte, prisão, suborno e de um governo marginal paralelo ao governo oficial, e, confesso, fico pasmo, pois a grande verdade é que a industria de marginais, os que andam a margem da sociedade, são homens e mulheres nascidos neste NÚCLEO, chamado de FAMÍLIA.

 

Depois do mal entrar dentro de casa, não adianta mudar a tranca, já foi arrombada a porta - estamos sob mira e algemados em nosso NÚCLEO maior - FAMÍLIA onde deveríamos estarmos protegidos.

 

Fala-se muito em nossas divisas estarem desguarnecidas. Fala-se muito da presença austera de nossa POLÍCIA FEDERAL inibindo o trafico de armas e drogas em nosso país, coisa que não acontece, afinal a presença deste mal está levando nossos FILHOS para bem distantes da proteção de seus PAIS. Aquilo que seria normal, PAIS sendo enterrados pelos FILHOS, ao contrário, os PAIS agora, enterram seus FILHOS.

 


Não adianta muito esta "proteção do ESTADO" se nossos lares não têm a competência em GOVERNAR sua FAMÍLIA. É preciso um conscientização, pelo menos, mediana, dentro de cada NÚCLEO FAMILIAR. É preciso que a sociedade descubra o antídoto certo em regularizar a harmonia entre PAIS & FILHOS.

 

Existe uma perda enorme dos VALORES MORAIS, não falo de caretice, me refiro à VALORES MORAIS que inclui respeito, gratidão, amor, companheirismo, comunhão e principalmente a ajuda, afinal, em FAMÍLIA, que viveu os estágios dos filhos não são seus pais? Entenda-os, não será um exercício difícil para os pais descerem a idade de seus filhos(as), se fazer de criança, adolescente e jovem, o impossível será ele, nestas idades, entender você já adulto sem tempo para instruir e implantar o seu tempo em cada um deles.

 

Eu gosto muito de ler. Atualmente estou lendo Daniel Goleman, PH.D. em psicologia e quero partilhar algumas observações dele. Daniel Goleman escreve sobre a situação atual existente em um grande número de familiares. Fala de uma menininha, que tem sua cabeça na cintura da mãe, a quem ela abraçava enquanto atravessava um rio em uma barca e enquanto se dava este trajeto, a mãe não reagia a esta ação, crio de medo, da filha, nem sequer a notava estava todo o tempo absorta em seu iPod. Ele ainda conta sobre uma van com nove integrantes de uma irmandade universitária que viajavam para um fim de semana fora. Logo após a saída da van, quando tudo estava escuro no carro, luzinhas se acenderam e todas as moças começaram a mexer nos seus iPhone ou tabletes. Conversas aleatórias pipocam enquanto enviavam mensagem ou navegavam pelo Face book. Mas na maior parte do tempo houve silêncio.

 

Daniel Goleman faz seu comentário que gostaria de trazer para vocês: "A indiferença daquela mãe e o silêncio entre as moças são sintomas como a tecnologia captura a nossa ATENÇÃO e interrompe as nossas conexões". Ele faz uma declaração muito importante: "Em 2006, apalavra 'pizzled' entrou no léxico inglês. Combinação de 'puzzled' (perplexo) e 'pissed off'' (irritado), capturava a sensação que se tinha quando se estava com alguém e essa pessoa pegava o BlackBerry para começar a conversar com outra. Na época, as pessoas se sentiram magoadas e indignadas diante disso. Hoje, é normal". "Os adolescentes, a vanguarda do nosso futuro, são o epicentro. No começo desta década, a contagem de mensagem de textos mensais disparou para 3.417, o sobre do número de apenas poucos anos atrás. Enquanto isso, o tempo que passam ao telefone caiu. Os adolescentes médio americano recebe e envia mais de cem mensagens de texto por dia, cerca de dez a cada hora acordado. Já vi um garoto escrevendo uma mensagem enquanto andava de bicicleta".

 

Ele fala de uma amigo que fora visitar uns primos distantes e que os filhos deles tinham todos os aparelhos eletrônicos conhecidos pelo homem. Tudo que viu este amigo foram as cabeças deles. Passavam o tempo todo conferindo os iPhones para ver quem havia lhes mandado mensagens e o que havia sido atualizado no Face book, ou ficavam perdidos em algum vídeo game. "Eles ignoram completamente o que está acontecendo ao redor e não fazem idéia de como interagir com alguém durante qualquer período de tempo". "As crianças de hoje estão crescendo numa nova realidade, na qual estão conectados mais a máquina e menos às pessoas de uma maneira que jamais aconteceu antes na história da humanidade. Isso é perturbador por diversos motivos. Por exemplo: o circuito social e emocional do cérebro de uma criança aprende através dos contatos e das conversas com todos que ele encontra durante um dia. Essas interações moldam o circuito cerebral. Menos horas passadas com gente - e mais horas olhando fixamente para uma a tela digitalizada - são o prenúncio de déficits". "Todo esse envolvimento digital cobra um custo no tempo dedicado as pessoas de verdade - o meio em que aprendemos a 'ler' sinais não verbais. A nova safra de nativos do mundo digital pode ser muito hábil nos teclados, mas é completamente desajeitada quando se trata de interpretar comportamentos alheios frente a frente, em tempo real - principalmente se sentir o incômodo dos outros quando eles param para ler um texto no meio de uma conversa".

 

O NÚCLEO FAMILIAR precisa sim de muita ATENÇÃO, pois existe uma DIVISA, uma FRONTEIRA perigosa entre seu LAR INTERNO e o MUNDO EXTERNO que acaba adotando seu filhos como se fosse o seu LAR EXTERNO. Você precisa preparar muito bem seus filhos para esta necessária e inadiável TRAVESSIA que, fatalmente acontecerá mais cedo ou mais tarde.

 

Nossos jovens estão tendo diálogos sem fala - falam seus dedos e olhos. Estão perdendo a habilidade de manter conversas e perdem não enriquecendo seus anos futuros. Diz Daniel Goliman que existem os fundamentos da atenção, o músculo cognitivo que nos permite acompanhar uma história, concluir uma tarefa, aprender ou criar. De alguma maneira, como veremos, as intermináveis horas que os jovens passam olhando fixamente para aparelhos eletrônicos pode ajudá-los a adquirir habilidades cognitivas específicas. "Mas há preocupações e questões sobre como essas mesmas horas podem levar a déficits de habilidades emocionais, sociais e cognitivas essenciais".

 

Já é comprovado que 8% de jogadores de vídeo game entre 8 e 18 anos parecem se encaixar nos critério diagnósticos da psiquiatria para o vício. Estudos cerebrais revelam mudanças em seus sistemas de recompensa neural enquanto jogam semelhantes aos encontrados em viciados em álcool e drogas. Ocasionalmente, histórias terríveis relatam casos de jogadores viciados que dormem o dia todo e jogam a noite inteira, raramente parando para comer ou fazer higiene pessoal, e chegam até meso a se tornar violentos quando membros da FAMÍLIA tentam fazê-los parar.

 

Uma relação empática exige atenção conjunta - foco mútuo. A necessidade de fazermos um esforço para termos esse tipo de momento humano nunca foi maior, levando em consideração o oceano de distrações que todos enfrentamos diariamente.

 

E ai? Vamos colocar trancas nas portas de nossas casas antes que estas sejam arrombadas e nossos FILHOS & PAIS sejam raptados?

 

 

Israel Sarlo 

www.facebook.com/caminhoeavida