28. fev, 2014

PARTE 2 - A ORIGEM DA BÍBLIA

 

por Israel Sarlo

Daremos continuidade à série de estudos sobre a BÍBLIA para então falarmos de seu conteúdo com suas histórias, usos, costumes, geografia, política e sua TEOLOGIA SISTEMÁTICA.


Na PARTE I (estudo anterior) falamos sobre a TRIBO de LEVI com suas três importantes famílias e da divisão SACERDOTAL existente nesta referida tribo. Preferimos iniciar com a TRIBO de LEVI pela importância SACERDOTAL na vida do JUDAÍSMO e porque também a influência de MOISÉS, Levita da família Coatita, e de seu irmão ARÃO, SUMO-SACERDOTE, afinal o ARÃO foi eleito SACERDOTE e MOISÉS o LEGISLADOR e como queremos a verdade não poderíamos deixar de dizer que estas duas posições no judaísmo sempre foram fundamentais, pois MOISÉS legislava para o povo político (Jacó) e ARÃO interpretava para o povo religioso (Israel).


Sem dúvida que os três quarenta anos de MOISÉS foram de grande proveito. Segundo o Livro de Atos 7, MOISÉS era um homem de conhecimento fantástico. Foi criado no palácio com o Faraó, seu avô adotivo, e lá ficou seus primeiros quarenta anos. Logo depois fugiu para Mediã e lá conheceu o SACERDOTE Jetro que logo se transformou em seu sogro. Zípora foi sua esposa e lá ficou mais quarenta anos. E, finalmente, voltou ao Egito para então dar início ao ÊXODO, isto é, a saída o povo de Israel da escravidão e no deserto seus últimos quarenta anos. Foi lá, no deserto que recebeu o DECÁLOGO e disse ter conversado com Deus. Seria bom entendermos que MOISÉS teve seu tempo também de profeta e como tal foi fantástico, mas teve seus problemas e também seria bom salientar que foi MOISÉS quem escreveu a TORÁ ou o PENTATEUCO ou os CINCO primeiros livros da BÍBLIA:


GÊNESIS;
ÊXODO;
LEVÍTICO;
NÚMEROS e
DEUTERONÔMIO.


Estas histórias e outras curiosidades vamos falar em outra ocasião. O que quero agora é que todos vocês entendam a ORIGEM DA BÍBLIA e algumas palavras que ouvimos, outras não e sem explicação alguma e que traz transtorno na HERMENÊUTICA de alguns Livros e etc.

Vamos lá? Você sabia que a história não conheceu mais do que duas BÍBLIAS que podem ser consideradas como tais?


1- A BÍBLIA RABÍNICA, que inclui a TORÁ ORAL e
2- A BÍBLIA CRISTÃ, que acrescenta o Novo Testamento (NT).


Poderia ter-se formado uma terceira, a BÍBLIA GNÓSTICA, porém não passou de uma intenção fracassada, como o foi a própria religião gnóstica. A BÍBLIA "enxuta", quer dizer, o Antigo Testamento (AT) sozinho e independente como o estuda hoje a crítica moderna na BÍBLIA HEBRAICA, nunca existiu. Quer dizer, antes da formação das tradições rabínicas e cristãs, existiu uma coleção de escritos sagrados da antiga religião de Israel. A coleção começou a formar-se ao mesmo tempo em que se integrava na tradição judaica, que desde o primeiro tempo a acompanhou, assinalando os limites, o texto de cada livro e os canais de interpretação dos mesmos.


Tanto no judaísmo como no cristianismo não se pode falar da existência da "BÍBLIA" até o momento em que começa a ser delimitado o CÂNON. Este não ocorreu até o momento em que começou a tomar corpo uma tradição interpretativa, que passa a ter valor autoritativo e canônico. No judaísmo o processo de fechamento do CÂNON das ESCRITURAS e da formação paralela da TRADIÇÃO ORAL situa-se basicamente entre os século II aC e II dC. No cristianismo este processo consumou-se praticamente no final do século II, quando o núcleo básico dos livros do NT já acompanhava o conjunto do AT. No judaísmo, a MIXNÁ e o TALMUDE não faziam parte das ESCRITURAS, porém constituíam o CÂNON de interpretação das mesmas. No cristianismo, ao contrário, o NT passa a fazer parte integrante do CÂNON das ESCRITURAS e constitui, também ele, o CÂNON de interpretação do AT.


Claro que existem palavras aqui que com o tempo iremos explicar, por exemplo:


1- A TORA ORAL;
2- A ESCOLA BÍBLIA RABÍNICA;
3- AGNÓSTICOS;
4- CÂNON;
5- TALMUDE;
6- MIXNÁ;
7- ALEGORIAS
8- TANAK (V.T.) e etc.


Vamos ficar perplexos quando entendermos o que significa A TORÁ ORAL, pois de geração para geração passaram 'verdades' que depois MOISÉS colocou em forma de escrita. Imagine quantas alterações foram feitas? Coisa que não aconteceu com o EVANGELHO, pois este é um CÓDIGO. Somente os nascidos de novo entendem e este é um LIVRO, segundo João em Pátimos, que foi selado com o selo do REINO do PAI. Não tem como ser adulterado. Não me refiro aos QUATRO LIVROS BIOGRÁFICOS:


1- MATEUS;
2- MARCOS;
3- LUCAS e
4- JOÃO.


Estes livros nunca foram EVANGELHOS, mas são LIVROS BIOGRÁFICOS. Vocês sabiam que o EVANGELHO foi pré-anunciado a ABRAÃO? "Ora, tendo a ESCRITURA previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o EVANGELHO a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos" (Gálatas 3:8). Antes mesmo dos LIVROS BIOGRÁFICOS ficarem prontos, Paulo escreve aos romanos o seguinte texto: "Pois não me envergonho do EVANGELHO, porque é o poder de Deus..." (Romanos 1:16)

 

Note: trata-se de EVANGELHO e não Evangelhos. O próprio Jesus Mateus 4:23 que diz: "Percorria Jesus a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o EVANGELHO (não evangelhos) do REINO...".

Voltando à BÍBLIA


Uma aproximação crítica e moderna à BÍBLIA não faz senão reviver os primeiros encontros, e o primeiro desencontro do judaísmo e do cristianismo com a critica racional dos gregos nos tempos do HELENISMO. O desafio da hermenêutica continua sendo o de introduzir o discurso racional no curso da traição bíblica. Muita atenção na palavra TRADIÇÃO BÍBLICA. A hermenêutica pós-moderna e pós-crítica persegue um equilíbrio entre a ciência crítica e a consciência tradicional. Este livro conclui com um breve capítulo sobre alguns aspectos da hermenêutica contemporânea, cujo conhecimento é pressuposto necessário para todo exercício hermenêutico de compreensão de textos especialmente clássicos e religiosos antigos.



Nossa próxima aula falaremos sobre a descoberta dos MANUSCRITOS do MAR MORTO nos anos que seguiram a 1947 que determinou uma mudança de rota nos estudos sobre o judaísmo antigo e sobre as origens do cristianismo, particularmente relativa ao período persa e helenístico.