17. mar, 2014

PARTE 8 - O ESTOICISMO

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS: Heranças Religiosas e Filosóficas nas Igrejas EVANGÉLICAS

 


Como disse, O ESTOICISMO era muito atuante em TARSO durante os primeiros anos da vida do APÓSTOLO PAULO, sendo, antes de tudo, um grande sistema ético, embora alguns o considerassem RELIGIÃO.

 

 

Sua idéia do universo era curiosamente materialista. Tudo o que é real é físico, embora haja grande diferença na espessura dos corpos sendo os mais grosseiros penetrados pelos mais finos. Fino e grosseiro correspondem, em linhas gerais, às distinções comuns entre espírito e matéria.

 

 

O ESTOICISMO estava próximo da ideía de Heráclito se bem que a tivesse modificado bastante. A fonte de tudo, a influência modeladora e harmonizadora do universo, é o calor vital, a partir do qual tudo se desenvolveu mediante graus de tensão. Ele penetra todas as coisas e para ele tudo retorna. Muito mais que o fogo de Heráclito, a que se assemelha, ele é a alma universal inteligente, autoconsciente, a razão disseminada por todas as coisas, o Logos do qual a razão humana é parte. É Deus, a vida e sabedoria de tudo. Ele está verdadeiramente dentro de nós. E nós, então, podemos "seguir a Deus que está dentro de nós". Por isso, é possível dizer, como Cleantes dizia de Zeus: "Também nós somos geração tua". Os deuses populares são meros nomes aplicados às forças que emanam de Deus.

 

 


Se em todo o mundo há uma sabedoria, segue-se que há uma lei natural, uma regra de conduta para todos os homens. Todos são moralmente livres. Todos os homens são irmãos, já que provém todos do mesmo Deus. As diferenças em situação de vida são meros acidentes. O supremo dever é seguir os ditames da razão na situação em que seja o indivíduo imperador quer seja escravo. A obediência à razão, o Logos, é o objeto único dos esforços humanos. A felicidade não é o alvo a ser perseguido, embora o cumprimento do dever tenha como subproduto a felicidade. Os principais inimigos da obediência perfeita são as emoções e a sensualidade, que pervertem a capacidade de julgamento. Delas deve o homem afastar-se. Deus inspira todas as boas ações, embora a noção de Deus seja essencialmente panteísta.

 

 


A teologia cristã viria a sofrer profundamente a influência da estrênua atitude ascética do ESTOICISMO, da sua doutrina da sabedoria divina que tudo impregna e governa, o Logos, da insistência em todos os que agem retamente são igualmente merecedores, seja qual for sua posição, e da afirmação da irmandade essencial de todos os homens. Nos seus representantes mais notáveis, o credo estoico e seus resultados atingiram estatura nobre. No geral, porém, era uma doutrina dura, estreita e pouco simpática, reservada a um apequena elite. O próprio ESTOICISMO reconhecia que poucos poderiam atingir o padrão de excelência por ele pregado. Daí o tom de orgulho presente em muitos dos seus representantes, muito mais flagrante quando se compara com o espírito de humildade presente no cristianismo. No entanto, o ESTOICISMO mesmo assim teve efeitos notáveis. Deu a Roma excelentes imperadores e funcionários do estado. Nunca chegou a tornar-se um credo realmente popular, mas era seguido por pessoas de influência e posição elevada no mundo romano, e modificou para melhor a lei romana, introduzido na jurisprudência o conceito de lei natural, expressa na razão e superior a qualquer estatutos huambos arbitrários. Seu ensino de que todos os homens são, por natureza, iguais amenizou gradualmente as facetas mais perversas da escravatura, propiciando a muitos conquistarem a cidadania romana.

 

 

Na próxima aula continuaremos a falar no ESTOICISMO.

 

 

por Israel Sarlo