18. mar, 2014

Parte 9 - ESTOICISMO (continuação)

BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS: Heranças Religiosas e Filosóficas

 

Durante o período em que surgiu o CRISTIANISMO, os antigos sistemas filosóficos sofreram mudanças notáveis. A tendência o sincretismo era largamente difundida e as várias ESCOLAS influenciavam-se mutuamente. Por exemplo, a ética rigorosa original dos estoicos foi modificada pela idéia do termo médio aristotélico. O célebre filósofo estoico Possidônio (135-51 a. C.) mostra influência platônica. Foi, aliás, um dos espíritos mais universais da Antiguidade. À preocupação racional e mística somou a de historiador e geógrafo. É evidente que Plutarco, vou falar dele depois, o caráter eclético do platonismo médio. Nele misturam-se temas estoicos, aristotélicos e pitagóricos. O caráter sincrético d pensamento helênico torna-se evidente em muitos dos “Pais da Igreja”.

 

  

 

Apesar da disseminação do epicurismo e do estoicismo, pode-se dizer que, ao tempo de Cristo, a tendência principal do pensamento mais refinado em Roma e nas províncias encaminhava-se em direção ao monoteísmo panteísta, ao conceito de Deus como bom – contrastando com o caráter amoral das antigas divindades gregas e romanas – à crença numa providência divina soberana, à ideia de que a verdadeira religião não consiste em cerimônias, mas em imitação das qualidades morais de Deus e a uma atitude mais humana para com as criaturas. Faltavam à filosofia de então dois elementos que o CRISTIANISMO viria realçar, a saber, a certeza que só pode advir da crença numa revelação divina, e a ideia de lealdade a uma pessoa.

 

  

 

O povo em geral, no entanto, desfrutava de poucos dos benefícios advindos do pensamento filosófico. Campeava no seu meio a superstição mais crua. Se for verdade que o predomínio das velhas religiões da Grécia e de Roma diminuíra, não menos verdade é que o povo comum permanecia na crença em deuses muitos e senhores vários. Cada cidade, cada profissão, a agricultura, a primavera, o lar, os eventos principais da existência, o casamento, o nascimento – tudo tinha o seu patrono na pessoa de um deus ou deusa. Essas noções viriam mais tarde a aparecer na história cristã sob a forma de veneração dos santos. Adivinhos e mágicos, especialmente os de raça judaica, faziam comércio próspero entre os ignorantes. Acima de tudo, o povo em geral estava convicto de que a preservação do culto religioso histórico dos deuses antigos era necessário à segurança e perpetuação do estado. Se esse culto não fosse praticado, os deuses exerceriam vingança por meio de calamidades. Foi essa opção que deu causa a muitas das perseguições movidas contra o CRISTIANISIMO.

 

  

 

Essas idéias populares não encontravam oposição da parte dos mais cultos, os quais, em geral, admitiam que as velhas religiões tinham valor policial, e consideravam as cerimônias do estado como uma necessidade do homem comum. Sêneca expressou sem rodeios a opinião dos filósofos, ao declarara que “o homem sábio observa todos os costumes da religião tais como ordenados pela lei, e não como agradáveis aos deuses”.

 

 

 

 

Era para as massas que os pregadores cínicos desse período apelavam. A corrupção moral do império favoreceu o reavivamento desse antigo credo de independência e auto-suficiência. Seu campeão fora Diógenes de Sinope (400?-325? a.C.). Embora muitos desses pregadores itinerantes fossem grosseiros e mesmo obscenos, havia os que eram dignos de honra, como Dio Crisóstomo (40. d.C 112?), que discursava contra o vício e a sensualidade, propunha a vida do campo como muito superior à do citadino abastado, e proclamava uma mensagem de harmonia mundial e verdadeira piedade, fundamentada na ideia universal e inata de Deus. É possível perceber alguma influência da vida ascética e itinerante do cínico sobre o desenvolvimento do monarquismo cristão.

 

 

 

 

Ainda em nossa próxima aula continuaremos falando do ESTOICISMO e suas variantes. Gostaria muito que você prestasse muita atenção nas semelhanças, se posso chamar, das teologias, pois verão que nada mudou, apenas envernizaram as idéias com suas mentiras, deram outra roupagem e continuam, o povo comum, servindo aos mais “espertos”.

 

 

por Israel Sarlo