20. mar, 2014

PARTE 11 - FINAL DA AULA SOBRE ESTOICISMO

BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS: Heranças Religiosas e Filosóficas (continuação).

 

Uma dessas religiões orientais foi o judaísmo. Sobre isso teremos oportunidade de fazer referências mais detalhadamente em outro local. Apesar do pouco elemento de mistério que apresentava, o judaísmo conquistou popularidade considerável. A mente popular voltava sua preferência para outros cultos do Oriente com ênfase maior no misterioso ou, antes, mais poso no elemento sacramenta e redentor. A importância desses cultos no desenvolvimento religioso do mundo romano tem sido muito realçada ultimamente. Os mais populares dentre eles eram os da GRANDE MÃE (Cibele) e Átis, originários da Ásia Menor; de Ísis e Serápis, do Egito, e de Mitras, da Pérsia. Ao mesmo tempo, observa-se grande sincretismo entre essas religiões, cada uma apossando-se de elementos de outra e das religiões mais antigas nas suas zonas de origem.

 

O culto da GRANDE MÃE aportou em Roma em 204 a.C. Era em essência uma religião rudimentar de adoração da natureza, acompanhada de ritos licenciosos. Foi o primeiro a fixar-se no Ocidente em larga escala. O de Ísis e Serápis, com sua ênfase na regeneração e na vida futura, estabeleceu-se em Roma mais ou menos em 80 a.C., mas defrontou-se com oposição governamental por muito tempo. O de Mitras, o mais elevado de todos, apesar de sua longa história no Oriente, não chegou a tornar-se importante em Roma, senão após o ano 100 d.C., aproximadamente. Seu período áureo de crescimento foi na última parte do século II e no século III. Era preferido especialmente pelos soldados. Nos últimos anos – ao menos do seu progresso no Império Romano – Mitras foi identificado como o Sol, o Sol Invictus dos imperadores imediatamente anteriores a Constantino. Como outras religiões de origem persa, tinha uma visão dualista do universo.

 

Todas essas religiões pregavam um deus-redentor e originavam-se do culto à natureza. Sua mitologia variava, mas em geral falava de um deus que morria e ressuscitava, e celebrava o ciclo natural do nascimento e da morte, aplicando-o ao renascimento da alma, de modo a vencer a morte.

 

 

Outra constante nessas religiões era a afirmação de que os iniciados participavam, de modo simbólico (sacramental), das experiências do deus, morriam com ele, com ele ressurgiam, tornavam-se participantes da natureza divina, geralmente por meio de uma refeição de que o próprio deus simbolicamente partilhava, tornando-se também partícipes da sua imortalidade. Todas essas religiões tinham ritos secretos reservados aos iniciados e atos de purificação mística (sacramental) dos pecados. Nas religiões de Ísis e Serápis essa purificação se dava por meio do banhar-se em águas sagradas. Nas da Grande Mãe e de Mitras, por meio do sangue de um touro - o taurobolium – no qual os iniciados “renasciam para sempre”, segundo rezam algumas inscrições. Todas elas prometiam vida futuro feliz para os fies. Em sua atitude para com o mundo, eram todas mais ou menos ascéticas. Algumas, como, por exemplo, o matraísmo, pregava a irmandade e igualdade essencial de todos os discípulos. Não parece Haber dúvida de que o desenvolvimento da primitiva doutrina cristã dos sacramentos foi afetado, se não diretamente por essas religiões, ao menos pelo ambiente religioso que elas ajudaram a criar e com o qual muito bem se coadunavam.

 

 

Resumindo: a situação do mundo pagão na época do nascimento de Cristo, pode-se dizer que certas necessidades religiosas eram evidentes, mesmo em meio a grande confusão, e expressas em formas das mais variadas. Para fazer face às exigências da época, uma religião:

 

1) teria de pregar um Deus único e justo, embora deixasse lugar para inúmeros espíritos, bom e mau.

 

2) Teria de possuir uma revelação definida da vontade de Deus, isto é, de uma escritura dotada de autoridade, como era o caso no judaísmo.

 

3) Teria de inculcar nos seus seguidores a virtude da negação do mundo, baseada em ações morais agradáveis à vontade e à natureza do seu deus.

 

4) Teria de apontar uma vida futura plena de recompensas e castigos.

 

5) Deveria dispor de ritos simbólicos de iniciação e prometer efetivo perdão de pecados.

 

6) Teria de possuir um deus-redentor com o qual os homens pudessem unir-se mediante atos sacramentais.

 

7) Deveria pregar a irmandade de todos os homens, ou, ao menos, de todos os seus seguidores.

 

Por mais simples que fosse o seu começo, o CRISTIANISMO tinha de possuir tais características, ou delas apropriar-se, a fim de conquistar o Império Romano, ou tornar-se uma religião universal. Em sentido muito mais amplo do que se pensava, o CRISTIANISMO surgiu “na plenitude dos tempos”. Para os que creem na providência poderosa de Deus, é evidente a importância fundamental nessa grande preparação, por mais que se reconheça o fato de que algumas das características do CRSTIANISMO primitivo levavam o timbre e as limitações da época e tem de ser joeiradas, para que nele se percebam os elementos eternos.

 

 

Eu tenho dito isto, repetidas vezes, que tantos os apóstolos como os discípulos tiveram uma missão árdua, pois a MISSÃO deles, antes de pregar o EVANGELHO, era o de preparar terreno. Não houve para eles, tempo hábil para isto, apenas cuidaram do terreno, se defenderam dos invasores para não tornar a plantarem a semente religiosa e a semente filosófica. Apenas defenderam o MESTRE e sua MISSÃO sobre o REINO do PAI contra os reinos já constituídos por RELIGIÕES FILOSÓFICAS com seus sofismas.

 

 

Hoje? Ainda as religiões vivem muitas destas formas místicas de pregar a verdade. Trocam as verdades por interesses pessoais e torcem o que de verdade nos ensina o EVANGELHO e usam de artimanhas para enganar o povo para dele tirar seus proventos.

 

 

Por favor, volte a ler esta última aula sobre ESTOICISMO e faça suas comparações com tudo que você tem visto e ouvido nos púlpitos de suas religiões e nas TVS.

 

 Na próxima aula vamos, como já prometemos, estudar a importância do JUDAÍSMO.

 

AGUARDEM A ESCOLA JUDAICA!

 

 

por Israel Sarlo