22. mar, 2014

PARTE 1 - O JUDAÍSMO

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS (continuação).

 

 

Como havíamos prometido, vamos entrar nas raízes do CRISTIANISMO - O JUDAÍSMO. Esperamos que você, como disse na introdução, se desarme e queira entender, pois somente assim aprenderá com o MESTRE - JESUS.

 


Nas publicações anteriores (nos 11 capítulos do GRUPO 1 - HISTÓRIAS BÍBLICAS 1) falamos um pouco das filosofias e falamos muito sobre as ESCOLAS FILOSÓFICAS Gregas, exatamente para que você ficasse ciente dos tentáculos filosóficos nas religiões e, sem dúvida, no decorrer de nossas aulas, você entenderá melhor o porque destas ESCOLAS.

 


Iniciamos hoje o nosso SEGUNDO TEMPO ou GRUPO 2 e falaremos muito da ajuda do JUDAÍSMO no CRISTIANISMO e também de seus erros, quando não bem interpretados por nossoS "teólogos". Portanto, para melhor conforto, vamos hoje a nossa 1ª PARTE:

 


O desenvolvimento do judaísmo nos seis séculos anteriores ao nascimento de Cristo foi determinado pelos eventos concretos da história. Desde a conquista de Jerusalém, por Nabucodonosor em 586 a. C., a Judeia estava sob controle político estrangeiro. Coubera-lhe a mesma sorte do antigo Império Assírio e de seus sucessores, o Império Persa e o de Alexandre. Após a dissolução deste último, ficou dividido entre quatro generais de Alexandre: Cassandro, Celeuco, Lisímaco e Ptolomeu, caiu sob o domínio dos Ptolomeus, do Egito, e então da dinastia selêucida de Antioquia. Apesar dessa dependência política, as instituições religiosas estavam praticamente intactas depois da restauração efetuada quando da conquista de Babilônia pelos Persas.

 


As famílias sacerdotais, hereditárias, constituíam a verdadeira aristocracia da terra. Caracterizavam-se, nos seus escalões mais altos, por interesses políticos e indiferença religiosa. O cargo de sumo-sacerdote passou a ser cobiçado, por causa de sua influência econômica e política. Com segurança, a partir do período Grego, a esse cargo estava vinculado uma ESCOLA (colégio) de conselheiros e intérpretes das leis, o Sinédrio, que veio a ser constituído de 71 membros. Assim administrado, o templo e seu sacerdócio vieram a representar o aspecto mais formal da vida religiosa dos Hebreus. De outra parte, a convicção de que a nação era um povo santo, que vivia sob o domínio da lei santa de IAVÉ, bem como a ideia de separatismo religioso e a relativa cessação da profecia (Rhema), levaram-na ao estudo da lei, interpretada por um conjunto, sempre crescente, de tradições (Logos).

 

 

Tal como acontece nos países muçulmanos de hoje, a lei judaica era não só preceito religioso, mas também estatuto civil. Seus intérpretes, os escribas, tornavam-se cada vez mais, claramente, os líderes religiosos efetivos do povo.

 

 

O judaísmos tornou-se, por fim, religião de uma escritura sagrada com sua coleção de precedentes interpretativos. Onde quer que o judaísmo estivesse presente, passou a existir a SINAGOGA, como instrumento para favorecer a compreensão mais plena e a administração da lei, e como lugar de oração e culto. A origem da sinagoga é incerta. Remonta, provavelmente, ao exílio. Sua forma típica era a de uma congregação local que incluía todos os judeus de uma certa região, sob a presidência de um grupo de "anciãos" que tinham, muitas vezes, um "príncipe" por chefe. Esse grupo tinha poder para excomungar e punir os culpados. Os ofícios eram simples e podiam ser dirigidos por qualquer hebreu, embora os preparativos estivessem a cargo do "príncipe da sinagoga". Alguma semelhança? Coincidência com o seu dia a dia de religioso? Constava de oração, leitura da lei e dos profetas, tradução do trecho lido e, às vezes, exposição ou sermão, e bênção. Tudo a mesma coisa hoje.

 

 

Quanto mais próximos nos colocamos na época do nascimento de Cristo, tanto mais evidente se torna o fato de que o templo, embora ainda em alta estima, se torna cada vez menos importante na vida religiosa do povo, em virtude do caráter pouco representativo do sacerdócio, e também da importância crescente da sinagoga. Sua destruição total, no ano 70 d.C., não chegou sequer a perturbar nenhum dos elementos essenciais do judaísmo.

 

 


Sob o domínio dos reis selêucidas, a Judeia foi invadida por influências helenizastes, que dividiram os que reivindicavam o cargo de sumo-sacerdote. O apoio decidido ao helenizo (helenismo está ligado a Grécia com suas filosofias), dado por Antíoco IV, Epifânio (175 a.C. - 164) e a campanha por ele movida contra o culto e os costumes judaicos suscitaram a grande rebelião dos Macabeus, em 167 a.C., sendo também a causa remota de um período de independência judaica que durou até a conquista pelos romanos, em 63a.C. As lutas em torno da tendência hifenizante produziram uma profunda cisão na vida dos judeus.

 

 

Os governantes Macabeus apossaram-se do cargo de sumo-sacerdote. Contudo, embora tivessem galgado posições de liderança, graças ao fato de se oporem à tendência helenizante e graças ao seu zelo religioso, os Macabeus pouco a pouco descambaram para o helenismo, e deixaram se dominar por ambições puramente políticas. Com João Hircano, o Macabeu que governou de 135 a 105 a.C., tornaram-se claras as distinções entre os partidos religiosos do judaísmo posterior.

 

 

O partido aristocrático-político, ao qual se aliaram Hircano e as principais famílias sacerdotais, tornou-se conhecido como o partido dos saduceus (palavra sobre cujo sentido e origem pouco se sabe). Era, em essência, um partido mundano e desprovido de convicções religiosas marcantes. Muitas das idéias apregoadas pelos saduceus eram representativas do judaísmo mais antigo. Por exemplo: guardavam a lei sem a interpretação tradicional e negavam a ressurreição e a imortalidade da pessoa. Rejeitavam, de outro lado, a velha ideia de espíritos bons e maus. Embora de grande influência política, não gozavam de popularidade entre o povo comum, o qual se opunha a toda e qualquer influência estrangeira, e se colocavam ao lado da lei tal como interpretada pela tradição.

 

 

Os representantes mais radicais desta atitude democrático-político eram os fariseus (palavra que significa "separados ou santos"). Embora o nome porque eram chamados tenha aparecido pouco antes do tempo de João Hircano, os fariseus apresentavam uma atitude que remontava a épocas muito anteriores. É no reino deste Macabeu que se inicia a luta histórica entre fariseus e saduceus.

 

 

Continuaremos na próxima aula...

 

por Israel Sarlo