25. mar, 2014

PARTE 2 - JUDAÍSMO: Os Fariseus

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS (continuação).

 


No geral, os fariseus não constituíam um partido político, embora dentre eles tenham surgido os zelotes (ou "homens de ação"). Nunca chegaram a ser numerosos, não obstante contassem com a admiração da maioria do povo. O judeu comum não dispunha da instrução nas minúcias da lei, nem do tempo disponível necessários para tornar-se um fariseu. A atitude dos membros desse partido para com a massa do judaísmo era de desprezo (João 7:49). Os fariseus representavam, contudo, ideias nutridas por muita gente, resultado, em muitos sentidos, do desenvolvimento religioso judaico desde os tempos do exílio.

 

Sua ênfase principal era na observância exata da lei tal como interpretada pelas tradições. Mantinham-se aferrados à crença na existência de espíritos bons e maus, comum a doutrina dos anjos e de Satanás grandemente influenciada, ao que parece, por ideias Persas. Representava a crença na ressurreição do corpo e em recompensas e castigos futuros, crença essa que se havia desenvolvido grandemente nos dois séculos imediatamente anteriores ao nascimento de Cristo. Tal como o povo em geral, mantinha-se fiéis à esperança messiânica.

 

 

Os fariseus eram, em muitos aspectos, merecedores de grande respeito. Alguns dos discípulos de Cristo provieram de círculos imbuídos dessas ideias. O mais culto dos apóstolos tinha sido fariseu, e assim se declarava, mesmo muito tempo depois de se ter tornado cristão (Atos 23:6). O fervor demonstrado pelos fariseus era admirável. O farisaísmo, porém, tinha dois grandes defeitos:


1º - Equacionava a religião com a mera observância de uma lei externa, mediante a qual se conquistava uma recompensa. Isso podia levar facilmente ao esquecimento da retidão interior do espírito e da relação pessoal íntima com Deus;


2º - Alijava das promessas divinas aqueles para quem era impossível a observância do padrão farisaico, por causa de seus pecados, falhas e imperfeição na obediência à lei. Deserdava, portanto, as "ovelhas perdidas" da casa de Israel, e, com isso, tornou-se merecedor da justa condenação da parte de Cristo.

 

 


Gostaria muito que, os que estudaram um pouco ATOS DOS APÓSTOLOS, dessem uma atenção especial a estas duas divisões do judaísmo, os SADUCEUS e FARISEUS. Vocês vão encontrar marcas, principalmente dos fariseus, nos ensinos das igrejas evangélicas, por isto gosto muito de estudar as Cartas de Paulo, pois ele era fariseu e lutou muito quando impôs o EVANGELHO, ensinando os erros destas divisões doutrinárias. Notem que estas citadas divisões tem suas bases em costumes e tradições da linha teológica judaica.

 

 


A esperança messiânica, nutrida tanto pelos fariseus como pelo povo em geral, era fruto da forte consciência nacional e da fé em Deus. Nos tempos de opressão nacional ela se tornava ainda mais vigorosa. Tornara-se débil ao tempo do governo dos primeiros Macabeus, quando uma dinastia temente a Deus trouxe independência ao povo. A tradição familiar, porém, foi abandonada pelos últimos Macabeus. Os romanos conquistaram o país em 63 a.C. Do ponto de vista estritamente judaico, a situação em nada melhorou quando um aventureiro, pelo sangue meio judeu, Herodes, filho do idumeu Antipáter, governou como rei vassalo do poder romano, entre 37 a.C., e 4.a.C. O povo considerava-o instrumento dócil nas mãos dos romanos e, no fundo, um helenizante, apesar dos inegáveis serviços que prestou à prosperidade material do país e da suntuosa reconstrução do templo por ele empreendida.

 

 

Os herodianos eram odiados tanto por fariseus quanto por saduceus. Morto Herodes, seu reino foi dividido entre três dos seus filhos:


1º - ARQUELAU tornou-se "etnarca" da Judeia, Samaria e Idumeia (4 a.C. 6 d.C.);
2º - HERODES ANTIPAS, "tetrarca" da Galileia e Peréia (4 a.C. 39 d.C.) e
3º - FILIPE, "tetrarca" da região situada a leste e nordeste do mar da Galileia, predominantente pagã. Arquelau suscitou profundas inimizades, foi deposto pelo Imperador Augusto e sucedido por um procurador romano. O ocupante deste cargo entre 26 e 36 d.C., foi Pôncio Pilatos.

 

 

 

Vamos deixar você com este pequeno estudo por hoje, exatamente para você reler e buscar outras fontes para o enriquecimento de sua fé. Outro sim, como já disse, tenho um acervo grande sobre história secular e eclesiástica, se não as dou em pleno curso, faço na intenção de ajuda a todos, pois a curiosidade fará com que você se embrenhe apressadamente nos estudo e não ganhe a calma necessária para degustar este saber que Paulo aconselha a examinar e manter o melhor. Mas vou dar títulos de livros importantíssimos para vocês, inclusive o que é meu de cabeceira e que me ajuda muito em minhas pesquisas.

 

 

Bom estudo.

 

por Israel Sarlo.