31. mar, 2014

PARTE 5 - JUDAÍSMO DA DISPERSÃO

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS (continuação).

 

 

O judaísmo da dispersão, por sua vez, sofreu forte influência do helenismo, especialmente da filosofia grega. Essa influência em nenhum outro lugar foi mais profunda do que no Egito. Foi na cidade egípcia de Alexandria que o AT (Antigo Testamento) foi traduzido para o grego - na versão comumente chamada de "SEPTUAGINTA" - já na época do reinado de Ptolomeu Filadelfo (285 a.C. - 246).

 

 

 

As ESCRITURAS judaicas, até então encerradas numa língua obscura, tornaram-se, assim, acessíveis a muitos. Também em Alexandria, as concepções religiosas do AT associaram-se aos conceitos filosóficos gregos, especialmente os platônicos e estoicos, para formar um sincretismo admirável. O mais importante desses intérpretes alexandrinos foi Fílon (20? a.C - 42? d.C.). Para ele, o AT era o mais sábio dos livros, verdeira revelação divina, e Moisés, o maior dos mestres.

 

 

 

Mediante a interpretação alegórica, porém, Fílon vê harmonia entre o AT e os melhores elementos do platonismo e estoicismo. Essa convicção teria tremenda importância para o desenvolvimento da teologia cristã.

 

 

 

O método alegórico de interpretação da Bíblia viria a influir grandemente no futuro estudo cristão das ESCRITURAS. Segundo Fílon, o Deus único fez o mundo como expressão de sua bondade para com sua criação. Mas os deles de ligação entre Deus e o mundo são uma série de poderes divinos, considerados ora como atributos de Deus, ora como seres pessoais. Destes, o mais elevado é o Logos, que emana do próprio ser de Deus e é o agente, não só através do qual Deus criou o mundo mas, também, do qual emanam todos os outros poderes. Mediante o Logos, Deus criou o homem ideal, de quem o homem concreto é uma pálida cópia, produto que é, não só do Logos, mas também dos poderes espirituais inferiores.

 

 

 

Apesar do seu estado decaído, o homem pode elevar-se à comunhão com Deus através do Logos, agente da revelação divina. O conceito de Fílon tem do Logos, porém, é muito mais filosófico do que o de "sabedoria" tal como encontrado no livro de Provérbios, ao qual, aliás, fizemos menção. E a origem da doutrina neotestamentário do Logos se encontra na concepção hebraica de "sabedoria", e não no pensamento de Fílon. Não obstante, Fílon é uma ótima ilustração da maneira em que se poderiam unir ideias helênicas e hebraicas, tal como veio depois a acontecer na evolução da teologia cristã.

 

 

Em parte alguma do mundo romano o processo representado pelo trabalho de Fílon se desenvolveu com tanta plenitude quanto em Alexandria.

 

 

Seria muito interessante que vocês entendessem que Fílon e Josefo eram contemporâneos do Mestre, eu inclusive tenho um livro escrito por Josefo e é fácil encontrar o livro dele nas boas livrarias evangélicas, creio que também não será difícil encontrar alguma coisa de Fílon, contudo você precisará está bem atento, pois, principalmente Fílon trouxe muitas filosofias helênicas para o cristianismo, como já falamos.

 

 

Para melhorar nossos estudos vamos na próxima aula estudar sobre os vários discípulos em relação a Jesus. Este assunto vai nos abrir mais um pouco os nossos olhos e nosso entediamento.

 


Até lá.

 

 

por Israel Sarlo.