1. abr, 2014

PARTE 6 - Preparação da vinda do DEUS MENINO

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS (continuação).

 

Nesta 6ª aula vamos falar um pouco sobre a preparação da vinda do DEUS MENINO ao nosso convívio e seria bom que logo entendêssemos que o caminho para Jesus foi preparado por João Batista, considerado pelos primeiros cristãos o "precursor" do Messias.

 

 

De vida ascética, pregou, na região do Jordão, que o dia do Julgamento de Israel estava próximo, que o Messias estava prestes a chegar. Desprezando todo formalismo religioso e qualquer dependência em relação à descendência de Abraão, proclamava a mensagem dos antigos profetas: "arrependei-vos, fazei justiça". As instruções que dava aos vários tipos de ouvintes eram simples e radicalmente não-legalista (Lucas 3:2-14; Mt.3:1-12).

 

 

João Batista, batizava seus discípulos, como sinal da purificação dos seus pecados. (O ato do batismo talvez simbolizasse submissão ao rio de fogo que se aproximava, pelo qual Deus haveria de purificar e redimir o mundo). Ensinava-lhes um tipo especial de oração.

 

 

João Batista foi descrito por Jesus como o último dos profetas e um dos maiores entre eles. Embora muitos dos seus seguidores se tivessem tornado discípulos de Jesus, alguns deles continuaram independentes, sendo encontrados por Paulo, muito mais tarde, no seu ministério em Éfeso (At. 19:1-4).

 

 


Falta-nos material para compor uma biografia de Jesus comparável à que se poderia escrever de alguém que tenha vivido nos tempos modernos. Os fatos registrados nos Livros Biográficos são, antes de mais nada, testemunho do divino evento de Jesus, o Cristo, e seus pormenores foram, sem dúvida, coloridos pelas experiências e situações vividas pela Igreja Primitiva, mas, através de nossos estudos, às sextas-feiras, propomos estudar este assunto: a infância, adolescência e juventude do Mestre nas aulas sobre "A ESCOLA DO MESTRE". É claro que todo material sobre este assunto, repito, não está claro objetivamente, mas subjetivamente.

 

 


Há profunda divisão entre os estudiosos no que concerne à exatidão de muitos incidentes narrados nos Biográficos. Nos seus traços essenciais, porém, o caráter e o ensino de Jesus tornaram-se visíveis nas páginas dos Livros Biográficos.

 

 

Ele nasceu em Nazaré da Galileia, na atmosfera simples de uma casa de carpinteiro. Embora olhada com desprezo pelos judeus mais puros que habitavam a Judeia, por causa da considerável mistura de raças que nela havia. A Galileia era fiel à religião e às tradições hebraicas. A população, vigorosa e altiva, estava imbuída de intensa esperança messiânica. Ali Jesus chegou à idade adulta, sem que tenhamos um registro objetivo das experiências por ele vividas na infância e mocidade. A julgar, porém, pelo seu ministério posterior, devem ter sido anos de profunda penetração e espiritual e de "graça diante de Deus e dos homens".

 

 


A pregação de João Batista o afastou da vida calma que levava. Por ele foi batizado no Jordão. Junto com o batismo veio-lhe a convicção de que era designado por Deus para desempenhar papel específico no reino iminente a ser instaurado pelo Filho do Homem, personagem celestial que viria nas nuvens do céu. Saber se Jesus se considerava efetivamente o Messias – eis um problema muito debatido. Seja como for, a história da tentação dá a entender a rejeição da idéia de Messias colocada nos termos das expectativas judaicas populares e a recusa a servir-se de métodos políticos e egocêntricos.

 

 

O reino significa o governo por parte de Deus, iniciado por Ele mesmo, e não inaugurado pela subversão do governo romano. É o reino dos puros de coração que reconhecem sua pecaminosidade, arrependem-se e aceitam a exigência radical do amor e as reivindicações do seu Pai celestial.

 

 


Depois do seu batismo, Jesus imediatamente começou a pregar o reino e a curar os atribulados na Galileia, granjeando desde logo grande número de seguidores dentre o povo. Reuniu ao redor de si um grupo pequeno de companheiros mais íntimos, os apóstolos, e outro, maior, de discípulos menos ligados. Não é possível dizer, ao certo, por quanto tempo se estendeu o seu ministério. É possível que sua duração tenha sido de um a três anos.

 

 

A oposição a ele começou a fazer-se sentir tão logo se tornou evidente a natureza espiritual da sua mensagem e clara a sua hostilidade ao farisaísmo da época. Muitos dos seus primeiros seguidores se afastaram. Dirigiu-se então para o noroeste, na direção de Tiro e Sidom, e depois para a região da Cesaréia de Filipe, onde os Livros Biográficos registram o reconhecimento da sua missão messiânica pelos discípulos.

 

 

Jesus julgava, porém, que devia pregar um Jerusalém, qualquer que fosse o risco que isso acarretasse. Munido de coragem heroica, para lá se dirigiu, defrontando-se com hostilidade crescente. E lá foi preso e crucificado, provavelmente no ano 29 e comprovadamente sob o governo de Pôncio Pilatos (26 d.C.- 36). Seus discípulos se dispersaram, para logo depois reunir-se outra vez, com redobrada coragem, na alegre convicção de que Ele ainda vivia, tendo ressurgido dentre os mortos. Tal foi, em linhas muito gerais, a história da vida daquele que mais profundamente influenciou a história do mundo.

 

por Israel Sarlo