3. abr, 2014

PARTE 8 - COMUNIDADES CRISTÃS NA PALESTINA

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS (continuação).

 

Vamos estudar um pouco sobre as comunidades cristãs na Palestina. Entender as "ESCOLAS" que se formaram nestas comunidades.

 


A comunidade cristã de Jerusalém parece ter crescido rapidamente. Logo passou a incluir judeus que tinham vivido na dispersão, tanto quanto naturais da Galileia, como também da Judéia e mesmo alguns dos sacerdotes hebreus.

 

 

O nome de "igreja" foi adotado muito cedo pela comunidade cristã. É bom também lembrar que esta influência, hoje judaica, nas nossas "igrejas" evangélicas se dá exatamente pelo histórico dos judeus, tanto da Galiléia como da Judéia por terem se "convertido" ao cristianismo e trouxeram todos os usos e costumes do judaísmo.

 

 

Continuando, o vocábulo "igreja" significava, provavelmente, na sua origem, pouco mais do que "reunião", usado para marcar a diferença entre a congregação daqueles que aceitavam Jesus como Messias e os seus coetâneos judeus que não o aceitavam.

 

 

O termo carregava, porém, conotações advindas do seu uso no AT (Antigo Testamento). Na Septuaginta, tinha sido empregado para significar o povo inteiro de Israel considerando como congregação divinamente convocada. Era, assim, título apropriado para o verdadeiro Israel o povo efetivo de Deus – e como tal, os primitivos cristãos de Jerusalém mantinham-se fiéis no frequentar o templo e na obediência à Lei judaica. Além disso, tinha seus próprios ofícios especiais com oração, exortação mútua e "o partir do pão", diariamente, em cassas particulares (At. 2:46).

 

 

 

O "partir do pão" servia a um duplo objetivo: era vínculo de comunhão e meio de sustento para os necessitados. A espera da volta do Senhor fazia do grupo de cristãos de Jerusalém uma congregação em expectativa. Em seu seio, o sustento dos menos favorecidos era feito mediante as ofertas dos mais privilegiados, de sorte que "tinham tudo em comum" (At. 2:44). Mas o "partir do pão" era muito mais do que isso: era uma continuação e um memorial da Última Ceia do Senhor com seus discípulos, antes de sua crucificação. Teve, por conseguinte, desde o princípio, significação sacramental.

 

 


A organização era muito simples. A liderança da congregação de Jerusalém era ocupada, a princípio, por Pedro e, em menor grau, João. Com estes, o grupo apostólico inteiro desfrutava de posição de destaque, embora se possa duvidar de que constituísse uma junta governante plenamente organizada, tal como afirmava a tradição no tempo em que o Livro de Atos foi escrito. Problemas suscitados pela distribuição de ajuda aos necessitados resultaram na nomeação de uma comissão de sete (At. 6:1-6). Embora essa comissão seja considerada a origem do diaconato, é mais provável que tenha sido o começo de um sistema de presbíteros para atender às necessidades locais das igrejas. Seja como for, ouvem-se desde logo referências aos "presbíteros" (ou "anciãos") nas igrejas fundadas por Paulo (At. 14:23).

 

 


Pode-se quase afirmar que tal sistema de organização deve algo não só ao Zekenim do judaísmo – conselho que governava cada comunidade local, interpretando a Lei e administrando as obras de caridade – mas também, aos "anciãos" das comunidades do tipo de Qumran.

 

 

O tipo de esperança messiânica de que estava impregnada a congregação de Jerusalém pareceria, à primeira vista, muito mais cru e muito menos espiritual do que Jesus tinha ensinado (At. 1:6). Era devotamente leal ao Cristo que haveria de voltar prontamente, o qual "é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas" (At. 3:21).

 

 

 

A salvação, dizia-se então, é algo que se obtém mediante o arrependimento, que inclui constrição não só pelos pecados pessoais, mas também pelo pecado nacional da rejeição de Jesus como Messias. A esse arrependimento e reconhecimento de lealdade seguia-se o batismo em nome de Cristo, como sinal de purificação e penhor de uma nova relação, sendo selado com a aprovação divina mediante a concessão de dons espirituais (At. 2: 37, 38).

 

 

 

Perceberam? Todas estes cerimônias foram trazidas pelos judeus arrependidos por não terem aceitos a Jesus. Uma forma de penalidade e então a comunidade cristã achou que precisava de rituais para aplacar a Deus (pois eles imaginavam) que se sentiu "triste por terem rejeitado seu Filho Jesus".

 

 

 

O fato de os cristãos pregarem Jesus como verdadeiro Messias e o medo da conseqüente desconsideração do ritual histórico levaram os judeus helenistas farisaicos ao ataque, de que resultou a morte do primeiro mártir cristão, Estevão, apedrejado pela multidão (Atos 7). Conseqüência imediata foi uma dispersão parcial da congregação de Jerusalém. Foi assim que a semente do cristianismos começou a ser semeada pela Judéia, Samaria e mesmo em regiões mais remotas, como Cesaréia, Damasco, Antioquia e a Ilha de Chipre.

 

 

Durante os primeiros apóstolos, o único que a saber, ao certo, desenvolveu considerável atividade missionária foi Pedro, embora a tradição atribua à todos eles participação em tal trabalho. É possível que João tenha colaborado nessa atividade, embora muito pouco se discuta hoje com respeito à história desse apóstolo.

 

 


Bem, como percebem a MISSÃO: o "IDE" foi feita e o mais importante notar que Pedro foi o único apóstolo a falar a verdade, ou melhor o EVANGELHO puro, pois na dispersão os que foram para os lugares citados, os nômades, levaram um EVANGELHO totalmente adaptado aos costumes judaicos tanto da Galiléia como da Judéia. Havia então esta infiltração por este ou por aquele motivo, o que sabemos que os judeus, como já disse, se penalizavam, e por isto, com medo, por achar que só falar o que aprenderam dos apóstolos, eles entendiam que não seria o suficiente, então agregaram à nova fé, elementos cerimoniais do judaísmo e até hoje isto se mantém e os ritos judeus são tão fortes em nossos cultos que Jesus deixou de ser quem na verdade foi e é.

 

 

"Catorze anos depois, subi novamente a Jerusalém, dessa vez com Barnabé, levando também Tito comigo. Fui para lá por causa de uma revelação e expus diante deles o evangelho que prego entre os gentios, fazendo-o, porém, em particular aos que pareciam mais influentes, para não correr ou ter corrido em vão. Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, foi obrigado a circuncidar-se, apesar de ser grego. Essa questão foi levantada porque alguns falsos irmãos infiltraram-se em nosso meio para espionar a liberdade que temos em Cristo Jesus e nos reduzir à escravidão. Não nos submetemos a eles nem por um instante, para que a verdade do evangelho permanecesse com vocês. Quanto aos que pareciam influentes — o que eram então não faz diferença para mim; Deus não julga pela aparência — tais homens influentes não me acrescentaram nada." (Gálatas 2. 1-6)

 

 

 


A próxima aula vamos continuar um pouco mais sobre este assunto. No entanto, espero que não fiquem preocupados, pois o que estamos fazendo é trazer a verdade histórica. Ainda são muito os cerimoniais nos cultos evangélicos e, a impossibilidade que se tem de fazer o povo pensar e analisar tem trazido problemas sérios aos nossos "crentes" e por falta de uso no examinar, nossas memórias ficam deficientes em relação a PALAVRA de DEUS, daí o motivo das pessoas lerem e não entenderem, por exemplo, Paulo pede em Romanos 12 que nosso CULTO seja RACIONAL, isto é, que não façamos o CULTO MECÂNICO, apenas CERIMONIAL, como é de costume. O pior que está sendo cada vez mais freqüente nossos irmãos entrarem em êxtase confundindo EMOÇÃO x RAZÃO.

 

 

por Israel Sarlo