5. abr, 2014

PARTE 10 - O CRISTIANISMO GENTÍLICO

 

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS

 

 

Neste capítulo vou iniciar um sonho antigo, embora em escala bem menor, o de fazer conhecida a essência de ATOS dos APÓSTOLOS em sua política cristã no enfrentar usos e costumes criados por tantas "ESCOLAS", filosóficas, religiosas e as políticas dos IMPÉRIOS da época. Claro que este estudo se juntará aos conhecimentos que temos tido sobre vários assuntos abordados em Atos e quem desejar mais esclarecimentos sobre estes "vários assuntos abordados em Atos" nos escrevam, pois teremos o máximo prazer em ajudar a todos.

 

 


A perseguição que deu causa ao martírio de Estevão, como dissemos no estudo PARTE 9 (anterior a este), teve também como conseqüência o fato de o cristianismo ter sido levado para além das fronteiras da Palestina.

 

 

 

Missionários cujos nomes ficaram esquecidos pregavam Cristo aos seus irmãos de raça judaica. Em Antioquia que era cidade de grande importância, notavelmente cosmopolita, verdadeira encruzilhada em que se encontravam gregos, sírios e judeus. Ali a nova fé foi pregada aos gregos. E o resultado de tal pregação constituiu no fato de o Evangelho começar a espalhar-se entre homens de cepa gentílica. (Note, não havia os Livros Biográficos que hoje em dia estão contidos na bíblia). Pregavam o que haviam entendido e claro havia doses fortes de regionalismos com seus usos e costumes, daí a necessidade do registro dos Livros mencionados, e também não esquecermos que, em termos de literatura religiosa havia a TORÁ, os Cinco Livros de Moisés e ainda com a versão SEPTUAGINTA, em grego e sua influência. Começaram a ser apelidados de "cristãos" pelo populacho. Só por volta do século II é que os próprios seguidores de Jesus começaram a aplicar essa designação a si mesmo, embora ela já antes se tivesse tornado popular entre os pagãos.

 

 

 

Antioquia não ficou sendo o ponto final do esforço de expansão dos cristãos. No ano 51 ou 52, na própria cidade de Roma, a atenção do governo, dirigido por Claudio, foi suscitada por alguns tumultos ávidos entre os judeus da cidade, como conseqüência da pregação feita por missionários cristãos desconhecidos. Neste primeiro período, porém, Antioquia foi a Cintra da expansão.

 

 

 

A conversão de homens de antecedentes pagãos viria levantar inevitavelmente o problema da relação entre esses discípulos e a Lei judaica. Se impusesse aos gentios a observância da Lei, o cristianismo não passaria de seita judaica. Isentassem os gentios dela, o cristianismo poderiam tornar-se religião universal, mas a expensas, em muito, da simpatia judaica. Mais do que a qualquer outro, cabe ao apóstolo Paulo o mérito de ter feito com que esse dilema fosse resolvido em favor da doutrina mais "liberal".

 

 


Paulo, cujo nome hebraico – Saulo – lembra o herói da tribo de Benjamim, de que era membro, nasceu na cidade de Tarso, na Cilícia, de descendência farisaica. Seu pai, porém, tinha cidadania romana.

 

 

 

Tarso era cidade, do ponto de vista cultural e, ao tempo do nascimento do apóstolo, um centro de ensino estóico. Educado num severo lar judaico, não há razão para crer que Paulo tivesse alguma vez recebido educação helênica formal. Nunca chegou a ser um helenizante, do tipo de Fílon de Alexandria. Numa cidade como Tarso, no entanto, um jovem inteligente jamais poderia deixar de absorver muitas ideias helênicas e familiarizar-se, ao menos até certo ponto, com a atmosfera política e religiosa do mundo que se expandia além dos limites do seu lar de judeu ortodoxo.

 

 

 

Foi, contudo, em contato com a tradição rabínica que ele se educou e, em idade agora desconhecida, como futuro escriba, foi estudar sob a orientação do famoso Gamaliel, o velho, em Jerusalém. É-nos impossível averiguar até que ponto Paulo chegou a conhecer o ministério de Jesus por meios outros que não os de revelados de segunda mão.

 

 

 

Paulo era extremado na sua devoção ao conceito farisaico de uma nação santificada mediante a observância minuciosa da Lei Judaica. Julgada por tal padrão, sua conduta era "sem dolo". Homem de profunda percepção espiritual, porém, mesmo enquanto fariseu veio a sentir profunda insatisfação interior com as conquistas do seu próprio caráter. A Lei não era bastante para dar um sentido de retidão interior efetiva. Era esse o seu estado de espírito ao entrar em contato com o cristianismo. Se Jesus não era verdadeiro Messias, era justo que tivesse sofrido, era justo que seus discípulos fossem perseguidos. Pudesse ele convencer-se de que Jesus era o escolhido de Deus, este passaria a ser para Paulo objeto de lealdade absoluta. Por intervenção divina, estaria então ab-rogada a lei – e fora por opor-se à interpretação farisaica dessa lei (a única interpretação que Paulo aceitava), que Jesus morreu.

 

 


As datas referentes à vida de Paulo não passam de conjecturas. É possível que a grande transformação de sua vida tenha ocorrido por volta do ano 35. Viajando para Damasco, em missão de perseguição, Paulo teve uma visão em que contemplou a Jesus exaltado, o qual o convocava para o seu serviço. Não iremos além de suposições se tentarmos decifrar qual tenha sido a natureza dessa experiência. Mas, para Paulo, não havia dúvidas quanto à sua realidade e ao seu poder transformador.

 

 

 

Ele não só se convenceu, desde então, de que Jesus era tudo o que dele dizia o cristianismo, mas, também, passou a sentir tal devoção pessoal por seu Mestre, que implicava em nada menos do que uma união espiritual. Dizia Paulo: "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl. 2:20). Foi-se o antigo legalismo, e com ele o conceito de valor da Lei.

 

 

 

Para Paulo, daquele momento em diante, a nova vida consistia em serviço consagrado ao Senhor exaltado, que era também o Cristo presente no seu íntimo. Sentia-se preso de grande intimidade com o Cristo ressurreto. Deus, o homem, o pecado e o mundo eram agora banhados em nova luz. Seu maior desejo era fazer a vontade de Cristo. Era seu tudo o que Cristo tinha conquistado. "Se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2ª Co. 5:17).

 

 

por Israel sarlo

 

SAIBA MAIS, CLIQUE AQUI