7. abr, 2014

PARTE 11 – A IGREJA CRISTÃ JUDAICA E OS GENTIOS

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS

 

Numa natureza ardente como a de Paulo, tal transformação manifestava-se imediatamente em termos de ação. Pouco se sabe do que sucedeu nos anos seguintes de sua vida. Foi primeiro para a Arábia – na nomenclatura da época, uma região não necessariamente muito ao sul de Damasco. Pregou naquela cidade. Três anos após sua conversão, visitou rapidamente Jerusalém, esteve com Pedro e com Tiago, o “irmão do Senhor”.

 

Durante anos trabalhou na Síria e na Cilícia, enfrentando perigos, sofrimentos e fraqueza física (2ª Co.11 e 12 alguns incidentes são enumerados nestes textos). Não sabemos muito a respeito das circunstâncias em que se desenvolveu seu ministério. Não poderia ter deixado de pregar aos gentios. E, com a crescente importância da congregação mista de Antioquia, era natural que fosse procurado por Barnabé, como alguém cuja opinião poderia ser útil para a resolução do problema pendente.

 

Barnabé, que tinha sido enviado de Jerusalém, trouxe de Tarso para Antioquia, provavelmente no ano 46 ou 47. Antioquia havia-se tornado ponto focal importante da atividade cristã. Em obediência à ordem divina – segundo cria a congregação antioquiana – Paulo e Barnabé daí partiram em viagem missionária que os levou a Chipre, Perga, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Foi essa assim chamada primeira viagem missionária, descrita nos capítulos 13 e 14 do livro de Atos. Ao que parece, esse foi o esforço evangelístico mais frutífero da história da Igreja. Como resultado, estabeleceu um grupo de congregações do Sul da Ásia Menor, às quais Paulo mais tarde se dirigiria pelo nome de igrejas da Galácia. Em regiões mais ao norte e ao centro da Ásia Menor, que, segundo os documentos, não foram visitadas por Paulo.

 

O crescimento da Igreja em Antioquia e o estabelecimento de congregações mistas em Chipre e na Galácia fez com que assumisse maiores dimensões o problema da relação entre os gentios e a Lei. A congregação de Antioquia era agitada por visitantes provindos de Jerusalém, que afirmavam: “Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (At. 15:1 – prestes a atenção: ‘costumes de Moisés’). Paulo resolveu servir-se de um caso concreto para chegar a um conclusão. Levando consigo a Tito, um converso gentio não circuncidado, como exemplo concreto do cristianismo não-legalista, foi com Barnabé a Jerusalém e entrevistou-se pessoalmente com os líderes da igreja.

 

O resultado dessa entrevista, de que participaram Tiago, Pedro e João, foi o reconhecimento cordial da genuinidade do trabalho de Paulo entre os gentios, e um acordo no sentido de dividir o âmbito dos trabalhos: os líderes de Jerusalém continuariam a missão entre os judeus, mantendo evidentemente a Lei, enquanto Paulo e Barnabé levariam a mensagem aos gentios, dispensando a insistência na Lei (Gl. 2:1-10). Era uma decisão honrosa para ambas as partes, mas inexequível. Quais seriam as relações entre judeus e gentios numa igreja mista? Poderiam judeus e gentios comer juntos? Esta segunda pergunta logo se levantou por ocasião de uma visita de Pedro a Antioquia (Gl. 2:11-16), e levou a uma discussão púbica na congregação de Jerusalém, provavelmente no ano 49 d.C – o assim chamado Concílio de Jerusalém – e à formação de certas regras referentes a refeição em conjunto (At. 15:6-29). Para Paulo, parecia inadmissível tudo o que não equivalesse à mais plena igualdade entre judeu e gentio. Para Pedro e Barnabé, pareciam de primordial importância os termos das refeições em comum. Paulo expôs-se a ambos, e teve de enfrentar sozinho a batalha, já que, segundo parece, a igreja de Antioquia pôs-se ao lado de Jerusalém no problema das relações à mesa.

 

Seguiram-se então os poucos anos de maior atividade missionária de Paulo, o período em que escreveu todas as suas cartas. Levando consigo a Silas, proveniente de Jerusalém, mas cidadão romano, Paulo separou de Barnabé por causa da discordância com respeito ao problema da comida e à conduta do primo de Barnabé, Marcos (At. 15:36-40). Durante uma viagem pela Galácia, juntou-se a ele Timóteo. Impedidos de trabalhar na região ocidental da Ásia Menor, Paulo e seus companheiros entraram na Macedônia, fundando igrejas em Filipos e Tessalônica. Foram recebidos com frieza em Atenas e passaram dezoito meses em Corinto, onde obtiveram grande sucesso (provavelmente entre 51 e 53).

 

Nesse ínterim, os judaizantes tinham roubado sua autoridade apostólica na Galácia. De Corinto, Paulo escreve então a essas igrejas sua grande epístola, defendendo não só o seu próprio ministério, mas também a liberdade do cristianismo em relação ás obrigações da Lei judaica. (Meu Deus, quanto estudo este assunto me lembro das tantas vezes que fui convidado a me retirar dos templos por falar a verdade. Me lembro das perseguições que professores das Escolas Dominicais faziam para que eu não ficasse com minhas classes Dominicais e quantas outras vezes fui despedido das igrejas por não está ensinando segundo seus catecismos?) Paulo passou por tudo isto e teve que sempre fugir, pois as igrejas judaizantes o perseguiram por interesses próprios e financeiros, assim como vemos ainda hoje.

 

A Carta aos Gálatas, se vocês lerem, é uma defesa do cristianismo contra o judaísmo, defesa da GRAÇA contra a Lei da religião judaica. Era a carta magna de um cristianismo universal. Escreveu também aos tessalonicenses, respondendo aos problemas que estavam enfrentando, com respeito ás perseguições e á segunda vinda de Cristo.

Havia uma confusão enorme, pois costumes, cerimônias e práticas pagãs estavam sendo misturado com o genuíno cristianismo. Até mesmo sobre ESCATOLOGIA o que queriam que evidenciasse era a do Judaísmo, por isto, não falo muito sobre Apocalipse, pois as religiões de hoje ensinam tudo de maneira pagã.

Paulo estava sozinho e sozinho teve que enfrentar todos os percalços religiosos, filosóficos e ainda a fúria do judaísmo e da política tanto de Israel como de Roma.

 

por Israel Sarlo