8. abr, 2014

PARTE 12 - CARTAS DE PAULO

  

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS

 

 

Levando Áquila e Priscila – que em Corinto tinham tornado seus companheiros de trabalho – para Éfeso, Paulo deixou-os ali e fez uma rápida visita a Jerusalém e Antioquia. De volta a Éfeso, onde o cristianismo já tinha sido estabelecido, iniciou um ministério que durou três anos (53 – 56). Apesar do sucesso que obteve. Paulo teve que enfrentar grande oposição e tais perigos, chegou a “desesperar da própria vida” (2ª Co. 1:8), sendo obrigado a fugir. Durante essa estada em Éfeso, as atribulações dos apóstolos foram por problemas de comportamento moral, lutas partidárias e conseqüente rejeição de sua autoridade em Corinto. Tais percalços levaram-no não só a escrever suas importantes epístolas aos Coríntios, mas a demorar-se por três meses na própria cidade de Corinto, após sua saída de Éfeso. Sua autoridade ali foi restaurada. Durante sua estada em Corinto escreveu a mais importante de suas cartas: a endereçada aos ROMANOS.

 


Durante todo esse tempo, Paulo jamais abandonara a esperança de que viesse a ser sanada a cisão surgida entre ele próprio e seus cristãos gentílicos de um lado, e, de outro, os membros da igreja de Jerusalém. Como oferta de gratidão pelo que os gentios deviam á comunidade que lhes servira de progenitora, Paulo recolheu uma contribuição dos seus conversos gentílicos, e, apesar dos perigos que isso acarretava, deliberou levá-la à Jerusalém. Nada se sabe a respeito da recepção que teve essa coleta e das negociações empreendidas por Paulo. Mas o apóstolo veio a ser preso em Jerusalém e foi enviado a Cesaréia, como prisioneiro do governo romano, acusado, sem dúvida, de incitar à desordem. Dois anos de prisão (57-59) não levaram a decisão alguma, já que Paulo resolvera exercer o seu direto de recursos ao tribunal imperial em Roma. Seguiu a viagem cheia de incidentes à capital do Império, ainda como prisioneiro.

 

 

Em Roma, passou a viver sob custódia durante dois anos (60 -62), parte dos quais ao menos em sua própria habitação alugada. Às suas igrejas amadas, escreveu então as cartas aos Colossenses e Filipenses e, ainda, epístolas mais breves, a Filemom e Timóteo (segunda carta). A opinião dos estudiosos ainda não é unânime com respeito, a saber, se chegou a ser solto da prisão e a fazer outras viagens. As poucas provas existentes parece negar tal hipótese. Não há razão para duvidar da tradição de que foi decapitado na Via Óstia, fora de Roma, embora a data seja incerta. A tradição vincula seu martírio à grande perseguição movida por Nero, em 64. O lugar não coincide exatamente com o do brutal ataque romano. É provável que tenha acontecido um pouco antes, vindo mais tarde a ser associado à mencionada perseguição.

 

 

Já nos referimos à batalha heróica de Paulo em favor de um cristianismo universal e não-legalista. Sua cristologia será examinada mais adiante. Pode-se dizer ter sido ele o fundador ou reformador da teologia cristã? É certo que ele mesmo repudiaria tais hipóteses. No entanto, era natural que a mensagem simples do cristianismo primitivo assumisse forma um tanto diversa ao ser apresentada por um homem intelectualmente bem treinado. Paulo introduziu na teologia cristã muitos elementos provenientes de sua cultura rabínica e experiência helênica. No entanto, sua percepção profundamente cristã levou-o a perceber o sentido da MENTE DE CRISTO em grau muito maior do que qualquer outro dos primitivos discípulos. Paulo, enquanto teólogo, muitas vezes nos apresenta uma imagem de Cristo um tanto diferente da que se vê nos Livros Biográficos. Pulo, enquanto homem cristão, porém, está plenamente de acordo com esta.

 

 

Paulo não olhava com o olho que enxerga, mas com o olho que vê, assim com o ouvir e escutar, alegria e felicidade. Paulo ensinava que todos os nossos sentidos teriam a visão, o escutar, o cheirar, o apalpar e o degustar segundo o que havia ou exista em nossa mente. Não tenho sempre dito que “mente sã, sinal de corpo são?”.

 

Paulo ensinava e ainda ensina que o cristianismo tem sua função ativa em favor do próximo no interior do homem e que a religião tem a função de adoração e inativa através dos cerimoniais no exterior do homem. Que o cristianismo tem visão para baixo, para os lados, para seu mundo real e campo de missão para a ação de salvação e que a religião tem visão para o alto, nunca para os mais próximos, mas visa um mundo irreal para o homem natural e sem espírito nenhum de missão coletiva, mas totalmente egoísta, e particular.

 

 

Paulo sofreu muito por se posicionar em favor do CRISTO e até mesmo os crentes gentios, como já escrevi, optaram para a religião cerimonial, a Lei. Até mesmo Mateus, Marcos, Lucas e João, não omitindo o EVANGELHO, mostrou muito do judaísmo e helenismo em sua fala, mas Paulo foi fiel e depois de tudo isto, graças a Deus, não destruíram suas quatorze Cartas, incluindo a dos Hebreus.

 

Um abraço a todos.

 

por Israel Sarlo.