9. abr, 2014

PARTE 13 - DESMITIFICAR A TEOLOGIA DAS RELIGIÕES

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS

 

Para Paulo, o conceito de libertação da Lei judaica difere radicalmente de todo e qualquer antinomismo que possa levar ao menosprezo da moralidade. Se é verdade que a antiga Lei tinha passado não menos verdade é que o cristão está sob “a Lei do Espírito da Vida”. Aqueles em quem o Espírito habita cogitam “sãs coisas do Espírito” e mortificam “os efeitos do corpo” (Rm. 8:2, 5, 13). É evidente que Paulo dirigia muito da catequese dos conversos no sentido da instrução moral. Apresentava uma teoria do processo de salvação que era muito característica. Os homens são, por natureza, filhos do primeiro Adão e herdeiros do seu legado de pecado (Rm. 5:12-19).

 

Por adoção (idéia tipicamente romana, Paulo usava as leis para onde endereçava suas Cartas, para tornar mais fácil a compreensão de sua fala), tornamo-nos filhos de Deus e participamos das bênçãos do segundo Adão – Cristo (Rm. 8:15-17; 1ª Co.15:45 - 46). Essas bênçãos estão intimamente vinculadas à morte e ressurreição de Cristo. Para Paulo, esses dois eventos apresentam-se como transações de significação transcendental. Sua posição está bem expressa em Gálatas 6:14: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Dupla é a razão para tal glorificação: mediante a cruz, o pecado é perdoado e a redenção efetivada (Rm. 3:24-26); nela está a fonte e o motivo da nova vida em fé e amor (Gl. 2:20).

 

Essa ênfase na morte de Cristo certamente representava algo novo. Para Paulo, a ressurreição não era menos importante. Era a prova de que Jesus é o Filho de Deus (Rm 1:4), a promessa da nossa própria ressurreição (1ª15:12-19) e a garantia da renovação da vida espiritual do homem (Rm. 6:4-11). Daí Paulo pregar a “Jesus Cristo e este crucificado” (1ª Co.2:2), ou a “Jesus e a ressurreição” (At.17:18).

 

O poder pelo qual os homens se tornam filhos do segundo Adão é dádiva voluntária de Deus através de Cristo. É uma graça absolutamente imerecida (Rm. 3:21) . É algo que Deus dá ou idéia de dar a quem lhe apraz (Rm. 9:10-24). A condição que o homem tem de cumprir, para receber a graça, é a fé (Rm. 3:25-28). “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo” (Rm. 10:9). Essa doutrina é da máxima importância, pois transforma a essência da vida cristã, não numa mera crença acerca do Cristo, nem numa justificação de caráter jurídico apenas - tal como os protestantes muitas vezes interpretam a Paulo – mas, isso sim, numa relação pessoal e vital. A designação de Jesus como “Senhor” originara-se nas igrejas gentílicas da Síria, talvez em Antioquia, e era expressão natural entre gente que, de longa data, se acostumara a aplicá-la aos objetos de sua máxima veneração. Era, portanto, um vocábulo que bem exprimia a devoção desses cristãos pelo seu novo Mestre. Para Paulo, era o clímax da sua fé.

 

Cristo é o “Senhor”; Paulo, o “servo”. Não menos necessária era a confiança na ressurreição, como prova concludente de que Cristo era Filho de Deus (Rm. 1:4).
A vida cristã é uma vida cheia do Espírito. Todas as graças, todos os dons e diretivas provêm dele. O homem que tem o Espírito é nova criatura. Vivendo no Espírito, não mais vive a vida da “carne”. Mas esse Espírito que transforma o homem e nele habita provém do próprio Cristo.

 

A relação entre Cristo e cada discípulo individualmente é de tal caráter, que a união com ele é condição necessária da vida cristã verdadeira. Da mesma forma, não menos vital é a vinculação entre Cristo e a comunidade inteira dos fiéis, isto é, a Igreja. Paulo usa o vocábulo “igreja” em dois sentidos: para designar a congregação local – Filipos, Corinto, Roma, “a igreja que está na sua casa” – e para indicar o corpo inteiro dos fiéis, o verdadeiro Israel. Nesse último sentido, a Igreja é o corpo de Cristo, do qual cada congregação local é parte (Ef. 1:22, 23; Cl. 1:18). É de Cristo que provêm todos os dirigentes e colaboradores do trabalho, todos os dons espirituais (Ev. 4:11; 1ª Co 12:4-11). É ele a fonte da vida da Igreja, e esses dons são a aprova do seu senhorio glorioso (Ef. 4:7-10).

 


Paulo, como também os primeiros discípulos, em geral, julgava próxima a vinda de Cristo e o fim da presente ordem no mundo, embora suas idéias tenham sofrido alguma modificação. Nas suas primeiras cartas, é evidente que ele cria que tal acontecimento se daria durante a sua própria vida (1ª Ts. 4:13-18). Já no fim da vida, porém, percebeu que provavelmente morreria antes da vinda do Senhor (Fp. 1:23, 24; 2ª Tm. 4:6-8). No que se refere à ressurreição, Paulo estava imbuído da máxima confiança. Idéias hebraicas e gregas, porém, entravam em choque.

 

 

O conceito hebraico de ressurreição era de uma nova vida da carne. O grego equacionava-se com a idéia da imortalidade da alma. A posição de Paulo não se mostra sempre clara. O texto de Romanos 8:11 lembra o pensamento hebraico, mas o grande trecho de 1ª Coríntios 15:35-54, o grego. Todos serão julgados (2ª Co. 5:10) e mesmo entre os salvos haverá grandes diferenças (1ª Co 3:10-15). O fim de todas as coisas era a sujeição de tudo, mesmo de Cristo, a Deus Pai (1ª Co. 15:20-28).

 

Todos estes textos trazemos a baila exatamente para desmitificar a teologia das religiões e trazer o EVANGELHO para as pessoas. Paulo, sem dúvida,  via tudo como em espelho, sombras no sentido de imediatismo, no entanto sua luz sobre as VERDADES são tão claras e objetivas que é impossível não entendermos desde que tenhamos o Espírito de Deus em nosso espírito.

 


Durante século os homens criaram sobre esta verdades suas mentiras teológicas, até mesmo Pedro afirmou que Paulo escreveu coisas difíceis de serem entendidas.
Vamos continuar com nossas aulas e vamos entrar no fim da era pós apostólica. Será que vamos encontrar fragmentos destas épocas em nossa "ESCOLA ATUAL?"

 

por Israel Sarlo.