25. abr, 2014

PARTE 23 – A IGREJA CRISTÃ SE ORGANIZA

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS



Um dos problemas mais controvertidos e difíceis da historia eclesiástica é o que diz respeito à origem e à evolução da organização da Igreja. Isso se deve ao número reduzido de provas de que dispomos. É provável que o desenvolvimento da organização tenha sido diferente nas diversas localidades. As congregações cristãs não tinham todas as instituições de forma idêntica. Por volta da metade do século II, porém, notava-se uma similaridade substancial. Já fizemos referência à constituição das congregações cristãos judaicas. Agora vamos tratar das igrejas estabelecidas em solo gentílico.

 


As igrejas gentílicas mais primitivas não dispunham de oficiais no sentido estrito. Não há qualquer referência a esse respeito nas cartas de Paulo aos Gálatas, Coríntios e Romanos. Se tais cargos existissem na igreja de Corinto, não se justificaria o fato de Paulo não mencionar seus ocupantes nas cartas a ela endereçadas. O que mais se aproximaria a essa menção é a exortação a que os coríntios se sujeitassem a homens como Estéfanas e, mesmo assim, nada dá a entender que ele ocupava algum cargo (1ª Co. 16:15, 16).

 

A alusão feita em 1ª Tessalonicenses 5:12 aos que "vos presidem no Senhor" é, na melhor das hipóteses, muito obscura. As primeiras cartas de Paulo mostram que todos os ministérios da Igreja, fossem quais fossem, eram considerados dom direto do Espírito, que inspira a cada um para o serviço à congregação (1ª Co 12:4-11, 28-30; 14:26-33). É justo concluir que tais portadores dos dons do Espírito poderiam ter sido diferentes pessoas em épocas diversas, e que muitos na Igreja poderiam igualmente tornar-se veículos da inspiração carismática. Paulo, porém, especifica três tipos de líderes como dons especiais do Espírito:


1º - APÓSTOLOS;
2º - PROFETAS e
3º - MESTRES (1ª Co. 12:28).


Ele considerava o seu próprio apostolado como carismático (Gl.1:1, 11-16; 1ª Co 14:18). Se a função do apóstolo era principalmente fundar igrejas, a do profeta e a do mestre eram proclamar e interpretar a mensagem divinamente inspirada. É impossível precisar a diferença exata entre profeta e mestre. Todos, porém, eram homens dotados de carismas. O pior dos pecados era recusar-se a ouvir o que o Espírito dizia por intermédio deles. No entanto, não há dúvida que Paulo exerceu uma efetiva supervisão missionária sobre as igrejas por ele fundadas, e fazia uso de assistentes mais jovens no desempenho de tal tarefa (Ex. Timóteo em 1ª Co 4:17; 16:10). Difícil se torna distinguir esse tipo de supervisão da que poderia exercer qualquer outro fundador.

 

 

por Israel Sarlo