29. abr, 2014

PARTE 25 – A IGREJA CRISTÃ SE ORGANIZA (II)

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS


Quando fiz meu seminário sempre fui muito interessado em história e como já disse disponho de vasto material sobre este assunto. Tenho trazido nestes comentários sobre A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS muitos destes materiais.

 


No final de nossas aulas vou trazer alguns LIVROS para que vocês tenham como fonte de pesquisa.



Segundo a interpretação dos antigos, de Jerônimo, por exemplo, os presbíteros e os bispos colegiados eram as mesmas pessoas. Os termos é que teriam sido usados indiferentemente ora para uns, ora para outros. Com isso têm concordado ultimamente os estudiosos. Essa parece ser a conclusão mais provável. A solução proposta por Edwin Hatch e desenvolvida por Harnach afirma, porém, que os presbíteros eram os membros mais velhos da congregação, dentre os quais eram escolhidos os bispos colegiados.

 

Todo bispo seria presbítero, mas nem todo presbítero seria bispo. A hipótese levanta dificuldades, especialmente, se lembrarmos que a palavra grega "presbítero" - tal como a portuguesa "ancião" - é usada, na literatura cristã antiga, tanto como sinônimo de idoso quanto como termo técnico. É sempre difícil distinguir um sentido do outro. O fato evidente, porém, é que, até depois do ano 100, as congregações de Roma, Grécia e Macedônia tinham à sua frente um grupo de bispos (ou presbíteros-bispos) colegiados, com um certo número de diáconos como assistentes. Os ocupantes de tais cargos eram escolhidos pela igreja, ou, ao menos, "com o beneplácito de toda a Igreja.

 

 

Datando da mesma época em que foram escritos os últimos documentos recém-mencionados, existem outros que apontam para a existência de um tríplice ministério, composto de um bispo único e monárquico, de presbíteros e de diáconos, em cada congregação da região. É isso o que deixa entrever 1ª Timóteo e Tito, embora o tratamento do tema seja um tanto obscuro. Seja qual for o número de elementos paulinos presentes nessas discutidíssimas cartas, os trechos que tratam o governo da Igreja indicam um estágio consideravelmente mais adiantado do que se encontra no resto da literatura paulina. Tais trechos dificilmente poderiam datar da época de Paulo. É interessante notar que as regiões a que se destinaram tais cartas eram da Ásia Menor e a adjacente Ilha de Creta. A Ásia Menor é um dos territórios em que, pela primeira vez, aparecem evidências, provenientes de outras fontes, da existência de um episcopado monárquico.

 

 

por Israel Sarlo