5. mai, 2014

PARTE 29 – GNOSTICISMO (continuação)

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS


Fortemente sincrético, o GNOSTICISMO encontrou no cristianismo muitos elementos de que podia lançar mão. A figura de Cristo, em especial, servia de centro definido e concreto para sua teoria de um conhecimento superior e salvador. Era ele o revelador do Deus supremo e perfeito, até então desconhecido dos homens.


Mediante essa iluminação, todos os homens "espirituais", capazes de recebê-la, seriam levados outra vez para o âmbito do Deus bom. Considerando que o mundo material é mau, o Cristo não podeira ter tido uma encarnação real, e os GNÓSTICOS explicavam seu aparecimento como sendo de natureza docética ou de fantasma, ou como uma habitação temporária do homem Jesus, ou como um nascimento aparente de uma virgem, sem participação na natureza material. O Deus do Antigo Testamento, criador do mundo visível, não pode ser o Deus supremo revelado por Cristo, mas sim um demiurgo inferior. Os GNÓSTICOS explicavam o fato que nem todos os cristãos possuíam o "conhecimento" salvador, dizendo que este era um ensino secreto transmitido pelos apóstolos aos seus discípulos mais íntimos, uma exposição de "sabedoria entre os perfeitos" (1ª Co 2:6). É verdade que, embora Paulo estivesse longe de ser um GNÓSTICO, muita coisa há no seu ensino de que se serviam os GNÓSTICOS. O contraste violento entre carne e espírito (Rm. 8:22-25; 1ª Co. 15:50), o conceito de Cristo como vitorioso sobre "principados e potestades" (Cl. 2:15; Ef. 6:12) que são os "dominadores deste mundo tenebroso", e a idéia de Cristo Homem do Céu (1ª Col 15:47), todas essas são idéias paulinas de que os GNÓSTICOS podiam servir-se. Para eles, Paulo fora sempre o apóstolo principal.


O GNOSTICISMO dividia-se em muitas seitas e apresentava-se em grande variedade de forma. Em todas elas o deus supremo e bom é o chefe do mundo espiritual de luz, chamado em geral de "pleroma". Fragmentos desse mundo foram aprisionados neste mundo visível de trevas e mal. Nos ultimos estágios do GNOSTICISMO, esse elemento decaído do pleroma é representado como o mais inferior de uma série de "eons" ou seres espirituais, emanações do Deus superior. Foi para resgatar essa porção decaída, os resquícios de luz presentes no mundo visível e mau, que Cristo veio trazer o verdadeiro "conhecimento". Pelo seu ensino, os que estão capacitados para recebê-lo são restaurados ao pleroma. São poucos os que se encontram em tal situação.

 

 

Em geral, as seitas GNÓSTICAS dividiam os homens em grupos: os "espirituais", capazes de salvação, de um lado, e os "materiais", que não podiam receber a mensagem. Posteriormente, o GNOSTICISMO, notadamente a escola de Valentino, falava numa tríplice divisão:
1ª - OS "ESPIRITUAIS"; os únicos capazes de atingir o "conhecimento;
2ª - OS "PSÍQUICOS", capazes de fé e de um certo grau de salvação e
3ª - OS "MATERIAIS", totalmente sem esperança.

 

Continuaremos esse assunto na proxima aula.

 

por Israel Sarlo