22. mai, 2014

PARTE 36 – A IGREJA CATÓLICA (continuação...)

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS

 

 

De tempos a tempos, acrescentavam-se frases adicionais a essas perguntas, como defesa contra as heresias da época. Aos poucos, esses credos em forma interrogativa foram cedendo lugar aos de forma declaratória, que começavam com a frase familiar: "Creio". Esta originou-se na instrução anterior ao batismo, quando o credo era aprendido de cor. A partir do século V, com o declínio do batismo de adultos, as cerimônias catequéticas vieram a fundir-se com o próprio ofício do batismo, e os credos declaratórios acabaram por tomar o lugar dos interrogativos. Além disso, o uso dos credos como provas de ortodoxia, feito pelos concílios como o de Necéia, em 325.

 

 

Emprestaram importância maior ao tipo declaratório. O Credo Apostólico, que nos é tão familiar remonta à antiga forma interrogativa romana. Em linhas gerais, a forma que tem agora data de 400, aproximadamente, embora as frases finais só venham a aparecer de documentos que datam do século VIII.

 


Foi também na segunda metade do século II que se desenvolveu o cânon de livros do NT. Desde o começo, o Antigo Testamento e as cartas de Paulo eram, sem dúvida alguma, tidos em alto contra, maus a princípio não se lhes atribuía autoridade escriturística. Embora cite constantemente o AT como pronunciamentos de Deus, Clemente em Roma (93-97) usava as palavras do Novo Testamento de modo muito livre, em parte alguma dando a entender que as considerava divinas. O assim chamado Barnabé, por volta de 131, foi o primeiro a designar uma passagem dos Livros Biográficos como Escrituras. Policarpo, entre 110-117, aproximadamente, foi o primeiro a fazer o mesmo com uma citação extraída de Paulo (Fp. 2:4). É bem possível, porém, que esses autores imaginavam estar citando trechos do AT.

 

 

É no sermão de século II chamado II Clemente, que se encontra o primeiro exemplo claro da designação de "Escrituras", em pé de igualdade com a SEPTUAGINTA, aplicada a escritos apostólicos. Ao tempo de Justino (153) os Livros Biográficos eram lidos nos ofícios da Igreja romana, junto com as profecias do AT. O processo pelo qual os escritos do NT vieram a adquirir autoridade escriturística parece ter sido o de caráter analógico. O AT era por todos considerado divinamente autorizado.

 

 

Os cristãos não poderiam pensar de modo diferente com relação aos seus próprios livros fundamentais. Subsistia, porém, o problema de saber quais eram os escritos canônicos. Obras como as de Hermes e Barnabé eram lidas nas igrejas. Era necessário elaborar uma lista oficial. Marcião fez isso para o seu grupo de seguidores. Lista semelhante foi aos poucos sendo formulada, provavelmente em Roma, pela facção caótica. Ao que parece, os primeiros a serem totalmente reconhecidos foram os Livros Biográficos, seguidos das cartas de Paulo Segundo o fraguamento Muratoriano, por volta do ano 200, o cristianismo ocidental disponha de um cânon do NT, que compreendia:


MATEUS;
MARCOS;
LUCAS;
JOÃO;
ATOS;
I e II CORÍNTIOS;
EFÉSIOS;
FILIPENSES;
COLOSSENSES;
GÁLATAS;
I e II TESSALONICENSES;
ROMANO;
FILEMOM;
TITO;
I e II TIMÓTEO;
JUDAS;
I e II JOÃO e
APOCALIPSE e o assim chamado APOCALIPSE DE PEDRO. No Oriente, o desenvolvimento do cânon não foi tão rápido. Alguns livros, como Hebreus e Apocalipse, foram centro de discussão. O cânon só chegou a ter a forma que hoje apresenta por volta do ano 400, no Ocidente, e no Oriente, ainda mais tarde.

 

Continuação na próxima aula...

 

 

por Israel Sarlo