7. jun, 2014

PARTE 45 – CRISTIANISMO NO OCIDENTE

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS.

 

VITÓRIA DA CRISTOLOGIA DO LOGOS - A Cristologia do Logos não era totalmente aceita com simpatia pelo comum dos féis, embora a Igreja, por meio dela, estivesse sendo bem sucedida no combate ao gnosticismo, e a essa ESCOLA DE PENSAMENTO CRISTOLÓGICO tivessem pertencido homens de grande influência na formação da teologia cristã, tais como o autor do chamado quarto Evangelho, Justino, Irineu e Tertuliano. Hermes expos uma cristologia adocionista em Roma, já em 140. O Credo dos Apóstolos não faz referência alguma à doutrina do Logos. Referindo-se aos seus próprios dias (213-218), diz Tertuliano: "Os simples - não os chamaria de ignorantes ou incultos - os quais sempre constituem a maioria dos fiéis, mostram-se perplexos diante da dispensação dos Três em Um, alegando que a sua própria regra de fé os afasta da pluralidade de deuses existentes no mundo e os leva ao único Deus verdadeiro".

 

Era-lhes difícil perceber a distinção entre a idéia trinitária e as afirmações triteístas. A última década do século II e a primeira do século III, portanto, constituíram período importante na discussão cristológica, notadamente em Roma, onde o assunto era pendente.

 

Até certo ponto, a nova discussão cristológica parece ter sido resultado indireto do montanismo. O movimento deu grande realce ao quarto Evangelho, proclamando-se o início da dispensação do Espírito, prometida naquele Livro. Alguns adversários do montanismo na Ásia Menor, ao reagirem contra sua doutrina, chegaram ao ponto de rejeitar o quarto Evangelho e sua doutrina do Logos. Poucos pormenores se conhecem a respeito desses "ALÓGOI", como, escrevendo muito mais tarde, os chama Epifânio (?-403), mas alguns dos adversários da cristologia do Logos, que agora começavam a ganhar evidência, foram, ao que parece, influenciados por eles. A esses adversários dá-se em geral a designação de "monarquianos", termo inventado por Tertuliano, pois afirmavam a unidade de Deus.

 

Dividiam-se em dois grupos muito distintos: os que afirmavam que Jesus era Filho de Deus por adoção, chamados de "monarquianos dinâmicos", e os que diziam que Cristo não passava de uma forma temporária de manifestação do Deus único, conhecidos como "monarquianos modalistas". Assim, tomando em consideração os propugnadores da idéia do Logos, três eram as ESCOLAS DE PENSAMENTOS CRISTOLÓGICO em luta, em Roma, no começo do século III.

 

Israel Sarlo