12. jun, 2014

PARTE 49 – HIPÓLITO

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS.

 

O grande defensor da cristologia do Logos nessa época, em Roma foi Hipólito (170?-235 aproximadamente), o mais erudito dos escritores cristãos então existentes na cidade, e o último teólogo de porte a servir-se do grego, e não do latim, para escrever sua obra.

 

Como comentarista, cronista, calculista da data da Páscoa, apologista e adversário da heresia, era tido em tão alta conta que, após a sua morte, seus seguidores erigiram em sua homenagem a primeira estátua cristã de que se tem notícia. Combateu vigorosamente os monarquianos de ambas as escolas.

 

Em Roma, a luta torou-se violenta. O bispo Zeferino (198-217) não sabia bem que atitude tomar, embora se inclinasse para o lado dos monarquianos. Após a sua morte e, o cargo passou a ser ocupado por Calixto (217-222), o bispo mais enérgico e categórico de todos os que até então ocuparam o episcopado romano. Nascido escravo, chegou a ser bem sucedido como banqueiro, e por algum tempo sofreu nas minas da Sardenha por causa de sua fé cristã. Veio a exercer grande influência sobre Zeferino e, ao assumir o episcopado, promulgou certos regulamentos a respeito da readmissão à Igreja dos que se penitenciassem de pecados de licenciosidade, regulamentos esses que contêm pretensões eclesiásticas superiores às de qualquer outros bispos de Roma até então.

 

Calixto percebeu que as discussões estavam prejudicando a Igreja Romana. Por isso, excomungou Sabélio (cerca de 217) e acusou Hipólito de ser adorador de dois deuses. Por causa disso e de problemas referentes à disciplina, Hipólito rompeu então com Calixto e se tornou chefe de uma congregação rival em Roma - um dos primeiros "antipapas" - posto que ocupou até seu desterro, na perseguição de 235.

 

Israel Sarlo