16. jun, 2014

PARTE 50 – CALIXTO

 

A BÍBLIA E SUAS ESCOLAS RELIGIOSAS E FILOSÓFICAS.

 

Calixto procurou uma formula conciliatória, em meio a essa confusão cristológica. Pai, Filho e Logos, afirmava ele, são nomes do "espírito único e indivisível". No entanto, Filho é designação própria daquele que era visível, Jesus, ao passo que o Pai é o espírito que nela habitava. Essa presença do Pai em Jesus é o Logos.

 

Calixto asseverava claramente que o Pai não podreceu na cruz, mas sofreu com os sofrimentos do Filho, Jesus. No entanto, o Pai, "depois de tomar sobre si a nossa carne, elevou-a `natureza de divindade, mediante a união dela consigo, e a fez uma, de forma tal que Pai e Filho devem ser considerados um só em Deus". É óbvio que essa formação está longe de ser lógica, ou clara. Não se pode culpar a Hipólito ou Sabélio de não querer aceitá-la. Contudo, era uma fórmula conciliatória que reconhecia um Logos preexistente em Cristo, apesar de identificar o Logos com o Pai.

 

Insistia na identidade existente entre Deus e aquilo que habitava em Jesus. Postulava ainda um Jesus humano, elevado à categoria de divindade pelo Pai e unificado com ele, demonstrando assim uma distinção real entre Pai e Filho, embora negasse em palavras a existência de tal diferença. Essa fórmula conciliatória obteve a adesão da maioria dos de Roma e preparou o caminho para a vitória definitiva da cristologia do Logos naquela cidade. Essa vitória foi determinada pela exposição clara dessa cristologia escrita, no momento decisivo da discussão (213-218), por Tertuliano de Cartago, no Contra Práxeas. Nesta obra, Tertuliano oferece definições claras de uma Trindade em três pessoas e da distinção entre os elementos divinos e humanos em Cristo.

 

Israel Sarlo