6. jul, 2014

PARTE 55 – ESCOLA DE ALEXANDRIA (4ª aula)

 

Demétrio e Orígenes

 

 

Seu trabalho em Alexandria voltou a ser interrompido por uma viagem à Grécia e à Palestina, em 230 ou 231. Era ainda leigo, mas foi ordenado presbítero em Cesareia, por bispos palestinenses amigos, provavelmente para que pudesse pregar livremente. Naturalmente o Bispo Demétrio considerou a ordenanção de um leigo de Alexandria uma interferência na sua jurisdição, e seu remetimento foi possivelmente aumentado pelo ciúme que nutria em relação ao famoso mestre. Seja como for, Demétrio convocou sínodos que expulsaram Orígenes de Alexandria e, na medida de suas possibilidades, depuseram-no do ministério. Seus amigos de Cesareia cercaram-lhe com a possibilidade de ali radicar-se. Reencetou seus infatigáveis estudos e seu ensino, pregando frequentemente. Fez outra viagem. Estava cercado de amigos que o tinham em alta conta. Esse período de tranquilidade cessou com o advento da grande perseguição de Décio, em 250. Preso e torturado, veio a morrer ou em Cesareia, ou em Tiro, provavelmente em 251 (254?) em consequência das crueldades porque passou. Não houve na história da Igreja antiga homem de espírito mais puro, ou mais nobres propósitos.

 


Orígenes foi homem de erudição variegada. O campo de estudos a que deu mais atenção foi o da crítica textual e exegese bíblicas. Sujas obras principais nesse sentido foram a monumental Hexapla, com o texto hebraico do AT e quatro traduções gregas paralelas, e uma longa série de comentários e notas mais breves a respeito de quase todas as Escrituras. Foi a obra mais importante até então feita por um estudiosos cristão. No âmbito da teologia, o seu De Principiis, escrito antes de 231, não só foi a primeira grande apresentação sistemática do cristianismo, mas também forneceu as idéias e os métodos que desde então passaram a dominar o desenvolvimento dogmático grego. Seu Contra Celso, escrito, entre 246 e 248, em resposta à crítica mais hábil produzida pelo paganismo contra o cristianismo, a do platonista Celso (cerca de 177), foi a defesa mais profunda e convincente da fé cristã que o mundo antigo produziu, à altura, aliás, da importância da controvérsia. Além de produzir essas obras monumentais, Orígenes encontrou tempo para discutir temas cristãos de caráter prático, tais como a oração e o martírio, e para preparar inúmeros sermões. Foi, sem dúvida alguma, uma vida de atividade incansável.

 

Israel Sarlo

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