12. jul, 2014

PARTE 59 - A ESTRUTURA TEOLÓGICA DE ORÍGENES

A estrutura teológica de Orígenes é o maior feito intelectual da Igreja antenicena. Exerceu profunda influência sobre todo o pensamento oriental posterior. Vê-se, porém, como era possível encontrar nessa teologia argumentos que pudessem ser usados por qualquer uma das facções em choque nas lutas cristológicas posteriores. Compreende-se também porque, à luz da ortodoxia rígida das épocas seguintes, Orígenes veio a ser considerado herético e teve suas idéias condenadas por um sínodo reunido em Alexandria em 399 ou 400, pelo Imperador Justiniano em 534, e pelo quinto concílio geral em 553. Sua obra destinava-se evidentemente aos eruditos e não aos cristãos comuns. Porque sua ciência não era a nossa, ela não parece estranha. Conseguiu, porém, dar ao cristianismo plena categoria científica na sua época.

 

Em particular, os ensinos de Clemente e Orígenes favoreceram grandemente o domÍno da cristologia do Logos no Oriente, apesar de o sabelianismo ali se haver difundido, e a cristologia adocionista ser representada de modo brilhante pelo bispo de Antioquia, Paulo de Samósata, até ano 272.

 

Não deixou de haver quem criticasse seriamente o pensamento de Orígenes no século em que viveu. No ponto de vista teológico, o mais importante desses críticos foi Metódio, bispo de Olimpo, na Lícia, que morreu por volta de 311. Baseando-se na tradição da Ásia Menor, Metódio rejeitou as idéias da preexistência da alma e do encarceramento neste mundo, propostas por Orígenes, e afirmou a ressurreição do corpo. Sua capacidade intelectual, porém, não era comparável com o deste último.

 

Aqui findamos com Orígenes e iniciaremos depois com a IGREJA E ESTADO ENTRE 180 e 260.

 

Israel Sarlo

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