22. jul, 2014

PARTE 60 - A IGREJA E ESTADO EM 180 - 260 dC.

 

 

Em geral, data-se o início do declínio visível do IMPÉRIO ROMANO da morte de Marco Aurélio (180), embora suas causas venham de mais longe. A população diminuía. O comércio e a indústria eram entravados por pesada taxação. A direção da coisa pública, pouco a pouco escapou das mãos das classes mais cultas. O exército era em grande parte recrutado dentre os habitantes das províncias mais longínquas do império, e até de tribos de fora de suas fronteiras. Desde a morte de Cômodo (192), era ele quem escolhia os imperadores, os quais, via de regra, estavam longe de ser representantes do tipo superior de cultura greco-romana, como o haviam sido os Antoninos. A máquina administrativa do império tornara-se cada vez menos eficiente e a defesa das fronteiras, inadequada. Do ponto de vista militar, as condições passaram de mal a pior até o tempo de Aureliano (270 - 275), e não chegaram a melhor de modo definitivo a´te a época de Diocleciano (284 - 205). Em outros aspectos, o declínio continuava ininterrupto. No entanto, este foi um período de crescente sentido de unidade popular no império. Diluíam-se as barreiras de separação entre as raças. Em 212, Caracala estendeu a cidadania romana, por motivos não de todo desinteressados, a todos os habitantes livres do império. Acima de tudo, de ponto de vista religioso, o fim do século II e o século III inteiro foram uma era de sincretismo, um período de aprofundamento do sentimento religioso, durante o qual as religiões de mistério do Oriente, tal como o cristianismo também, aumentaram rapidamente o número de seus aderentes.

 

Israel Sarlo

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