24. jul, 2014

PARTE 61 - RELAÇÕES ENTRE IGREJA E O ESTADO

O crescimento da Igreja nessa época foi extensivo, tanto quanto intensivo. Até o fim do século II, foi pouco além dos de língua grega. No começo do século seguinte, já avançava rapidamente em terras de língua latina, na áfrica do Norte e, embora mais lentamente, na Espanha e na Gália, encaminhando-se em direção à Bretanha, se é que já não a atingiu. No Egito, o cristianismo começava a penetrar em meio à população nativa, e em 190 já fazia notar sua presença em Edessa, de língua siríaca.

 

Entre as classes mais altas da sociedade, a Igreja agora conquistava maior penetração do que antes. Começava a ser compreendida. Embora Tertuliano indique que as velhas acusações populares de canibalismo e imoralidade ainda eram assacadas à Igreja em 197, à medida que se escoava no século III elas parecem ter diminuído sensivelmente, sem dúvida graças à compreensão cada vez maior a respeito do verdadeiro sentido do cristianismos.

 

As relações entre o Estado e a Igreja, no período que vai de 180 a 260, variam muito, dependendo da vontade dos diversos imperadores. De modo geral, porém, foram tais que não chegaram a obstar, antes fomentaram, o crescimento da Igreja até a última década desse período. Do ponto de vista prático, foi consideravelmente tolerado durante a maior parte desse tempo. A perseguição iniciada com Marcos Aurélio continuou até o reinado de Cômodo. Este, porém, logo deixou de preocupar-se com a Igreja, como, aliás, fazia com tudo o que não dissesse respeito aos seus próprios prazeres. Esse período de tranquilidade continuou até o reinado de Sétimo Severo (193-211), sendo somente interrompido, em 202, por uma perseguição razoavelmente severa, especialmente em Cartago e no Egito. Com Caracala (211-217), a perseguição voltou a varrer a África do Norte. Heliogabalo (218-222), devoto fervoroso do culto do sol, inclinava-se a um tupo de sincretismo que não era abertamente hostil ao cristianismo.

 

Alexandre Severo (222-235) era manifestante favorável a ele. Sincretista, disposto a unir várias religiões, colocou um busto de Cristo em sua capela particular, ao lado de imagens de líderes de utras crenças.. Sua mãe Júlia Manéia, cuja influência constante ele sofria, assistia às conferência pronunciadas por Orígenes. Chegou até a decidir em favor dos cristãos uma disputa sobre se um imóvel situada em Roma podia ser usado pelos cristãos que o reivindicavam, obviamente para fazer de um lugar de culto, ou por seus oponentes, como restaurante.

 

Maximinio (235-238) mudou a política em relação aos cristãos, contra quem promulgou um edito que, embora não aplicado em larga escala, levou tanto o bispo católico Ponciano, como seu rival cismático, Hipólito, à cruel escravidão nas minas, onde logo depois vieram a morrer. Na região oriental da Ásia Menor e na Palestina, essa perseguição foi mais severa. Sob o governo de Gordiano (238-244), e até quase o fim do de Filipe, o Árabe (244-249), a Igreja viveu em paz. Não se pode culpar Filipe de ter suscitado nova onde de perseguições. Corria, aliás, o boato de que esse imperador se tinha convertido secretamente ao cristianismo.

 

Orígenes, escrevendo em 246 e 248, atesta que o número de mártires durante essa perseguirão não odu grande, e os ataques à Igreja eram mais de natureza local, embora às vezes de considerável extinção. Embora os cristãos estivessem privados de qualquer proteção legal, o comum dos fiéis certamente imaginava que as condições de vida da Igreja se aproximavam praticamente de segurança.

 

Israel Sarlo

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