16. ago, 2014

PARTE 67 - A HIERARQUIA

Bispos, presbíteros e diáconos constituíram as ordens maiores. Inferiores a estas haviam, na primeira metade do século III, as ordens menores. Diante da ausência generalizada de informações estatísticas a respeito da igreja primitiva, uma carta escrita pelo Bispo Cornélio, de Roma, por volta de 251, é de valor inestimável, pois nos supre de dados referentes a essa importante igreja.

 

Sob a direção de um único bispo, havia em Roma 46 presbíteros e 7 diáconos. Subordinados a essas três ordens e construindo o que logo viria a ser conhecido como ordens menores, havia 7 subdiáconos, 42 acólitos e 52 exorcistas, leitores e ostiários. Mas de 1.500 dependentes eram sustentados pela Igreja, que contraria com possivelmente 30 mil membros. Alguns desses cargos eram de origem amiguíssima. Os leitores e exorcistas foram originalmente considerados carismáticos.

 

No Oriente, os exorcistas continuaram a ser assim considerados e não eram propriamente oficiais. Ao tempo de Cipriano, o ofício de leitor era encarado como estágio preparatório ao de presbítero. A tarefa do exorcista era expulsar os maus espíritos, em cuja ação se cria veemente então.

 

Pouco se sabe a respeito das atribuições dos acólitos, exceto que assistiam ao serviço e no trabalho de ampara aos necessitados. Eram desconhecidos no Oriente. Os ostiários eram especialmente importantes, dada a adoção do costume de só admitir batizados à partes mais importantes da liturgia. No Oriente ao contrário do Ocidente, existiam diaconisas, que eram, em certo sentido, consideradas membros do clero. Sua origem era provavelmente carismática e antiqüíssima (Rm. 13:1). Ao seu cargo estava o cuidado das mulheres, especialmente as doentes. Além dessas diaconisas, encontrava-se nas igrejas, tanto do Oriente quanto do Ocidente, uma classe de mulheres conhecidas como "viúvas", cuja origem era igualmente antiga (1ª Tm. 5:9, 10). Seus deveres compreendiam a oração e o cuidado com os doentes, especialmente os de seu próprio sexo. Eram tidas em alta conta, embora não consideradas propriamente integrante do "clero". Todos esses oficiais eram sustentados, total ou parcialmente, pelas ofertas da congregação, que eram de grande monte, consistindo em gêneros e dinheiro. Ao tempo de Cipriano essas ofertas eram consideradas "dízimos" e estavam à disposição do bispo. Por volta da metade do século III, esperava-se que o alto clero dedicasse seu tempo integramente ao ministério. No entanto, mesmo alguns bispos, não raro, tenham parte em negócios seculares, nem sempre, aliás, de boa reputação. Permitia-se o baixo clero se ocupasse com trabalhos seculares.

 

É evidente, no entanto, que, embora ocasionalmente lembrada a doutrina do sacerdócio de todos os fiéis tinha valor puramente teórico. Na vida cristã prática, pela metade do século II, o clero formava uma categoria espiritual distinta, de quem os leitos dependiam do ponto de vista religioso e que, por sua vez, era sustentada pelas ofertas dos leigos.

 

Em nossas próximas aulas vamos entender sobre CULTO PÚBLICO.

 

Israel Sarlo

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