5. set, 2014

PARTE 69 - A INSTRUÇÃO

Cada vez mais a Igreja passava a ser encarada como possuidora de mistérios vivificadores, sob a superintendência e dispensação do clero. Os catecúmenos eram preparados para a iniciação por meio de instrução. Tal prepração, existente em maior ou menor grau desde o tempo dos apóstolos, era agora sistematizada.

 

Orígenes ensinou numa escola já célebre, em Alexandria, em 203. Cipriano informa que em Cartago, por volta de 250, a instrução estava sob a responsabilidade de um oficial designado pelo bispo. A instrução seguia-se o grande rito de iniciação, o batismo, que concedia admissão ao sacrifício propiciatório do mistério vivificador da Ceio do Senhor. Como no tempo de Justino, os outros elementos do ato de adoração eram: leitura da Escritura, pregação, orações e hinos. A estes, quaisquer visitantes bem intencionados poderiam ter acesso.

 

Por analogia com as religiões de mistério, só os iniciados, ou os que estivessem prestes a sê-lo, podiam presenciar o batismo, ou a Ceia do Senhor. Como resultado disso, os mais sagrados elementos do culto. É impossível dizer, ao certo, se já no século III havia surgido o costume de considerar esses sacramentos como uma disciplina secreta, na qual pela primeira vez se comunicava aos batizados as palavaras exatas do credo e da oração dominical, e da qual não se devia fazer menção aos profanos. Esses costumes estavam muito disseminados nos séculos IV e V. Já no século III notava-se a ação das forças que conduziriam a tais práticas.

 

 

Israel Sarlo

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