16. set, 2014

PARTE 71 - COSTUMES: Batismo

A instituição do batismo é mais antiga do que o cristianismo. Foi dele que João, o "Precursor", teve seu nome. João batizou a Jesus. Tanto seus discípulos como os de Jesus batizavam, embora o próprio Cristo não batizava (João 3:22; 4:1, 2).

 

A origem do rito é incerta. Tratava-se provavelmente de uma espirutualização das antigas purificações levíticas. Preceitos judaicos que remontam, provavelmente, à época do próprio Cristo, exigiam que os prosélitos admitidos à fé hebraica fossem não só circuncidados, mas também, batizados. Ademais, certas comunidades, tais como a dos essênios e a de Qunran, observavam ritos lustrais vários.

 

Parece provável que João Batista tenha derivado o seu rito das práticas contemporâneas, influenciado, talvez, pelo uso dessas comunidades e entendendo que, diante do julgamento iminente, tanto o prosélito como o judeu devessem ser purificados. João, no entanto, atribuiu o batismo sentido especial, simbolizando a submisisão ao rio de fogo por meio do qual Deus haveria de purgar e redimir o mundo. Tratava-se, além disso, de um sinal muito apropriado da purificação espirutal que se seguia ao arrependimento por ele pregado.

 

Havia, nas religiões de mistério, ritos similares. No entanto, tão genuinamente judaico era o cristianismo primitivo, dentro de cujo contexto surgiu o batisimo, que é impossíve conceber-se que a origem desta tenha sido condicionada pela existência de tais ritos, muito embora eles tenham posteriormente influenciado o desenvolvimento do batismo em solo gentílico.

 

Pedro refere-se ao batismo como o rito de admissão à Igreja e à recepção do Espírito Santo (At. 2:38 e 2:41; 1ª Co. 12:13). Continuou a ser sacramento da admissão até as divisões da Igreja surgidas nos dias posteriores à Reforma, e ainda o é para a vasta maioria dos cristãos até os dias de hoje.

 

Para Paulo, o batismo não era mero símbolo de purificação do pecado (1ª Co 6:11), porém, mais do que isso, acarretava uma nova relação com Cristo (Gl. 3:26, 27) e a participação na sua morte e ressurreição (Rm 6:12). Embora, ao que parece, Paulo não considerasse o batismo abasolutamente necessário à salvação (1ª Co. 1:14-17), seu conceito aproximava-se da noção de iniciação esposada pelas religiões de mistério. Seus conversos em Corinto, pelo menos, tinham uma concepção quase mágica do rito, deixando-se batizar em lugar de seus amigos já falecidos, afim de que os benefícios do rito lançassem a estes (1ª Co. 15:19).

 

Logo o batismo passou a ser considerado indispensável. O autor do quarto Livro Biográfico - João, atribui a Cristo as seguintes palavras: "Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus" (Jo. 3:5). No apêndice do Livro de Marcos, o Cristo ressurreto declara: "Quem crer e for batizado será salvo" (Mc. 16:16). Essa convicção tornou-se cada vez mais profunda.

 

Para Hermes (100-140), o batismo é o próprio fundamento da Igreja, a qual está edificada "sobre as águas". Mesmo para Justino (153), com todo o seu pendor filosófico, o batismo efetua "a regeneração" e "a iluminação". Na opinião de Tertuliano, ele transmite a própria vida eterna.

 

Israel Sarlo

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