24. set, 2014

PARTE 73 - Continuação sobre Batismo

É fortemente provável que, até a metade do século II, só fossem batizadas pessoas que tivessem chegado à idade da discrição. A primeira menção - aliás, obscura - ao batismo de crianças datada 185, de autoria de Irineu. Tertuliano faz referência clara a essa prática. Recua-se, porém, a sancioná-la, já que o batismo é um passo de tal seriedade, que convém adiá-lo ate à época em que estivesse formada a personalidade.

 

Chegava mesmo à duvidar da conveniência de administrar o batismo aos que ainda não se tivesse casado. Homens menos zelosos que Tertuliano iam ao extremo de afirmar que não era prudente lançar mão de tão grande instrumento de perdão, antes de que tivesse praticamente completado a lista de pecados individuais.

 

Exemplo notável - e nada excepcional - foi o Imperador Constantino, que adiou o seu próprio batismo até à hora da morte. Segundo Orígenes, o batismo de crianças era um costume apostólico (Rm. 5). Cipriano era favorável a que fosse administrado tão cedo quanto possível. Não dispomos de indicações a respeito da razão pela qual surgiu o costume do batismo infantil. Cipriano argumenta em seu favor tomando como ponto de partida a doutrina do pecado original. A opinião mais generalizada entre os antigos, no entanto, parece ter sido a da inocência da criança.

 

Explicações mais prováveis são as idéias de que fora da Igreja não há salvação, e as palavras atribuídas a Cristo em João 3:5. Os pais cristãos não queriam que seus filhos deixassem de entra no reino de Deus. Foi só no século VI, entretanto, que o batismo de crianças se tornou universal. Até então prevaleceu a idéia, já manifesta por Tertuliano, de que um sacramento dotado de tais poderes purificadores não devia ser usado levianamente.

 

(vide lição anterior - clique aqui)

 

Israel Sarlo

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