5. nov, 2014

PARTE 80 - PERDÃO DE PECADOS.

No cristianismo primitivo predominava a idéia de que "se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar nossos pecados" (1ª Jo. 1:9). Havia, porém, pecados tão graves que não podiam ser perdoados: eram "pecados para morte" (1ª Jo 5:16). Não nos é possível precisar exatamente em que consistia esse pecado imperdoável.

 

Os Livros Biográficos mostram, no entanto, que, em primeiro lugar, significava atribuir ao demônio, e não ao Espírito de Deus, as obras portentosas de Jesus (Mc. 3:28, 29), e, em segundo lugar, a recusa de confessar a Jesus em meio às perseguições e a seguir as indicações do Espírito, no momento de enfrentar os tribunais (Lc.12:10). O Didaquê ampliou esse sentido, dizendo: "A todo profeta que fale no Espírito, não o tentes nem o ponhais à prova. Porque todo pecado será perdoado, mas este pecado não sera perdoado".

 

Posteriormente surgiu a idéia generalizada de que os pecados imperdoáveis eram a idolatria, ou negação da fé o assassínio e a licenciosidade. Destes, o primeiro era particularmente irreparável. Em todo o N.T., não encontramos denúncia mais severa do que a pronunciada pelo autor da carta aos Hebreus em relação ao que "de novo estão crucificando para si mesmo o Filho de Deus" (6:4-8; 10:26-31). Para Tertuliano, eram sete os "pecados mortais":
1º - IDIOLATRIA;
2º - BLASFÊMIA;
3º - ASSASSÍNIO;
4º - ADULTÉRIO;
5º - FORNICAÇÃO;
6º - FALSO TESTEMUNHO e
7º - FRAUDE.

 

Embora, ao tempo de Hermes (100-140), o batismo fosse considerado meio de purificação de todos os pecados anteriores, os que fossem cometidos depois dele, dentre os acima classificados, eram "mortais". Notava-se, porém, a tendência no sentido de amenizar essa rigidez. A mensagem presente na revelação especial de Hermes era a de que, por exceção, em vista do fim iminente do mundo havia sido concedida mais uma oportunidade de arrependimento após o batismo. Essa concessão era extensiva ao adultério e a algumas formas de apostasia. De forma semelhante, Irineu narra a reconversão de uma mulher adúltera, "que passou sua vida toda no exercício da confissão pública".

 

Tertuliano dá muita ênfase à idéia de uma única oportunidade de arrependimento após o batismo, mas parece aplicá-la, não aos pecados mortais de apostasia, adultério e assassínio, mas ao menos sério, tais como as negações ambíguas, a blasfêmia e a frequência aos espetáculos de gladiadores. De qualquer forma, no seu tratado Sobre a Pudicícia (19) afirma claramente que os três pecados cardeais não estão, como nunca estiveram, sujeito ao recurso do segundo arrependimento. Há, no entanto, entre outros autores, exemplos suficientes a indicar que vários tipos de pecados sérios eram perdoados na Igreja. Não existia unanimidade de opinião, particularmente no que dizia respeito ao adultério.

 

 

Israel Sarlo

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