11. nov, 2014

PARTE 81 - PERDÃO DOS PECADOS (continuação)

O segundo arrependimento implicava uma confissão pública humilhante, a "exomologeses", "alimentar-se com orações durante o jejum, gemer, chorar e clamar ao Senhor teu Deus, inclinar-se aos pés dos presbíteros e ajoelhar-se diante dos amados de Deus". A prática não era talvez tão rigorosa como dá a entender Tertuliano.

 

Inevitavelmente, levantou-se o problema de saber quando o pecador tinha feito o suficiente para ser restaurado. Muito cedo surgiu a idéia de que o poder de absolvição havia sido conferido por Deus à congregação (Mt. 8:15-18), Cria-se também que essa autoridade foi confiada diretamente a Pedro e, por conseguinte, aos oficiais da Igreja, quando estes vieram a surgir (Mt. 16:18, 19).

 

Curioso é verificar, no entanto, a duplicidade de costumes a esse respeito. Os que estavam por ser mártires e confessores, isto é, os que sofriam torturas ou prisão por causa de sua fé, eram também considerados autorizados a pronunciar a absolvição, porque estavam cheios do Espirito. Essa dúplice autoridade foi causa de muitos abusos. Muitos dos confessores não eram bastantes rígidos. Cipriano foi um dos que maus particularmente tiveram de se haver com esse problema. Os bispos tentaram, evidentemente, reprimir esse direito concedido aos confessores. Até o fim da era das perseguições, porém, ele era tido como certo pela opinião popular. A idéia da absolvição acabou por ressuscitar o problema de uma escala de penitências, do padrão que permitisse decidir quando se tinha feito o bastante para justificar o perdão. Isso só se deu após o ano 300, fora, portanto, dos limites do período de que ora nos ocupamos.

 

 

Israel Sarlo 

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