13. nov, 2014

PARTE 82 - PERDÃO DOS PECADOS (Final)

Segundo o critério comum, a pior das ofensas era a negação à fé - e para esse o mesmo Calixto prometia perdão. O problema foi levantado, e já com grandes dimensões, por ocasião da perseguição de Décio. Milhares de cristãos tinham apostatado da fé e procuraram mais tarde ser reintegrados depois de passado o temporal. A atitude que por fim, veio a tornar-se normativa, foi em grande medida, resultado do trabalho de Cipriano, bispo de Cartago, cuja posição moderada evitava tanto a falta de rigor dos confessores, quanto a rigidez demasiada dos tradicionalistas, vindo por isso a impor-se diante da consciência da Igreja.

 

Após o martírio do Bispo Fabiano, em 250, a igreja de Roma dividiu-se com respeito ao problema dos apóstatas. Como resultado de uma querela causada por antipatias pessoais e não envolvendo, a princípio, esse problema, um homem relativamente obscuro, Cornélio, foi escolhido para ser bispo, preterindo o Novaciano, o teólogo mais notável da Igreja romana naquela época, apoiado por uma minoria. A maioria desde logo pronunciou-se em favor de uma atitude mais benévola em relação aos apóstatas ao posso que Novaciano cada vez mais se aproximava da posição rigorista. Novaciano deu início a um cisma que perdurou até o século VII, fundando igrejas dissidentes em vários pontos do império. Restaurou a prátia antiga e negou-se a readmitir à Igreja os culpados de "pecados para morte". Esposara, porém, uma causa perdida.

 

Sínodos reunidos em Roma e Cartago, representando a maioria, em 251 e 252, permitiram a restauração dos apóstatas sob condições muito rígidas de penitência. A decisão alcançada em Roma, em 251, veio a torna-se normativa, embora o problema viesse a ser novamente suscitado durante a perseguição de Diocleciano, iniciada em 303 (cismo de Mileto, os donatistas), e subsistissem, durante muito tempo, prátias varias em diferentes partes da Igreja. Segundo essa decisão todos os pecados eram passíveis de perdão. A antiga distinção entre tidos diferentes e pecados persistiu, mas exclusivamente em nome. Dai em diante, a única diferença que havia era entre pecados grandes e pequenos.

 

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Nosso próximo assunto: "A Cooposição Da Igreja e o Duplo Padrão da Moralidade".

 

 

Israel Sarlo

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