5. jan, 2015

PARTE 87 - FORÇAS RELIGIOSAS RIVAIS

A segunda metade do século III foi o período de maior influência do mitraísmo no império. Como Solis invictus, Mithra era cultuado por toda parte. Esse culto era muito popular no exército e contava com o favor dos imperadores surgidos dentre as suas fileiras. Duas outras forças religiosas de importância surgiram então. A primeira era o neoplatonismo. Fundado em Alexandria por Amônio Saccas (?-c 245), seu desenvolvimento efetivo deveu-se a Plotino (205-270), que se estabeleceu em Roma por volta de 244. O sucessor deste na liderança do movimento foi Porfírio (233-304). O neoplatonismo era uma interpretação panteísta e mística do pensamento platônico. Deus é a existência simples e absoluta, absolutamente perfeita, da qual procedem as existências inferiores. Ele é Uno, que paira acima do dualismo implícito no pensamento, e dele emana o Nous tal como Logos na teologia de Orígenes. Do Nous, a alma do mundo deriva o seu ser, e desta procedem as almas individuais. O reino da matéria vem da alma do mundo. Mas cada estágio, no que diz respeito à quantidade de ser que possui é inferior à imediatamente precedente; tem menos realidade, descendo gradualmente de Deus, que é absolutamente perfeito, até à matéria, a qual, comparada a Ele, é negativa. A moralidade do neoplatonismo, como a da filosofia grega das últimas épocas em geral, era de caráter ascético. A salvação consistia na elevação da alma até Deus, em contemplação mística, cujo terno era a união com o divino. A influência do neoplatonismo sobre a teologia cristã viria a ser muito pronunciada, especialmente em Agostinho. Os fundadores do movimento, porém, não eram grandes organizadores, razão porque ficou ele reduzido ao caráter de uma escola de pensamento reservado a uns poucos, ao invés de tornar-se uma associação que incluísse grande número de adeptos.

 

 

Israel Sarlo

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