18. jan, 2015

PARTE 88 - FORÇAS RELIGIOSAS RIVAIS

(continuação)

 

Maniqueísmo - Coisa muito diversa sucedeu com o segundo movimento, importante na época: o Maniqueísmo. Seu fundador, Mâni, nasceu na Pérsia em 216, começou sua pregação na Babilônia em 242 e foi martirizado em 277. Fortemente baseado no antigo dualismo Persa, o Maniqueísmo era grandemente sincrético. Na realidade, o objetivo de Mâni era fundar uma religião e comunidade mundiais que superassem as limitações espaciais das tradições religiosas anteriores. Apropriou-se de elementos provindos do zoroastrianismo, do budismo, do judaísmo e do cristianismo, qualificando cada uma destas religiões de estágios reparatórios da mensagem universal, agora proclamada pelo maniqueísmo.

 

Segundo este, a luz e as trevas, o bem e o mal estão eternamente em guerra. O conceito maniqueísta das relações entre espírito e matéria, e da salvação, assemelha-se muito ao gnóstico. Em essência, o homem é o cárcere material do reino do mal, em que se encontra prisioneira uma porção do reino da luz. O "PAI de BONDADE" enviou vários mensageiros, entre os quais, Jesus e o próprio Mâni para libertar o homem dessa escravidão. A salvação baseia-se no reto conhecimento da verdadeira natureza do homem e no desejo de retornar o reino da luz, complementando com a rejeição ascética radical de tudo o que pertence ao âmbito das trevas notadamente os apetites e desejos físicos. O culto maniqueu era muito simples e o ascetismo regidíssimo. Havia dois tipos de adeptos: os perfeitos, sempre em número restrito, que praticavam austeridade em toda a sua extensão;  e os ouvintes, que aceitavam os ensinos, mas cuja prática era muito menos escrita. Essa distinção lembra a que se estabeleceu na IGREJA entre monges e cristãos comuns. A organização do movimento era bastante centralizada e rígida. O maniqueísmo se apresentava, portanto, como um verdadeiro rival do cristianismo. Cresce rapidamente dentro dos limites do império e absorveu não só muitos dos seguidores do mitraísmo, mas também o remanescente das seitas gnóstico-cristãs, e de outras facções heréticas anteriores.

 

O período áureo de crescimento do maniqueísmo foram os séculos IV e V. Sua influência fez-se sentir até o fim da Idade Média, por intermédio de seitas heréticas do seu ensino, como, por exemplo, a dos Cátaros. 

 

O Grande Diocleciano - No ano de 284 Diocleciano tornou-se imperador romano. De origem humilde, provavelmente nascido de pais escravos teve carreira brilhante no exército e foi elevado à dignidade imperial pelos seus companheiros de armas.

 

Apesar de soldado- imperador, era dotado de grande capacidade como administrador civil, e determinou reorganizar o império de modo a dotá-lo de defesa militar mais adequada, impedir conspirações do exército com o feito de substituir imperadores, e tornar mais eficiente a administração interna. Com tais objetivos em mente, em 285 nomeou um antigo companheiro de armas, Maximiniano, para o cargo de regente da parte ocidental do império, com o título de Augusto, também ostentado pelo próprio Diocleciano. A fim de aumentar a eficiência da organização militar, em 293 designou dois "Césares": Constâncio Cloro, para a fronteira do Reno, e Galério, para a do Danúbio. Ambos deveriam mais tarde ascender ao cargo superior de "Augustus". A mão firme de Diocleciano mantinha o sistema todo em harmoniosa eficiência.

 

 

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Israel Sarlo

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