8. fev, 2015

PARTE 89 - IGREJA POLÍTICA

As reformas introduzidas por Diocleciano nos negócios internos não foram menos radicais. Desfizeram-se os últimos resquícios do antigo império republicano e da influência senatorial. O imperador tornou-se um autocrata, no sentido bizantino posterior. Estabeleceu-se uma nova divisão das províncias. Roma deixou de ser predicamente a capital, passando Diocleciano a residir costumeiramente em Nicomédia, a Ásia Menor, mas convenientemente situada. Diocleciano, no que diz respeito ao caráter, era um partidário rude, mas firme, o paganismo do tipo mais grosseiro encontrado nos meios militares.

 

Para homens dotados de tal capacidade de organização, a Igreja, com sua sólida estruturação e hierarquia, constituía sérios problemas políticos. É bem possessível que, a seus olhos, ela parecesse um estado dentro do Estado, fugindo-lhe ao controle. O fato de nunca ter havido uma insurreição cristã contra o império e de o cristianismo se manter alheio ao envolvimento político, não ocultava o crescimento rápido da Igreja, tanto em número como em influência. Para um governante vigoroso, dois caminhos pareciam oferecer-se: ou levar a Igreja a submeter-se, quebrando o seu poderio, ou aliar-se a ela, assenhorando-se assim do controle politico da crescente organização. O segundo método foi o de que lançou mão Constantino. Diocleciano, porém, tentou valer-se do primeiro. Nem era de esperar outra coisa de um homem imbuído de tais convicções religiosas.

 

O César oriental, Galério, era ainda mais hostil ao cristianíssimo do que Diocleciano, e exercia grande influência sobre esse. Não está fora em hipótese supor que dele partiu a sugestão de uma nova perseguição. Além disso, o crescimento do cristianismo polariza as forças dispersas do paganismo por ele ameaçado.

 

Diocleciano e Galério, por sua vez, estavam dispostos a dar ênfase ao culto do imperador e ao serviço dos deuses antigos.

 

 

Israel Sarlo

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