10. fev, 2015

PARTE 90 - IGREJA POLÍTICA

(continuação da aula anterior)

 

 

Diocleciano, contudo, agiu lentamente. A um esforço cauteloso no sentido de expurgar o exercito e a criadagem do palácio imperial seguiram-se, a partir de fevereiro de 303, três grandes editos de perseguição, em rápida sucessão. 

 

Ordenou a destruição das igrejas, o confisco dos livros sagrados e o aprisionamento do clero, que era forçado a oferecer sacrifícios mediante torturas. Em 304, um quarto edito obrigava todos os cristãos a oferecerem sacrifícios aos deuses. Foi uma época de feroz perseguição. Tal como nos dias de Décio, cresceu o número de mártires, como também de "apóstatas". O sentimento popular, no entanto, era muito menos hostil do que nas perseguições anteriores. Os cristãos já se haviam tornado mais conhecidos. A severidade da perseguição variava conforme a atitude do magistrado encarregada a aplicação das penas.

 

A crueldade verificada na Itália, na África do Norte e no Oriente não era igualada na Gália e Bretanha, onde o "césar" Constância Cloro, mais simpático ao cristianismo, prestava obediência aparente à política imperial, destruindo os edifícios eclesiásticos, sem, no entanto, perseguir os cristãos. Com isso, atraiu junto aos que poupou, uma popularidade que viria a reverter em benefício de seu filho.

 

 

Israel Sarlo

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