11. mar, 2015

PARTE 91 - IGREJA POLÍTICA

(Continuação da aula anterior)

 

O afastamento voluntário de Diocleciano, e a abdicação forçada de seu colega Maximiniano, em 305, privaram a complexa organização governamental da não forte do único homem capaz de dominá-la. Constâncio Cloro e Galério tornaram-se, assim, "Augustos", mas, quando da nomeação dos "césares", os direitos dos filhos de Constâncio Cloro e Maximiniano foram preteridos em favor de dois apadrinhados de Galério, a saber, Severo e Maximino Daia. A essa altura, praticamente cessara a perseguição no Ocidente, embora continuasse, com crescente severidade no Oriente. Constâncio Cloro morreu em 306, e a guarnição de Iorque acalmou seu filho, Constantino, como imperador. Valendo-se desse apoio militar, Constantino obrigou Galério a reconhecer o seu título de "César", assenhoreando-se da Gália, Espanha e Bretanha pouco tempo depois Maxêncio, filho de Maximiniano derrotou Severo e dominou a Itália e a África do Norte. O próximo duelo que Constantino teria de enfrentar, na sua luta pela conquista do império, viria a ser com Maxêncio. De seu resultado dependia o domínio do Ocidente inteiro. Licínio protegido de Galério, herdou a hegemonia sobre uma parte das antigas possessões de Severo.

 

Antes que se travasse a batalha decisiva pelo Ocidente, porém, Galério, juntamente com Constantino e Licínio, publicou em abril de 311 um edito de tolerância para com os cristãos, "sob a condição de que nada pratiquem que seja contrário à disciplina". Tratava-se no máximo, de uma concessão relutante, embora não se possa dizer ao certo qual a razão que levou Galério, o perseguido, de quem principalmente proveio o edito, a tomar tal atitude. Talvez se tivesse ele convencido da futilidade da perseguição, ou passado a crer na possibilidade de que Deus dos cristãos viesse a ajudá-lo na longa e grave enfermidade que o acometera e acabaria por tirar-lhe a vida, poucos dias depois. Esta última hipótese é a mais viável, eis que o próprio edito exorta os cristãos a orarem pelos seus promulgadores.

 

 A morte de Galério, em maio de 311, deixou quatro concorrentes ao trono imperial. Constantino e Licínio aproximaram-se um do outro, movidos por interesses mútuos, o mesmo acontecendo com Maximino Daia e Maxêncio. Daia imediatamente renovou a perseguição na Ásia e no Egito. Maxêncio, embora não favorecesse a perseguição, era partidário confesso do paganismo. A simpatia dos cristãos voltou-se naturalmente para Constantino e Licínio. Constantino soube tirar o máximo proveito de tal circunstância. É-nos impossível dizer até que ponto iam suas convicções pessoais de Cristão. Herdou uma certa simpatia pelos cristãos. Concordou com a promulgação de edito de 311. Suas forças pareciam insuficientes para enfrentar a grande batalha com Maxência. Não há dúvida de que desejava a ajuda do Deus dos cristãos nesse conflito desigual, embora muito provavelmente, a essa altura, não O considerasse o único Deus. Após uma marcha brilhante e vários combates bem sucedidos no Norte da Itália, viu-se face a face com Maxência, em Saxa Rubra, pouco ao Norte de Roma. Entre seus inimigos e a cidade, a ponte Múlvia, sobre o Rio Tibre. Nesse lugar, durante um sono, na noite antes à batalha pareceu-lhe ver as iniciais do nome de Cristo com a inscrição: "Por este sinal vencerás" tomando isso por oráculo, mandou que, mesmo às pressas, o monograma de Cristo, um P atravessado por um X, que fosse pintado sobre seu elmo e os escudos dos seus soldados. Em certo sentido, portanto, foi na qualidade de cristão que enfrentou a batalha. Em 28 de outubro de 311 travou-se uma das batalhas mais decisivas da história. Maxêncio perdeu a luta e a vida.

 

O Ocidente passou ao domínio de Constantino. O Deus cristão - assim cria o imperador - lhe havia dado a vitória. Confirmavam-se nele todas as tendências cristãs. Desde então tornou-se, par todos os efeitos cristãos, embora ainda aparecessem emblemas pagãos nas moedas e o imperador retivesse o título de "Pontifex Maximus".e tivesse ele convencido da futilidade da perseguição, ou passado a crer na possibilidade de que Deus dos cristãos viesse a ajudá-lo na longa e grave enfermidade que o acometera e acabaria por tirar-lhe a vida, poucos dias depois. Esta última hipótese é a mais viável, eis que o próprio edito exorta os cristãos a orarem pelos seus promulgadores.

 

A morte de Galério, em maio de 311, deixou quatro concorrentes ao trono imperial. Constantino e Licínio aproximaram-se um do outro, movidos por interesses mútuos, o mesmo acontecendo com Maximino Daia e Maxêncio. Daia imediatamente renovou a perseguição n Ásia e no Egito. Maxêncio, embora não favorecesse a perseguição, era partidário confesso do paganismo. A simpatia dos cristãos voltou-se naturalmente para Constantino e Licínio. Constantino soube tirar o máximo proveito de tal circunstância. é-nos impossível dizer até que ponto iam suas convicções pessoais de Cristão. Herdara uma certa simpatia pelos cristãos. Concordara com a promulgação de edito de 311. Suas forças pareciam insuficientes par enfrentar a grande batalha com Maxência. Não há dúvida de que desejava a ajuda do Deus dos cristãos nesse conflito desigual, embora muito provavelmente, a essa altura, não O considerasse o único Deus. Após uma marcha brilhante e vários combates bem sucedidos no Norte da Itália, viu-s face a face com Maxência, em Saxa Rubra, pouco ao Norte de Roma. Entre seus inimigos e a cidade, a ponte Múlvia, sobre o Rio Tibre. Nesse lugar, durante um sono, na noite antes à batalha pareceu-lhe ver as iniciais do nome de Cristo com a inscrição: "Por este sinal vencerás" tomando isso por oráculo, mandou que, mesmo ás pressas, o monograma de Cristo, um P atravessado por um X, que fosse pitado sobre se elmo e os escudos dos seus soldados. Em certo sentido portanto, foi na qualidade de cristão que enfrentou a batalha. Em 28 de outubro de 311 travou-se uma das batalhas mais decisivas da história. Maxêncio perdeu a luta e a vida. O Ocidente passou ao domínio de Constantino. O Deus cristão - assim cria o imperador - lhe havia dado a vitória. Confirmavam-se nele todas as tendências cristãs. Desde então toronou-se, par todos os efeitos cris~toa, embora inda aparecessem emblemas pagãos nas moedas e o imperador retivesse o título de "Pontifex Maximus".

 

 

Israel Sarlo

www.facebook.com/caminhoeavida