7. fev, 2016

A REFORMA PROTESTANTE – PARTE 02

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE

 

Divisões eram insufladas, também o mundo intelectual alemão pela disputa que envolvia um dos humanistas mais amante da paz e respeitado – Reuchlin. Tal querela reunia para apoiá-lo, os defensores da nova cultura. Johann Pfeffferkon (1469-152) converso do judaísmo, pediu ao Imperador Maximiliano em 1509, uma ordem de confisco de livros judaicos, como desonrosos ao cristianismo. O arcebispo de Moqúncia, a quem foi entregue o inquérito sobre o caso, consultou Reuchlin e Jacó Hochstraten (1460 -1527), inquisidor dominicano em Colônia. Eles tomaram posições opostas. Hochstraten apoiou Pfeffferkon, enquanto Reuchlin defendia a literatura judaica, salvo algumas exceções, e aconselhava melhor conhecimento do hebraico e amigáveis discussões com os judeus em vez de confiscar seus livros. O resultado foi uma tempestuosa controvérsia. Reuchlin foi acusado de heresia e processado por Hochstraten. Em apelação, o caso foi levado a Roma, onde se arrastou até 1520, data em que foi decidido contra Reuchlin. Os defensores da boa cultura, daí, consideram toda questão como ataque ignorante e sem base à cultura e se uniram no apoio a Reuchlin. 

 

Deste círculo humanista saiu, em 1514 e 1517, uma das sátiras de mais êxito jamais publicadas – Cartas de Homes Obscuros. Parecendo terem sido escritas pelos oponentes de Reuchlin e da nova cultura, os exponham ao ridículo por seu latim bárbaro, sua trivialidade e ignorância. Indubitavelmente, pois, criaram a impressão de que o partido contrário a Reuchlin era hostil à cultura e ao progresso. Ainda são incertos seus autores, mas Crotus Rubeanus (1480? 1539?), de Dornheim, e Ulrich Von Hutten (1488 – 1523) tiveram parte nas Cartas. Hutten, orgulhoso, imortal e rixento, mas de brilhantes dotes como escritor em prosas e versos, e ardentemente patriota, deu apóio de duvidoso valor à Lutero os anos iniciais do movimento REFORMISTA. O efeito da tempestade levantada contra Reuchlin foi unir os humanistas alemães e traçar uma linha divisória entre eles e os conservadores, dos quais os ais preeminentes foram os dominicanos. 

 

Foi quando esta luta estava no auge que um protesto contra um abuso eclesiástico, feito em 31 de outubro de 1517, e de modo Ada usual ou maneira espetacular, por um monge professor de recentemente fundada e relativamente obscura universidade alemã, alcançou mediata resposta e provocou a maior revolução na história da Igreja Cristã. 

 

MARTINHO LUTERO, autor do protesto, é um dos poucos homens de quem se pode dizer que sua obra alterou profundamente a história do mundo. Não era organizador nem político. Movia os homens pelo poder de profunda fé cristã resultante de inalterável confiança em deus e relação direta, imediata e pessoal com Ele. Isto trazia segura salvação, que não dava lugar à elaborada estrutura hierárquica e sacramental da Idade Média. 

 

Lutero falou aos seus compatriotas como bem fazendo parte deles nas aspirações e simpatias, mas, ao mesmo tempo, acima deles por virtude de vívida e atuante fé, coragem física e espiritual do mais heróico cunho. Sem embargo, era tão profundamente produto da sua raça nas virtudes e limitações, que hoje é entendido com dificuldade por um francês ou um italiano, e mesmo os anglo-saxões, raras vezes, apreciam essa total e simpática admiração com que um PROTESTANTE alemão pronuncia seu nome. Entanto, ou o honrado ou quem a ele se oponha, ninguém pode negar seu preeminente lugar na HISTÓRIA DA IGREJA.

 

Israel Sarlo

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