9. fev, 2016

A REFORMA PROTESTANTE – PARTE 04

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE

 

Apesar de todo o rigor monástico, Lutero não encontrou PAZ para a alma. Seu senso de pecado esmagava-o. Staupitz o auxiliou, ponderando que a penitência verdadeira começa não com o temor da punição de Deus, mas com o amor de Deus. Mas ainda que Lutero pudesse dizer que Staupitz foi o primeiro a lhe abrir os olhos ao EVANGELHO, sua visão se foi aclarando lenta e gradativamente. Ainda em 1509 ele se devotou aos últimos escolásticos: Occam, d’Alilli e Biel. A eles, permanentemente, deveu sua disposição para enfatizar os fatos objetivos da revelação e sua desconfiança da razão. Agostinho, porém, estava lhe abrindo nova visão ao terminar 1509 e o levando à crescente hostilidade ao domínio de Aristóteles na teologia.

 

 

O misticismo de Agostino e a êfase sobre a significação salvadora da humana vida e morte de Cristo o fascinava. Anselmo e Bernardo o ajudaram. Ao tempo de Lutero fazia conferências sobre os Salmos (1513-1515), se convenceu que a salvação é uma nova relação com Deus. Salvação alicerçada ao sobre obras meritórias da part do homem, mas sobre a absoluta confiança nas promessas divinas. Assim, o homem redimido, ainda que não deixando de ser pecador, está livre e plenamente perdoado, e de que dessa nova e jubilosa relação com Deus em Cristo manará nova vida de voluntária conformidade com a vontade de Deus. Era uma nova ênfase do mais importante aspecto do ensino paulino. Mas não era inteiramente paulino. Para Paulo, o cristão é primacialmente um ser moral renovado. Para Lutero é antes de tudo um pecador perdoado. Mas Lutero, como Paulo, fazia da salvação, em essência, uma correta relação pessoal com Deus. A base e o penhor desta correta relação é a misericórdia de Deus demonstrada no sofrimento de Cristo em favor dos homens. Cristo levou nossos pecados. E a nós, em troca, é imputada Sua justiça.

 

Os místicos alemães, especialmente Tauler, auxiliaram Lutero a concluir que essa confiança que transforma, ao contrário do que ele havia suposto, não era obra na qual o homem tivesse parte, mas inteiramente dom de Deus. Seu trabalho preparatório para as preleções sobre Romanos (1515-1516) intensificaram mais estas convicções. Daí declarou que a opinião generalizada de que Deus infalivelmente infundiria graça naqueles que fazem o que podem era absurda e pelagiana. Para Lutero, a base da justiça pelas obras estava destruída.

 

Israel Sarlo

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