11. mar, 2016

A REFORMA PROTESTANTE - PARTE 05

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE – PARTE 05

 

Ainda que tivesse alcançado esta convicção quanto à natureza e ao método da salvação, ele ainda não assegurou paz à sua alma. Necessitava estar certo da sua própria justificação pessoal. Negou, com Agostinho, esta certeza. Entretanto, quando trabalhava na parte final de suas preleções sobre Romanos, e ainda, mas claramente nos últimos meses de 1516, sua dúvida de que a natureza da dádiva divina da fé envolve segurança pessoal, tornou-se certeza. Desde aí, em sua própria experiência pessoal, a suma do EVANGELHO era o perdão dos pecados. Era a “BOA NOVA” que enche a alma de paz, alegria e absoluta confiança em Deus. Era a total dependência das promessas divinas, da “PALAVRA” de Deus. Note que estamos falando da dependência das promessas divinas e não dependência divina.

 

Em 1516 Lutero não estava só. Na Universidade de Wittenberg sua oposição ao aristotelismo e ao escolasticismo e sua teologia bíblica tiveram muita simpatia. Seus colegas André Bodenstein de Karlstadt (1480-1541) que, ao contrário dele, haviam representado o velho escolasticismo de Aquino, e Nicolau Von Amsdorf (1483-1565) agora se tornaram seus sinceros apoiadores.

 

Em 1517 Lutero foi compelido a falar contra um abuso gritante. O Papa Leão X havia decidido em favor das pretensões de Alberto de Brandenburgo em ocupar ao mesmo tempo o arcebispado de Mogúncia, o de Magdeburgo e a administração do bispado de Halberstadt. O argumento para essa decisão foi o pagamento de grande soma. Com o fito de se indenizar, Alberto conseguiria para si a metade do cobrado pelas indulgências em seu distrito; indulgencias que o papado emitira desde 1506 para a construção da nova igreja de S. Pedro, a qual é, ainda hoje, um dos ornamentos de Roma. Um dos comissionados para essa arrecadação foi João Tetze (1470-1519), eloqüente monge dominicano que, desejando os maiores resultados possíveis, apresentava nos termos mais grosseiros os benefícios das indulgências. Para Lutero, convencido de que somente uma Areta relação com Deus podia trazer a salvação, tal ensino pareceu destrutivo da verdadeira religião. Como Tetze se aproximava – fora-lhe negada estrada na Saxônia – Lutero pregou contra o abuso das indulgências. E em 31 de outubro de 1517 afixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg, que servia para colocar boletins da universidade, suas para sempre memoráveis NOVENTA E CINCO TESES.

 

Israel Sarlo

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