12. mar, 2016

A REFORMA PROTESTANTE - PARTE 06

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE – PARTE 06

 

Consideradas em si mesmos, é deveras maravilhoso que elas tenham servido de fagulhas para provocar a explosão. Foram apresentadas para discussão acadêmica. Não negavam o direito do papa de conceder indulgências. Punham, no entanto, em dúvida sua eficácia no purgatório e faziam evidentes os abusos do ensino corrente – abusos que implicariam no repúdio delas pelo papa quando informado. Ainda, porém, que estivessem longe de apresentar em toda a plenitude o pensamento de Lutero, certos princípios eram nelas evidentes, os quais, se desenvolvidos, seriam revolucionários quanto às práticas eclesiásticas da época.

 

Arrependimento não é um ato, mas um hábito mental de toda a vida. O verdadeiro tesouro da Igreja é a graça perdoadora de Deus. O cristão procura, não evita a disciplina divina. “Todo cristão que sente verdadeira compunção tem direito à plena remissão da apena e da culpa, mesmo sem cartas de perdão”. Na inquieta condição da Alemanha, era um acontecimento da maior significação que um líder religioso respeitado, se bem que humilde, tivesse falado ousadamente contra um grande abuso. E elas correram por toda a extensão do império.

 

Lutero não havia antecipado a explosão. Tetzel respondeu imediatamente e instigou Conrado Wimpina (?1531) a replicar. Mais formidável oponente foi o hábil polemista João Maier, de Eck (1486-1543), professor de teologia na Universidade de Ingolstadt. Este respondeu com um tratado que circulou manuscrito, intitulado Oblisci. Lutero foi acusado de heresia, e, replicando a Eck, defendeu sua posição num sermão “Indulgência e Graça”. No começo de 1518 o Arcebispo Alberto de Mogúncia e os dominicanos fizeram chegar a Roma denúncias contra Lutero. O resultado foi o geral dos agostinianos receber ordem de pôr fim à questão e Lutero ser citado ante o capítulo geral da ordem, reunido em abril, em Heidelberg. Ali Lutero argumentou contra o livre arbítrio e o controle de Aristóteles na teologia. Ganhou novos aderentes, dos quais um dos mais importantes foi Martinho Butzer (Bucer). Na mesma ocasião Lutero publicou a mais elaborada defesa de sua posição sobre as indulgências, Resoluções.

 

Israel Sarlo

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