17. mar, 2016

A REFORMA PROTESTANTE - PARTE 08

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE –  PARTE 08

 

Qualquer acordo real era impossível. O colega de Lutero em Wittenberg, André Bodenstein de Karlstadt (1480-1541), contrariando Eck, sustentou, em 1518, que o texto da Bíblia deve ser preferido à autoridade de toda a Igreja. Eck exigiu um debate público, que Karlstadt aceitou. E Lutero foi logo levado à luta, afirmando que a supremacia da Igreja Romana não tem apoio na história nem na Escritura. Em junho e julho de 1519 o grande debate se realizou em Leipzig. Karlstadt, lutador inábil, não muito bem se saiu contra a presença de espírito de Eck. O zelo de Lutero fez sair-se melhor. Entanto Eck levou Lutero a admitir que sua posição, sob alguns aspectos, era a mesma de Huss e que o respeitado Concílio de Constança o condenado incorreu em erro. Para Eck isto pareceu um triunfo forense, e creu fosse sua a vitória, a declarando que quem negara a infalibilidade de um concílio geral era pagão e publicano. Na verdade, foi muito importante esta declaração a que Lutero foi levado. Já rejeitou a autoridade final do papa e agora admitia a falibilidade dos concílios. Tais passos implicavam no rompimento com todo o sistema de autoridade da Idade Média e só permitiam o apelo final às Escrituras. Sentiu Eck que toda a controvérsia agora podia termina rapidamente por uma bula papal condenatória, a qual, então procurou conseguir e que foi publicada em 15 de junho de 1520.

 

Lutero, agora, estava verdadeiramente no auge da batalha. Suas próprias idéias estavam se cristalizando rapidamente. Partidários humanistas, como Ulrich Von Hutten, ajuntavam-se a ele como o possível comandante num conflito nacional com Roma. O próprio Lutero estava começando a considerar tarefa sua a redenção nacional da Alemanha de um papado que, mais que o papa individualmente, se tornara o anticristo. Sua doutrina da salvação estava produzindo frutos em abundância. Em seu pequeno tratado de maio de 1520, Das Boas Obras, depois de definir como “as mais nobre de todas as boas obras” é “Crer em Cristo”, afirmou a bondade essencial dos negócios e ocupações normais da vida. E também denunciou os que “tanto limitam as boas obras que elas apenas consistem em orar na igreja, jejuar ou dar esmolas”. Esta vindicação da vida humana natural como o melhor campo para o serviço de Deus, mas que as limitações antinaturais do ceticismo, foi uma das mais importantes contribuições de Lutero ao pensamento PROTESTANTE, tanto quanto um dos seus mais significativos abandonos das condições cristãs antigas e medievais.

 

A grande obra de Lutero no ano de 1520, e que lhe deu o direito ao título de líder, foi o preparo de três obras que fizeram época. O primeiro desses tratados tratados foi publicado em agosto, sob a denominação Á Nobreza Cristã da Nação Alemã. Escrito com ardente convicção, por um mestre da língua alemã, de imediato se espalhou pelo império. Nesse trabalho proclamava que três muralhas romanistas haviam sido derrubadas, muralhas atrás das quais o papado construíra seu poder. A pretensa superioridade do estado espiritual sobre o temporal é infundada, pois todos os crentes são sacerdotes. Essa verdade do sacerdócio universal bota abaixo a segunda muralha – aquela do exclusivo direito papal de interpretar as Escrituras. E, ainda, a terceira – a de que apenas o papa pode convocar um concílio reformador. “Verdadeiro concílio livre” para a REFORMA da Igreja deverá ser convocada pelas autoridades temporais. Daí Lutero passou a atracar um programa de REFORMA, sendo suas sugestões mais práticas que teológicas. Deviam ser frenados o desgoverno, as nomeações e a taxações papais; cargos desnecessários abolidos; interesses eclesiásticos alemães colocados sob um “Primado da Alemanha”; permitindo o casamento do clero; os tão numerosos dias santos reduzidos no interesse da indústria e da sobriedade; proibida a mendicância, inclusive a dos monges; fechamento dos bordéis; restrição da luxaria; reformada a educação teológica nas universidades. Não é de admirar que o efeito da obra de Lutero fosse profundo. Disse ele o que homens sensatos de há muito tinham pensado.

 

Portanto, recordando as três grandes obras que Lutero em 1520 que lhe deu o título de líder chamada de À NOBREZA CRISTÃ DA NAÇÃO ALEMÃ:

 

 1ª - A SUPERIORIDADE PAPAL INFUNDADA;

 2ª - O PAPA PERDE A ESCLUSIVIDADE DA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS e

 3ª - OS CONCÍLIOS PODERIAM SER CONVOCADOS POR AUTORIDADES TEMPORAIS.

 

O PROGRAMA DE REFORMA USADO POR LUTERO:

1º - FREADOS O DESGOVERNO, AS NOMEAÇÕES E A TAXAÇÃO PAPAIS;

2º - CARGOS DESNECESSÁRIOS ABOLIDOS;

3º - INTERESSES ECLESIÁSTICOS ALEMÃES COLOCADOS SOB UM “PRIMADO DA ALEMANHA;

4º - PERMITIR CASAMENTO DO CLERO;

5ª- DIMINUIÇÃO DOS DIAS DE SANTOS REDUZINDOS NO INTERESSE DA INDÚSTIA E DA SOBRIEDADE;

6º - PROIBIDA A MENDICÂNCIA, INCLUSIVE A DOS MONGES;

7º - FECHAMENTO DOS BORDÉIS;

8º- RESTRINÇÃO DA LUXÚRIA;

9º - REFORMA A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NAS UNIVERSIDADES.

 

Gostaria de avisar que estamos estudando a REFORMA PROTESTANTE iniciada por Lutero, mas a REFORMA não para nele. Seria ainda muito importante que você entenda que Lutero também está levando em consideração a REFORMA ALEMÃ e comparando Lutero com Mestre e Paulo há uma diferença enorme, tanto o Mestre como Paulo não tinham nenhum interesse na vida política de Israel, sob o jugo romano, pois tanto um como o outro sabiam que o motivo da escravidão não era política, mas moral e espiritual. Tratadas as nascentes se curam os rios. Você vai encontrar muitos pontos divergentes na visão de Lutero e isto é normal, pois a verdade que liberta tratando primeiro do homem natural, mas logo veio para Lutero como a verdade espiritual.

 

Israel Sarlo

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