26. mar, 2016

A REFORMA PROTESTANTE - PARTE 11

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE –  PARTE 11

 

SEPARAÇÕES E DIVISÕES

 

A permanência de Lutero em Wartburgo deixou Wittenberg sem a sua poderosa liderança. Ali, porém, havia muitos capazes de levar avante a revolução eclesiástica. A seus antigos companheiros na universidade – Karlstadt, Melanchton e Nicolau Von Amsdorf (1483-1565) –se juntaram, na primeira metade de 1521, Johann Bugenhagen (1485-1558) e Justo Jonas (1493-1555). Destes, por certo Karlstadt possuía maiores dotes de liderança; era, porém ousado, impulsivo e radical. Lutero ainda ao fizer mudanças no culto público ou na vida monástica.

 

Era inevitável o aparecimento de pedidos de mudanças nessas duas coisas. O fogoso monge colega de Lutero, Gabriel Swilling (1487?-1558), em outubro de 1521, começou a denunciar a missa e a instar no abandono dos votos clericais. Logo teve muitos seguidores, especialmente n o mosteiro Agostiniano de Wittenberg, onde vários monges então renunciaram a sua profissão. Com igual zelo Zwilling logo começou a atacar as imagens. No Natal de 1521 Karlstadt celebrou a Ceia do Senhor na igreja do castelo sem vestes clericais, oferenda sacrifical, elevação da hóstia e dando o cálice aos leigos. Foram abandonadas a confissão e também os jejuns. Karlstadt ensinou que todos os ministros podiam casar e ele mesmo contraiu matrimônio, em janeiro de 1522. De imediato começou a se opor ao uso de quadros, órgão e ao canto gregoriano no culto público. Sob sua direção, o governo da cidade de Wittenberg extinguiu as antigas irmandades religiosas e confiscou seus bens, decretou que os ofícios religiosos seriam em alemão, condenou quadros nas igrejas e proibiu a mendicância, ordenado que os verdadeiros necessitados fossem socorridos com os dinheiros da cidade. A comoção pública aumentou com a chegada, em 27 de dezembro de 1521, de três pregadores radicais de Zwickau. Salientavam-se dentre eles Nicolau Storch e Marcos Thomä Stübner. Tais homens diziam ter direta inspiração divina, se opunham ao batismo de criança e profetizavam o próximo fim do mundo. De início, Melanchton foi algo afetado por eles, ainda que sua influência tenha sido considerada com exagero. Na verdade eles contribuíam para aumentar a confusão.

 

Mudanças assim rápidas, seguidas por um ataque popular às imagens, muito desagradaram ao eleitor Frederico, o Sábio, e provocaram protestos dos príncipes alemães e das autoridades imperiais. Ainda que Lutero viria a apoiar, nos três ou quatro aos que se seguiriam, muitas das mudanças que Karlstadt e Zuínglio fizeram de momento percebeu que sua causa estava em perigo por causa desse radicalismo extremo. O governo da cidade pediu o seu retorno. O eleitor proibiu, por razões políticas. Mas em 6 de março de 1522 mais uma vez Lutero estava em Wittenberg, onde morou desde então. Oito dias de pregação demonstraram seu poder. Proclamou que o Evangelho consiste no reconhecimento do pecado, no perdão através de Cristo e no amor ao próximo. As alterações provocadoras do tumulto tinham motivos externos. Só deviam ser efetuadas em consideração aos fracos. E Lutero dominou a situação. Karlstadt perdeu toda a influência e teve de abandonar a cidade. Muitas das mudanças foram, de momento, abandonadas e a velha ordem do culto largamente restabelecida. Assim Lutero mostrou decidida atitude conservadora. Opunha-se não apenas aos romanistas, como até então, mas também aos revolucionários que andavam como lhe pareceu, por demais rápidos. Começaram as divergências no próprio partido REFORMISTA. Entretanto, não se pode duvidar da sabedoria de Lutero. Sua atuação fez que várias autoridades o olhassem com simpatia; como alguém que, mesmo condenado em Worms, era realmente um poder em tempos tumultuosos. E continuou tendo especialmente o favor de seu pensei eleitor, sem o qual sua causa, ainda agora, naufragaria.

 

Israel Sarlo

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