30. mar, 2016

A REFORMA PROTESTANTE - PARTE 12

 

O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE –  PARTE 12

 

No entanto, o imperador estava de mãos amarradas pela guerra com a França pelo controle da Itália, guerra que o fez estar ausente da Alemanha de 1521 a 1530. Era impossível uma interferência de sua parte na REFORNA. O Papa Leão X terminara seu reinado de pompa em dezembro de 1521. Foi seu sucessor o antigo tutor holandês de Carlos V, Adriano VI. Era este homem de estrita ortodoxia medieval, mas plenamente consciente da necessidade de REFORMA moral e administrativa na corte papal. Seu curto pontificado de apenas vinte meses foi um esforço lamentavelmente infrutífero para brecar os males dos quais ele acreditava que o movimento herético de Lutero era castigo divino. A simpatia por Lutero rapidamente se espalhou, não só na Saxônia, mas em cidades da Alemanha. Ao Reichstag, reunido em Nuremberg, em novembro de 1522, Adriano enviou um núncio com um Breve. solicitando a aplicação do edito contra Lutero, mas admitindo houvesse muitas falhas na administração eclesiástica. Respondeu o Reichstag com a declaração de que o edito era impossível de ser cumprido, e pedindo um concílio para a REFORMA da Igreja, que se deveria reunir dentro de um ano na Alemanha. Enquanto isso, somente o “verdadeiro, puro, genuíno e santo EVANGELHO” devia ser pregado. E o Reichstag renovou as velhas queixas contra os desgovernos papais. Ainda que na forma, na realidade foi uma vitória para Lutero e sua causa. Parecia que a REFORMA conseguiria o apoio de toda a nação alemã.

 

Sob estas circunstâncias favoráveis, congregações evangélicas se foram rapidamente formando em muitas regiões, ainda que sem constituição ou ordem de serviço fixas. Lutero agora estava convencido de que tais associações de crentes tinham pleno poder para indicar e depor seus pastores. Também sustentava que os governantes temporais, pela sua posição de autoridades principais e responsabilidade na comunidade cristã, tinham o grande dever de velar pelo EVANGELHO. As experiências do futuro próximo, e as necessidades da organização da Igreja atual dentro de extensos territórios, fizeram Lutero abandonar qualquer simpatia que então tivesse por um eclesiasticismo livre a favor de uma estrita dependência do Estado. Para satisfazer as exigências do novo culto evangélico, em 1523 Lutero publicou Ordem de Culto, que acentuava o lugar central da pregação. Sua Fórmula da Missa, ainda em latim, excluía as implicações sacrificais, recomendava a ministrarão do cálice aos leigos e aconselhava o emprego de hinos populares pelos adoradores. No Tauf-büchlein apresentava o ofício batismal em alemão. O abandono das missas privadas e missas pelos mortos, com suas tarifas, trouxe sériosproblemas ao sustento do clero. Lutero pensou resolvê-los com salários tirados de um fundo comum provido pela municipalidade.

 

Lutero dizia que grande liberdade era permissível em pormenores do culto, desde que a “Palavra de Deus” fosse mantida no centro. As diversas congregações REFORMADAS, então, logo mostraram muitas variações e a tendência para o uso do alemão logo se desenvolveu. O próprio Lutero, daí, publicou a Missa Alemã, em 1526. Considerava a confissão deveras desejável como preparatória do cristão ainda incipiente para a Ceia do Senhor, não, porém, obrigatória. Julgada pelo desenvolvimento da REFORMA em outros lugares, a atitude de Lutero em matéria de culto era muito conservadora. Mantinha o princípio de que “o que não é contrário à Escritura é pela Escritura e a Escritura por ele”. Portanto reteve muitos dos costumes romanistas como o uso de velas, crucifixos e o emprego ilustrativo de quadros.

 

Israel Sarlo

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