7. abr, 2016

A REFORMA PROTESTANTE - PARTE 15

 

QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A REFORMA PROTESTANTE –  PARTE 15

 

Das separações, a causada pela guerra dos camponeses foi a mais desastrosa. Sentiu Lutero que o seu Evangelho não podia ser envolvido nas exigências sociais e econômicas dos camponeses desordeiros. A seus olhos, toda revolução era rebelião contra Des. Isto lhe custou caro. A simpatia popular por sua causa ficou muito diminuída entre as classes inferiores. A desconfiança dele quanto ao homem comum foi aumentada, e seu pensamento de que a reforma devia ser obra dos príncipes temporais foi bastante fortalecido. Seus oponentes, entretanto, apontaram essas revoltas como fruto natural da rebelião contra a antiga Igreja.

 

Então, Adriano VI, papa medieval, ainda que reformador a seu modo, faleceu. O sucedeu, em novembro de 1523, Julio de Médice, como Clemente VII (1523-1534). Este era homem de caráter respeitável, mas pouco reconhecedor da importância das questões religiosas, e, antes de mais nada, politicamente um príncipe mundano da Itália. O novo Reichstag reunido em Nuremberg, na primavera de 1524, Clemente enviou como seu legado o um hábil Cardeal Lourenço Campeggio (1474-1539). Pouco obteve Campeggio. O Reichstag prometeu cumprir o edito de Worms contra Lutero “como fosse possível” e exigiu uma “assembléia geral da nação alemã”, a se reunir em Espira, no outono próximo. O ausente imperador conseguiu frustrar esse reunião. O êxito de Campeggio, no entanto, foi alcançado for do Reichstag. Em virtude de seus esforços, em 7 de julho de 1524, em Ratisbona, foi formada uma liga para apoiar a causa romana. Reunia o irmão do imperador, Fernando, os duques da Baviera e os bispos do Sul da Alemanha. Um quinto das rendas eclesiásiasticas foi dado aos príncipes leigos, foram estabelecidas normas pra a obtenção de um clero mais digno, diminuídas as cobranças clericais, o número de dias santos observados como feriados bastante encurtados, a pregação seria de acordo com os Padres da Igreja primitiva e não de acordo com os escolásticos. Foi o começo de uma CONTRA-REFORMA de fato. Seu efeito, porém, foi aumentar a separação da Alemanha em partidos e fortalecer as linhas de demarcação sobre a base das possessões de príncipes territoriais cheios de rivalidades. A nação estava desesperadamente dividida.

 

Enquanto Roma se fortalecia no Sul da Alemanha, a causa de Lutero recebia importantes adesões. A principal foi, em 1524, a do conde de larga visão Filipe de Hesse (1518-1567), o mais hábil político dentre os príncipes luteranos. Ao mesmo tempo Alberto da Prússia, grão-mestre dos Cavaleiros Teutônicos, Jorge de Brandenburgo, Henrique de Mecklenburgo e Alberto de Mausfelde demonstravam decidido interesse na causa evangélica. Em 1524 também haviam sido ganhas as importantes cidades de Magdeburgo, Nuremberg, Estrasburgo, Augsborgo, Esslingen, Ulm e outras de menor valor.

 

Nos sombrios dias da revolta dos camponeses morreu (5 de maio de 1525) o cauteloso protetor de Lutero, Frederico, o Sábio. O sucedeu seu irmão João, “o Constante” (1525-1532). Foi favorável a Lutero a mudança, pois o novo eleitor era luterano ativo e declarado. Nesse tempo se deu o casamento de Lutero com Catarina Von Bora (1499-1552), realizado em 13 de junho de 1525. Essa união demonstrou alguns dos aspectos mais atrativos do caráter do reformador. O casamento foi repentinamente arranjado, de modo que a acusação algumas vezes feita deque o desejo de casar tivera algo a ver com a revolta de Lutero contra Roma é palpavelmente absurda. Entanto o repúdio do celibato clerical foi, por certo, favorável nos seus resultados finais. Nesta hora, porém, aumentou as causas de divisões, e o consórcio de um ex-monge com uma ex-freira pareceu dar razão à amarga pilhéria de Erasmo – a REFORMA, que parecia uma tragédia, era realmente uma comédia, cujo fim foi um casamento.

 

Israel Sarlo

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