Saiba mais... Curiosidades diversas

6. jun, 2015

(complemento do texto anterior)

 

A outra alternativa, a possibilidade de que os perdidos no final deixem de existir, requer uma análise muito mais séria. Os condicionalistas (é assim que os defensores da imortalidade condicional são chamados) aguardam a ressurreição de todos os homens, a qual será seguida por uma sentença justa de acordo com os merecimentos de cada um, o que significará angústia (mas não o tormento sem fim) para aqueles fora de Cristo, finalmente se encerrando na Segunda morte.

 

Alguns, embora nem todos, crêem que não há uma existência consciente de uma alma sem o corpo entre a morte e a ressurreição, mas que, no momento da morte, todos passam para um sono da alma sem completa inconsciência. Isto significa que o primeiro lampejo de consciência do redimido depois da morte seriam as boas vindas ao paraíso, isto é, ao céu, boaS vindas a serem dadas por Cristo.

 

O condicionalista tenta provar sua afirmação levantando perguntas fundamentais. Por exemplo, a Bíblia ensina que a alma é imortal? Antes ela não ensina que a alma que pecar morrerá? (Ez.18:4, Rm.6:23). Ás vezes se diz que a Bíblia não ensina a imortalidade da alma, mas que a admite implicitamente. Todavia, é estranho que uma verdade tão importante não seja implicitamente ensinada. O ônus da prova recai sobre aqueles que afirmam que a Bíblia admite implicitamente a imortalidade da alma). As expressões mais comumente usadas, “morte”, “destruição”, “perecer” e a metáfora do fogo que consome matéria vegetal, não sugerem um fim? (A descrição da Geena é baseada no depósito de lixo do Vale de Hinom, fora de Jerusalém, onde o fogo lento queimava incessantemente e onde os vermes consumiam incansavelmente o lixo podre.).

 

A Bíblia não chega a ensinar que o homem é mortal e que o pecado é uma força autodestruidora, cuja recompensa final é a destruição completa do corpo e da alma? A imortalidade não é parte do dom da vida eterna, dada aqueles que se tornaram participantes da natureza divina através da união com Cristo? [Só o Senhor tem imortalidade (1ª Tm.6:16); os que praticam o bem procuram a imortalidade (Rm.2:7); a imortalidade é revelada através do Evangelho (2ª Tm.1:10); aqueles que estiverem em Cristo se revestirão da imortalidade (1ª Co.15:54); eles têm se tornado participantes da natureza divina (2ª Pd.1:4)].

 

A insistência do universalista na eternidade de todas as almas não é uma tendência em direção ao panteísmo? E a insistência do tradicionalista na eternidade das almas em pecado não é uma tendência em direção ao dualismo? Estas são algumas das perguntas que os condicionalistas tendem a fazer.

 

Alguns, como L.E. Froom, desafiam a fidedignidade da afirmação de Hodge de que o tormento sem fim tenha sido virtualmente a única posição doutrinária das principais correntes do cristianismo, baseada numa crença monocromática existente no judaísmo do primeiro século. Eles concordam que a partir do século sexto até a Reforma, o tormento sem fim representou a ortodoxia aceita, com poucas vozes discordantes, e que depois da reforma continuou a ser dominante nas principais igrejas, pelo menos até o século XIX, embora com um volume cada vez maior de discordância.

 

Eles negam que o tormento interminável fosse tão largamente aceito pelos judeus do primeiro século, de modo que os ouvintes de Jesus obrigatoriamente tivessem interpretado seu ensino neste sentido, sem ter havido alguma rejeição específica da parte de Jesus. Eles afirmam que a imortalidade condicional foi geralmente aceita na igreja primitiva até que os pecadores tentaram casar a doutrina platônica da imortalidade da alma com o ensino da Bíblia. Este jugo desigual, dizem, gerou dois frutos bastardos:

 

- O UNIVERSALISMO (tal como ensinado por Clemente e por Orígense de Alexandria).

 

- O TORMENTO ETERNO (tal como ensinado por Tertuliano e por Agostinho).

 

Quando os textos bíblicos principais, que parecem tão inexcusáveis, afirmam que o fogo inextinguível e o verme que não morre significam apenas fogo que não se extingue e vermes que não morrem, até que seu trabalho de destruição se complete. Eles têm tratado da questão da punição eterna em seus resultados (como a punição do “fogo eterno” que destruiu Sodomo e Gomorra e que é mencionada em Judas 7), mas não em seu sofrimento. É um ato de conseqüências eternas, não uma ação eterna. Outros afirmam que o conceito subjacente á palavra grega aionios é o do pensamento judaico da época, que falava de duas eras em contraste: “esta era presente” e “a era vindoura”. A vida eterna é a vida da era vindoura e a punição eterna é a punição da era vindoura. A primeira tornou-se possível com a vinda de Jesus e o início de seu reinado; a última será administrada por Jesus, na qualidade de Filho do homem, quando ele pronunciar o juízo final. A menção feita por Cristo à “vida eterna” e ao “castigo eterno” basicamente não tem a ver com a eternidade dos dois destinos, mas com a inevitabilidade do que acontece quando se consuma o advento da nova era. Estes dois pontos de vista não são mutuamente exclusivos, e podem ser sustentados simultaneamente.

 

Os condicionalistas também negam que o Apocalipse de João, obra repleta de simbolismo, tenha o objetivo de nos descrever um estado final que inclua a continuação do pecado e do sofrimento. A fumaça do tormento que sobe para sempre representa a lembrança do triunfo da justiça de Deus, não um queimar contínuo das pessoas afligidas. Quando à parábola do rico e de Lázaro, observam que o cenário é o Hades, não a Geena (o Hades será lançado um dia para dentro do lago de fogo) Ap:2014, e que a passagem é mais figurada do que literal. Seria arriscado para qualquer escola de pensamento extrair conclusões literais a partir dessa passagem a respeito da topografia do mundo vindouro.

 

Caso se diga que o condicionalismo desvaloriza o impacto da intimidação bíblica, visto que “crer na aniquilação não passa de crer naquilo que o ateu crê” e muitas pessoas em tormentos poderão receber bem a aniquilação, os condicionalistas responderão dizendo o seguinte:

 

1. O ateu não tem concepção alguma da maravilha e da bem-aventurança do céu.

2. Ele, portanto, não faz qualquer idéia do que significa desprezar o céu, desprezar o próprio propósito para o qual foi feito.

3. Ele não percebe o que estará envolvido no pavor de aguardar o juízo e na angústia e no remorso de se apresentar nu diante de Deus para ver o seu verdadeiro eu revelado e ouvir o Juiz sentenciar: “Apartai-vos”.

4. É questionável se alguém de fato deseja a aniquilação. O ser humano se apega tenazmente à vida e é discutível que a perspectiva de aniquilação seja o mais temível de todos os destinos. Certamente é a mais final de todas as tragédias.

 

Se o propósito da Bíblia é descrever o horror do justo juízo e da destruição final seu linguajar não é exagerado.

 

(Os condicionaistas consideram que sua doutrina age de modo mais dissuasivo do que o ensino tradicional, argumentando que este último não é crível para aqueles que o ouvem e, portanto, simplesmente não é aceito. Horbery (p.274) cita, embora discordando, um autor que coloca a questão da seguinte maneira: “Apenas imaginamos que cremos nisso... Nada que seja demasiadamente enfatizado, ou que pareça exagerado, causa surpresa à Mente. Caso um professor diga a seu aluno que seu pai o enforcará se não estudar, ele rirá diante da ameaça. Tal ameaça é exageradamente desproporcional tanto aos seus próprios deméritos, como a idéia que ele faz da equidade de seu pai.”)

 

 

Israel Sarlo

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5. jun, 2015

A “ortodoxia tradicional” (tal como chamaremos, mas sem levantar quaisquer questões) teve, segundo dizem, sua primeira formulação oficial no Segundo Concílio de Constantinopla, em 553. Dentre as suas resoluções encontram-se os nove anátemas do Imperador Justiniano contra Orígenes, o último dos quais declara: “Se alguém disser ou pensar que a punição dos demônios e dos homens ímpios é apenas temporária e um dia cessará... seja anátema (“Os Sete Concílios Ecumênicos”).

 

Os anátemas de Justiniano foram adotados por um sínodo ocorrido anteriormente, em 543, em Constantinopla. Há alguma dúvida sobre se estes anátemas foram adotados pelo concílio ecumênico de 553, ou se mais tarde foram interpolados em seus registros.

 

A ortodoxia tradicional foi baseada em vários trechos bíblicos aparentemente claros, em sua maior parte baseada no próprio ensino de Jesus, encontrado nos evangelhos. Jesus falou do homem rico no Hades, atormentado pelo fogo, que desejava que o mendigo Lázaro molhasse a ponta do seu dedo na água, a fim de refrescar a sua língua, e falou do grande abismo existente entre ambos e que ninguém poderia atravessar. Jesus também falou do fogo inextinguível, do verme que não morre e do choro e ranger de dentes do Geena. O mais surpreendente de tudo é que ele empregou exatamente o mesmo adjetivo na mesma sentença em que fala de “vida eterna” e de “castigo eterno”. Depois de declarar que no dia do juízo o Filho do homem diria aqueles que estivessem a sua esquerda: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”, ele conclui a solene afirmação com as palavras: “E irão estes para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna”.

 

O mesmo ensino, só que declarado com expressões ainda mais fortes, é encontrado no livro de apocalipse, onde se afirma a respeito daqueles que adoram a besta que “a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos”. Mas ainda afirma: “o diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago do fogo e enxofre, onde também se encontram não só a besta como o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos.” (Lc.16:19-31; Mc.9:43,48; Mt.8:12; 25:41,46; Ap.1411; 20:10). Esta expressão “pelos séculos dos séculos” é empregada repetidamente em Apocalipse em referência ao reinado de Deus e dos santos; parece lógico, portanto, inferir que os tormentos dos perdidos sejam tão infindáveis quanto a alegria dos remidos.

 

 

Israel Sarlo

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5. jun, 2015

TERMINADA A OBRA-PRIMA

 (Final)

 

Vamos supor, agora, que tendo lido o Velho Testamento (V.T.) você encontre um amigo cristão que o persuade a ler o Novo Testamento (N.T.). O que descobre? Você o lê uma vez, duas, três, e todo o tempo descobre um livro de cumprimentos correspondentes. O primeiro capítulo de Mateus faz soar o refrão que logo se torna habitual, “para que se cumprisse...” O Jesus deve “salvar o povo dos pecados deles” tem sua linha genealógica traçada diretamente até o rei Davi e o patriarca Abrãao, através de quem as duas grandes “alianças com promessas” de Deus foram feitas com Israel. O seu nascimento de uma virgem revela imediatamente o segredo de Isaías 7:14: “Portanto o Senhor mesmo dará sinal; eis que a virgem conceberá, e dará á luz um filho, e lhe chamará Emanuel” que significa “Deus conosco.”

 

Depois disso você lê sobre o Jesus do N. T., cujo nascimento, vida, morte, ressurreição e ascensão são registrados historicamente nos Livros Biográficos, interpretados espiritualmente em Atos e nas Epístolas, e consumados por antecipação em Apocalipse.

 

Em sua morte vicária e auto-sacrifício expiatório, Sua ressurreição e ascensão, Seu sumo sacerdócio presente nos céus, e Sua volta prometida, você observa as cerimônias inexplicadas da Lei ganharem repentinamente novo significado. Todas elas apontam para Ele – como por exemplo, as cinco espécies diferentes de ofertas em Levítico, as ordenanças do tabernáculo, a entrada anual do sumo sacerdote no Santo dos Santos para aspergir o sangue da aliança, e o fato dele sair mais tarde em suas vestes gloriosas para abençoar o povo.

 

Ao ler sobre o nascimento do Salvador e ouvir o anjo anunciar: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor lhe dará o trono de Davi, seu pai...,” você compreende que as histórias não cumpridas do V. T. estão sendo retomadas e encontrando cumprimento nEle, em Cristo.

 

Quando lê os ensinamentos de Jesus sobre o amor e paternidade de Deus; ao ouvi-lo dizer “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”; ao vê-lo não apenas subindo aos céus, mas enviando o Espírito Santo e vindo assim a habitar no coração do seu povo remido – você testemunha os anseios insatisfeitos dos livros de filosofia do V. T., encontrando plena realização.

 

Quanto às profecias não-cumpridas da Cristologia do V. T., desde o dia de seu nascimento milagroso em Belém até o apogeu de sua ascensão miraculosa no monte das Oliveiras, Ele está cumprindo essas predições da antiga dispensação. Ele alega ser o seu cumprimento – como quando diz na sinagoga: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc.4:21). Ele prova ser o seu cumprimento pela sua vida sem pecado e ministério confirmado por milagres e, mais ainda, em sua morte no Calvário. Sobre quem, passagens como Isaías 53, poderiam ser escritas senão a respeito dEle a quem João Batista apontou, exclamando: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”?

 

O Jesus do N. T. é realmente o cumprimento da cerimônia, história, filosofia e profecia do V. T.:

 

No V.T Ele está vindo.

Nos livros biográficos Ele veio em humanidade visível.

Nas Epístolas Ele chegou através do Espírito Santo invisível.

No Apocalipse Ele volta na glória do império mundial.

 

Os cumprimentos de seu primeiro advento provam a divindade da profecia do V. T. e eles garantem que o que resta a ser cumprido, tanto no Velho como no Novo Testamento, irá certamente ocorrer quando chegar a hora pré-determinada.

 

“Louvemos ao Deus de luz

 cuja revelação pura

 Faz cessar a noite sombria da superstição

 Pela verdade divina e segura;

 Cuja graça auto-manifestada,

 Iniciando através dos patriarcas,

 Brilha agora em toda plenitude,

 Como um reflexo da face de seu Filho encarnado.”

 

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21. mai, 2015

A SINFONIA INACABADA

 

Tente imaginar-se lendo ou estudando o Velho Testamento pela primeira vez. Vamos supor que você tenha um amigo judeu que lhe diga: “Nossas Escrituras hebraicas são maravilhosas; você deve lê-las”. E você responde: “Suponho que quer dizer a Bíblia”. Ele replica: “Não, a Bíblia é composta do Velho e Novo Testamento. Nós judeus acreditamos apenas no Velho. Essa é a nossa Escritura. Não se preocupe com o que esses cristãos chamam de Novo Testamento. Leia o Velho Testamento e não apenas uma vez; ele é maravilhoso demais”.

 

Você lê então o V. T. uma vez e, naturalmente, a primeira seção que percorre é a Torá ou Lei – o “PENTATEUCO”. A coisa que mais prende sua atenção é a predominância do sacrifício de animais. Ele começa bem cedo em Gênesis 4, ocorrendo de novo nos capítulos 9, 12 e 22. Apresenta-se claramente em Êxodo, até que em Levítico surge toda uma organização de sacrifícios, ofertas, rituais e cerimônias, de algum modo indicam realidades além de si mesmo, embora isto não seja em ponto algum explicado claramente. Todavia, você continua lendo os demais livros, esperando encontrar uma explicação. Você viaja através dos livros (Josué a Ester), os de filosofia (Jó a Cantares de Salomão) e os proféticos (Isaías a Malaquias); mas apesar dos sacrifícios e cerimônias da Lei serem mencionados repetidamente, você chega ao final do Velho Testamento sem obter o esclarecimento que precisa e tem uma sensação decepcionante de que o V. T. é um livro de CERIMÔNIAS INEXPLICADAS.

 

Mesmo assim, você conclui que o V. T. é na verdade o livro mais maravilhoso que já leu e que os judeus são uma raça notável. Será verdade que os judeus são o “povo escolhido” de Deus, com um elevado propósito e destino? Você deve então lê-lo totalmente de novo. Começa outra vez em Gênesis. Observa a aniquilação da civilização antediluviana e a aliança de Deus com Noé, prometendo que a raça humana jamais seria destruída de novo pelas águas. A seguir encontra a aliança de longo alcance feita com Abraão em Gênesis 12, 15, 17, 22, renovada, mais tarde, com Isaque e Jacó. A seguir aprende como as doze tribos foram libertadas do cativeiro do Egito pelo braço estendido do Senhor, fundidas em uma nação no Sinai, recebendo uma Lei e ordenanças e constituindo uma teocracia. Você observa o povo da aliança invadir e ocupar Canaã: o futuro está repleto de oportunidades. Mas, lamentavelmente, segue-se o Livro de Juizes com suas sórdidas decadências e servidões. O primeiro Livro de Samuel recapitula a mudança de teocracia para monarquia. Iº Reis mostra a divisão do reino em dois. IIº Reis termina com a ida de ambos os reinos para o exílio. Iº e IIº.Crônicas narram a trágica história. Em Esdras, Neemias e Ester, um remanescente volta para a Judéia; mas trata-se apenas de um remanescente. Os muros de Jerusalém são reconstruídos, mas o trono davídico não mais existe. Os judeus são uma minoria dependente na Judéia; fora dela eles foram dispersados nos quatro cantos da terra.

 

Você continua lendo os livros de filosofia, mas eles nada falam a respeito disso; os profetas também não fazem qualquer menção sobre os mesmos, exceto o último trio, Ageu, Zacarias e Malaquias, onde as coisas não vão nada bem com o remanescente que voltou. Você termina assim sua segunda leitura do Velho Testamento com um triste suspiro, achando que é o livro de PROPÓSITOS INATINGIDOS.

 

Uma coisa, porém, se destaca agora com poder cativante: em seus aspectos espirituais o V. T. é certamente incomparável e você pode entender muito bem porque os judeus se orgulham dele. Na verdade vai ter que fazer nova leitura, pois aqui, com certeza, o Deus verdadeiro é revelado, assim como o caminho para descobri-lo! Você começa outra vez em Gênesis. Este é com certeza o mais confiavel e sublime relato das origens jamais escrito! Você examina de novo Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. Esta é verdadeiramente a Lei mais maravilhosa que já foi dada! Mas o seu interesse especial está agora concentrado nos livros filosóficos do grupo poético, de Jó a Cantares de Salomão, pois são eles que tratam dos problemas dolorosos e pessoais do coração humano. Irá sem dúvida encontrar neles a solução! Mas, isso acontece? Não. Embora sejam realmente esclarecedores, penetrantes, práticos, cheios de conselhos, lições e promessas consoladoras, de certa forma, não contêm soluções claras ou finais para os terríveis problemas do pecado, do sofrimento, da morte e do além. Você continua gemendo com Jó: “Ah! Se eu soubesse onde encontrá-lo!” Nos escritos dos profetas que se seguem você encontra os mais elevados pontos de ética e as mais surpreendentes predições, mas eles não resolvem sua busca espiritual; e você termina sua terceira leitura do Velho Testamento, percebendo igualmente ser ele um livro de ANSEIOS INSATISFEITOS.

 

Entretanto, mesmo agora, você não pode finalmente esquecer-se de suas páginas, pois ao lê-lo tornou-se também interessado na busca da realidade e, além disso, descobriu nele um certo fenômeno surpreendente que não se encontra em nenhuma outra religião ou filosofia debaixo do sol. Este aspecto singular impressionou você cada vez mais à medida que releu o livro. Trata-se da maravilha da profecia do Velho Testamento, especialmente a profecia no sentido de predição. Não pode haver qualquer dúvida sobre a sua autenticidade. Previsões traçadas com ousadia, estendendo-se sobre o tempo, notavelmente detalhadas, a respeito do Egito. Assíria, Babilônia e outros grandes poderes foram expostos e depois cumpridas com tanta exatidão que qualquer investigador sincero precisa concordar, “Este é o selo do Deus vivo sobre essas Escrituras”. Além disso, o cumprimento das profecias garante a consumação similar de muitas outras que se projetam para um futuro ainda mais distante. O corpo central da profecia do V. T. fala sobre o futuro como nenhuma outra literatura jamais o fez e o guarnece com a reparação mais compensadora e final. Tudo se concentra na idéia de que ALGUÉM ESTÁ CHEGANDO, e será resposta de Deus ao clamor das eras.

 

Muito antes, em Gênesis 3:15 o “descendente da mulher” é renovada a Abrãao; Isaque e Jacó, nos capítulos 12, 17, 22, 49. Existem traços dela em todos os rolos sucessivos do V. T. até que Isaías e seus companheiros, o fluxo de profecia messiânica chega ao ponto mais alto. Todavia, ao chegar a Malaquias, embora impérios tenham parecido, séculos marchando para a antigüidade e os videntes jazam em suas sepulturas, o Prometido não veio. “Eis que Ele virá!” exclama Malaquias enquanto também ele, o último dos profetas, desaparece por trás da cortina nevoenta do passado; mas é preciso que se retire, e você termina o Velho Testamento compreendendo que é um livro de PROFECIAS NÃO CUMPRIDAS.

 

O Velho Testamento então, em seus quatro compartimentos –  o organizacional, o histórico, o filosófico e o profético – é um livro de:

 

 1º)- LIVRO DE CERIMÔNIAS INEXPLICADAS;

 2º)- LIVRO DE PROPÓSITOS NÃO ATINGIDOS;

 4º)- LIVRO DE ANSEIOS INSATISFEITOS e

 4º)- LIVRO DE PROFECIAS NÃO CUMPRIDAS.

 

 

(continua na proxima aula)

 

 

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14. mai, 2015

A IDÉIA DOMINANTE – CUMPRIMENTO!

 

Devemos, porém, apresentar nossos critérios sobre “idéias” e o Novo Testamento (N.T.) sob um novo aspecto. Ouvimos algumas vezes a advertência para remover toda idéia preconcebida ao chegar ao Novo Testamento, deixando que ele fale as nossas mentes completamente abertas, como se estivesse sendo colocado em nossas mãos pela primeira vez. Talvez esse conselho seja valioso, especialmente quando dado a céticos ou incrédulos, a maioria dos quais parece temerosa de dar ao livro pelo menos uma oportunidade justa; mas quanto aos outros a recomendação precisa ser estudada.

 

Nós que estamos fazendo estes estudos já damos valor às páginas preciosas do N. T. e desejamos aprender seus significados mais significativamente. Queremos com certeza por de lado quaisquer idéias erradas e le-lo com a “mente aberta” por completo. Todavia, uma mente “aberta” não é necessariamente uma mente vazia. Poderemos perder muita coisa se nos aproximarmos do N. T. sem algumas idéias corretas.

 

Vamos mencionar aqui apenas uma que, se preservada desde o início, irá conferir brilho e entusiasmo ao nosso estudo do começo ao fim. A idéia é esta: O conceito característico que domina todos os escritos do N. T. é o de CUMPRIMENTO.

 

MATEUS, logo no início, estabelece este ponto e, para enfatizá-lo, inclui doze (12) vezes a frase: “Para que se cumprisse” (Mt 1:22; 2:15,17,23; 4:14; 8:17; 12:17; 13:35; 21:4; 26:56; 27:9,35). Imediatamente, da primeira vez que registra um discurso público do Senhor, ele relata como ponto-chave do mesmo: “Vim... para cumprir”. Mateus não é, porém, o único a dar esta ênfase. Qual foi a primeira palavra dita pelo Senhor ao dar início a seu ministério público?

 

MATEUS -  foi isto que disse: “Porque assim nos convém CUMPRIR” (Mt 3:13).

MARCOS - registra: “O tempo está CUMPRIDO e o reino de Deus está próximo” (Mc 1:15).

LUCAS - “Hoje se CUMPRIU a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4:21).

JOÃO - como sempre acontece, contraria os outros três evangelistas em lugar de apresentar-nos a primeira declaração do Senhor, oferece uma reação dos primeiros o “receberam” – “ACHAMOS!” (Jo 1:45). Depois disso, mais de sete vezes, ele repete a nota-chave de Mateus: “Para que se CUMPRA” (Jo 12:38; 13:18; 15:25; 17:12; 19:24,28,36).

 

Vemos isso de várias maneiras e em diversas frases através de todo o livro de Atos e das Epístolas. O N. T. é o cumprimento do Velho; ou, para ser mais preciso, o CRISTO do Novo Testamento é o cumprimento. Ele é o cumprimento de tudo que os profetas viram, que os salmista cantaram e os corações piedosos esperaram.

 

O N. T. é a RESPOSTA do Velho. Sem ele o Velho é como um rio que se perde na areia. Seria revelação sem destino: algo previsto, mas nunca concretizado; promessa sem cumprimento; prepara sem consumação. Se o N. T não for a resposta do Velho, então este jamais teve uma resposta e nunca poderá tê-la. Mas o N. T. é a resposta. Ele é a resposta. Ele é o VERDADEIRO, CLARO e GLORIOSO CUMPRIMENTO.

 

(continua na proxima aula)

 

 

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